As Civilizações Orientais

As primeiras Civilizações do período histórico, são as Civilizações agrícolas e mercantis da antiguidade oriental, que incluem, entre outros, os povos mesopotâmicos, os egípcios, os hebreus, os fenícios, os persas, os hindus e os chineses. No período histórico dito Antiguidade já se torna possível uma análise mais apurada das atividades físicas, pois os povos tornam-se civilizados e muitas de suas atividades, registradas através da escrita, adquirem finalidades muitas vezes relacionados à religião. É com os CHINESES, HINDÚS e EGÍPCIOS, entre outros povos do oriente, que começa realmente a História da Educação Física. Os dados sobre a China datam, mais ou menos a 3.000 anos a.C. e indicam que muitas das práticas desportivas que perduraram durante vários séculos, datam dessa época.

                                                                                                                 



A Civilização Mesopotâmica

A Mesopotâmia, atual Iraque, era a terra entre os rios Tigre e Eufrates; O patesi ou representante de Deus em uma sociedade de base agrícola que incluía:

- Sumérios: organizados em cidades-estados (Ur, Uruk, Nipur, Lagash), constituíam a base cultural da Mesopotâmia: astrologia, escrita zigurates, etc.

- Acádios: Sargão I. fez uma- tentativa de unificação política.

- Amoritas (Antigos babilônios): Código de Hamurábi (Lei do talião: “olho por olho, dente por

dente” mas as punições variavam de acordo com o grau social do infrator e da vítima).;

- Assírios: militarismo e crueldade. Região de passagem, exército, solo árido.

- Caldeus (Neo-babilónios): apogeu com Nabucodonosor. Escravizaram os judeus (Cativeiro babilônico) e realizaram grandes obras públicas como os Jardins Suspensos da Babilônia.

 Os mais antigos habitantes da Mesopotâmia foram os sumerianos (turaninos), vindos talvez do Turquestão. Só muito mais tarde aí se estabeleceram os Semitas, os quais assimilaram a religião e os costumes dos sumerianos, conservando porém a sua língua que impuseram aos vencidos. As duas raças fundiram-se, principalmente na região da Caldeia, predominando contudo na Assíria o elemento semita.

Admite-se que, na Mesopotâmia, tenha existido o Eden e surgido a " Humanidade", pelos seguintes argumentos:

a) Nela apareceram os primeiros homens e se multiplicaram até o Dilúvio universal;

b) Nela se reconstituíram os nossos ancestrais para logo se dispersar pelo mundo, ante a confusão 

dos idiomas, na Torre de Babel;

 


c) Ali, todas as raças deixaram seus representantes.

Atribui-se aos Assírios e Caldeus uma origem comum, visto que viveram juntos por espaço de tempo longo, e guardam traços comuns como a fisionomia, a vestimenta, o culto, o idioma e a escrita; e ambos tinham o corpo vigoroso, nariz grosso e olhos grandes que davam ao rosto expressão de energia. Os assírios depois se separaram, desenvolvendo-se rapidamente e, a  partir desse momento, assírios e caldeus adquiriram costumes completamente distintos.

 

Civilização Egípcia

O Egito foi uma civilização da antiguidade oriental do Norte de África, concentrada ao longo ao curso inferior do rio Nilo, no que é hoje o país moderno do Egito. Era parte de um complexo de civilizações, as Civilizações do Vale do Nilo, dos quais as regiões ao sul do Egito hoje (Sudão, Eritreia, Etiópia e Somália) são uma parte. Tinha como fronteira a norte o Mar Mediterrâneo, a oeste o deserto da Líbia, a leste o deserto Oriental Africano e a sul a primeira catarata do rio Nilo.

A civilização egípcia se aglutinou em torno de 3150 a.C. com a unificação política do Alto e Baixo Egito, sob o primeiro faraó, e se desenvolveu ao longo de três milênios. Sua história contou com três grandes reinos marcados pela estabilidade política, prosperidade económica e florescimento artístico, separados por períodos de relativa instabilidade conhecidos como Períodos Intermediários. O Antigo Egito atingiu o seu auge durante o Império Novo, uma era cosmopolita durante a qual dominou, graças às cmpanhas militares do faraó Tutmés III, uma área que se estendia desde Curgos na Núbia, (entre a quarta e quinta cataratas do rio Nilo) até ao rio Eufrates., após o que entrou em um período de lento declínio. O Egito foi conquistado por uma sucessão de potências estrangeiras, neste período final e o governo dos faraós terminou oficialmente em 31 a.C. quando o Egito caiu sob o Império Romano e se tornou uma província romana, após a derrota da rainha Cleópatra VII na Batalha de Ácio

Tendo sido uma das primeiras grandes civilizações da Humanidade, a civilização egípcia manteve durante a sua existência uma continuidade nas suas formas políticas, artísticas, literárias e religiosas, explicável em parte devido aos condicionalismos geográficos, embora as influências culturais e contactos com o estrangeiro tenham sido também uma realidade que produziu a famosa Biblioteca de Alexandria. O sucesso da antiga civilização egípcia foi causado em parte pela sua capacidade de se adaptar às condições do Vale do rio Nilo. A inundação previsível e a irrigação controlada do vale fértil produziam colheitas excedentes, o que alimentou o desenvolvimento social e cultural. 




Com recursos de sobra, o governo patrocinou a exploração mineral do Vale e nas regiões do deserto ao redor, o desenvolvimento inicial de um sistema de escrita independente, a organização de construções coletivas e projetos de agricultura, o comércio com regiões vizinhas, e campanhas militares para derrotar os inimigos estrangeiros e afirmar o domínio egípcio. Motivar e organizar estas atividades foi uma burocracia dos escribas de elite, líderes religiosos, e dos administradores sob o controle de um faraó que garantiu a cooperação e a unidade do povo egípcio, no âmbito de um elaborado sistema de crenças religiosas.

 Civilização Hebraica

Os hebreus eram um povo nômade de origem semita que recebeu posteriormente a denominação de judeu. Em 2000 a.C., sob a liderança do patriarca Abraão, os pastores hebreus migraram da Mesopotâmia para a terra de Canaã, na Palestina. Em 1700 a.C., chefiados por Jacó, apelidado Israel (neto de Abraão), saem de Canaã e vão para o Egito, onde são escravizados. Entre 1220 a.C. e 1180 a.C., voltam a Canaã em busca de um território, guiados pelo patriarca Moisés, no episódio bíblico conhecido como Êxodo. De 1200 a.C. a 1010 a.C., as 12 tribos organizam-se numa confederação político-religiosa para defender os seus santuários. A partir de 1010 a.C., o reino unificado expande-se, dominando todas as cidades-estados de Canaã.



Praticaram a agricultura, o pastoreio, o artesanato e o comércio. Tinham por base social o trabalho de escravos e servos. As tribos eram dirigidas de forma absoluta pelos chefes de família (patriarcas), que acumulavam as funções de sacerdote, juiz e chefe militar. Com a unificação destas, a partir de 1010 a.C., elegem juízes para vigiar o cumprimento do culto e da lei. Depois se unem em torno do rei. Produzem uma literatura dispersa, mas importante, contida em parte na Bíblia e no Talmude. Por influência de suas crenças religiosas os hebreus fundaram uma religião monoteísta baseada no culto ao Deus Jeová, o judaísmo, baseada nos Dez Mandamentos revelados a Moisés no monte Sinai.

A população hebraica era organizada em vários clãs patriarcais que eram tribos seminômades. Essas tribos familiares dedicavam-se à criação de gado em pastagem próximas a oásis espalhados pelo deserto da Arábia. Os hebreus seguiam a liderança de homens que eram escolhidos por Jeová e consideravam-se uma nação santa que deveria expandir a sua população pela terra, pelo que as famílias eram muito numerosas. As mulheres recebiam o papel de criar os filhos e manter o lar, enquanto os homens tinham a função de administrar as tribos e obter o sustento da família.

 A Civilização Fenícia

 

Os fenícios, chamados sidónios no Antigo Testamento e fenícios pelo poeta Homero, eram um povo de língua semítica, ligado aos cananeus da antiga Palestina. Pressupõe-se que chegaram a esta região por volta do século 30 a.C e fundaram uma civilização que se estabeleceu na costa mediterrânea com as primeiras povoações onde se encontra hoje o Líbano, partes da Síria e de Israel, por volta de 2500 a.C. No começo de sua história desenvolveram-se sob a influência das culturas suméria e acádia da vizinha Babilônia. Por volta de 1800 a.C., o Egito, que começava a formar um império no Oriente Médio, invadiu e controlou a Fenícia, aí se mantendo até cerca de 1400 a.C. Por volta de 1100 a.C. os fenícios tornaram-se independentes do Egito e converteram-se nos melhores comerciantes e marinheiros do mundo clássico.
A contribuição fenícia mais importante para a civilização foi o alfabeto. Atribui-se também a esta cultura a invenção da tinta de púrpura e do vidro. As cidades fenícias foram famosas por sua religião panteísta e seus templos eram o centro da vida cívica. A divindade fenícia mais importante era Astarté.

A proximidade com o mar e o início das trocas agrícolas com os egípcios deram condições para que o comércio marítimo se destacasse como um dos mais fortes setores da economia fenícia. Ao longo da faixa litorânea por eles ocupada surgiram diversas cidades-Estado, como Arad, Biblos, Tiro, Sídon e Ugarit. Em cada uma dessas cidades um governo autônomo era responsável pelas questões políticas e administrativas. Por volta de 100 a.C. , após o auge dos centros urbanos de Ugarit, Sídon e Biblos, a cidade de Tiro expandiu sua rede comercial sobre as ilhas da Costa Palestina chegando a contar com o apoio dos hebreus. Com a posterior expansão e a concorrência dos gregos, os comerciantes de Tiro buscaram o comércio com regiões do Norte da África e da Península Ibérica.

Todo o desenvolvimento mercantil observado entre os fenícios influenciou o domínio e a criação de técnicas e saberes vinculados ao seu intenso trânsito. A astronomia foi um campo desenvolvido em função das técnicas de navegação necessárias à prática comercial, visto que esta era a única opção de locomoção. Tiveram o seu maior reconhecimento por volta do século 12 a.C., quando antigas potências que dominavam esta parte do Oriente Médio ficaram enfraquecidas. Aproveitando a oportunidade, os fenícios transformaram suas cidades em importantes polos comerciais.

Não sendo grandes produtores de mercadorias, atuavam como importadores e exportadores. Para fazer tantos negócios, os fenícios se especializaram em longas viagens marítimas. Graças a esse espírito comerciante-aventureiro estabeleceram pontos de colonização que se assemelhavam a grandes entrepostos em várias áreas do mar Mediterrâneo, como no norte da África e na costa da Itália e da Espanha.

Uma das maiores heranças deixadas pelos fenícios foi o alfabeto com 22 letras consoantes, que mais tarde os gregos aperfeiçoaram, acrescentando outra letras, e influenciando o alfabeto latino que usamos atualmente .

A Civilização Persa

A Pérsia situava-se a leste da Mesopotâmia, no extenso planalto do Irã. Ao contrário das regiões vizinhas, possuía poucas áreas férteis. A partir do ano 2000 a.C., a região foi sendo ocupada por pastores e agricultores, vindos da Rússia, dos quais se destacavam os medos, que se estabeleceram no norte, e os persas, no sul do planalto iraniano.

Os medos, desde o século VIII a.C., tinham estabelecido um exército forte e organizado, submetendo os persas a pagarem altos tributos. Isso durou até quando o príncipe persa Ciro, o Grande, liderou com sucesso uma rebelião contra os medos após o que, Ciro foi aceito como o único imperador de todos os povos da planície iraniana.

Para obter riquezas e desenvolvimento, Ciro deu início ao expansionismo persa. Em poucos anos, o exército persa apoderou-se de uma imensa área. Seus sucessores Cambises e Dário I deram continuidade a essa política, ampliando as fronteiras do território persa, que abrangeu desde o Egito ao norte da Grécia até o vale do rio Indo.

Naturalmente, ocorriam diversas rebeliões separatistas promovidas pelos povos dominados. Mas para garantir a unidade do território e de seu poder, Dário I dividiu o Império persa em várias províncias, denominadas satrapias, nomeando os sátrapas, altos funcionários, que administravam cada satrapia separadamente.

 

O povo persa, era um povo extremamente lutador, possuindo um grande exército, e uma grande estrutura militar, com vários tipos de guerreiros e táticas de guerra. Entre eles distinguiam-se os lutadores com escudos (infantaria), Condutores de carruagens, cavaleiros de elite, tropas de elefantes, e arqueiros entre outros.

A religião da sociedade persa era o zoroastrismo, que defende o antagonismo entre as forças, do bem e do mal, em vários ritos feitos para cultuar os deuses.
Alexandre O Grande acabou com o império persa após a derrota imposta a Dario .
 

 Civilização Hindu

Uma das sociedades mais antigas do mundo no território hoje ocupado pela Índia, ficou distanciada dos demais povos, pela centralização comercial no Oriente Médio em regiões estratégicas da Ásia, e manteve-se, economicamente, pelo comércio interno das especiarias até à Idade Média.

Por volta de 2000 a.C., os dravidianos habitavam a Índia e cultivavam a terra para agricultura com avançadas técnicas de irrigação. Entretanto, no século XVIII a.C., as tribos arianas invadiram o território hindu e enfrentaram, sem resistência, a população local.

Os arianos formaram uma nova sociedade hindu, criando hierarquias políticas e religiosas às quais os dravidianos não tinham acesso. O antigo povo foi escravizado e classificado em castas inferiores às quais ficaram totalmente submetidos e sem a possibilidade de mudar de classe social, pois desde a Antiguidade o povo hindu tinha uma forte submissão à religião. Na invasão, os arianos, achavam ser superiores e estar conectados ao deus maior Brahma.

As castas foram divididas da seguinte maneira:

Brâmanes: sacerdotes que representavam a maior autoridade social e acreditavam ser parte do cérebro do deus Brahma.

  • Xátrias: guerreiros que ficavam encarregados de vigiar as castas inferiores e as punirem com severos castigos, como trabalhos forçados. Também tinham grande força política.
  • Vaixias: comerciantes e artesãos que movimentavam a economia local.
  • Sudras: servos, geralmente dravidianos, que serviam aos superiores.
  • Párias: considerada a escória da sociedade, estavam relegados aos piores trabalhos.


Indignado com a tirania dos brâmanes, no século VI a.C. Sidarta Gautama, que viria a ser conhecido como O Buda saiu da região do Nepal e decidiu acabar com séculos de escravização do povo hindu. Ficou recluso por mais de seis anos, e criou o pensamento da necessidade humana de se libertar para poder viver em paz consigo mesmo. A verdade que Sidarta tanto perseguia lhe apareceu numa noite de Maio, por volta de 528 a.C., quando, sentado sob uma árvore, recebeu o que os budistas chamam de "Iluminação". Sidarta compreendeu que os sofrimentos poderiam ser derrotados. Sua doutrina ficou conhecida como budismo e foi amplamente difundida pelas classes mais pobres. Sidarta adotou o nome de Buda, que significa "o iluminado", e saiu pelo mundo para ensinar a sua filosofia. Após sua morte, seus seguidores espalharam a filosofia budista pela Ásia, encontrando na China, no Japão e no sudeste da Ásia um número de adesões muito maior do que na própria Índia. Hoje, há quase 300 milhões de budistas no mundo,

Buda acreditava que a vida chegava ao fim, mas a alma era eterna. Quando uma pessoa falecia, a alma se separava do corpo e transitava entre humanos e animais, dependendo de suas ações durante a vida. Se continuasse praticando o bem, atingiria um estágio superior, o Nirvana, onde encontraria a paz e a tranquilidade supremas.

O budismo conquistou novos adeptos após a morte de Buda. Hoje, apesar de ser na sua base, uma filosofia, ele é  seguido como uma das principais religiões do mundo, expandindo a sua influência para regiões da China, Japão e toda a Ásia.

A civilização hindu é com certeza uma das mais antigas do mundo e ocupou o território que hoje se conhece como Índia, onde se manteve distanciada dos demais povos, mas com uma economia forte e um pensamento filosófico admirado por todos os povos do Mundo.

A Índia é um país com diversidade linguística e cultural e, quanto à religião, esta não se resume ao hinduísmo, mas tem também seguidores do islamismo, cristianismo, sikhismo, budismo e jainismo, embora no momento da independência, em razão do fanatismo islâmico que queria impor esta como a religião única do país, uma cisão tenha existido e como resultado o Movimento Paquistanês, liderado por Muhammad Ali Jinnah, e pela luta da região por independência política, o Paquistão tenha sido criado em 1947 como uma nação independente para os muçulmanos das regiões no leste e no oeste do subcontinente indiano, onde havia uma maioria muçulmana e todos os islâmicos tenham abandonado o restante território e fundado o hoje conhecido como Paquistão. Este teve a primeira cisão nascendo o Bangladesh que conquistou a sua independência do Paquistão em 1971, depois da guerra civil de nove meses entre o Paquistão Ocidental e o Paquistão Oriental. De 1947 a 1971, a região que hoje é Bangladesh foi o Paquistão Oriental.e mais da metade da população do Paquistão morava lá. Nasceu então também entre a Índia e o Paquistão  uma disputa acirrada pela Caxemira – um reino de maioria muçulmana governado por um marajá hindu, mesmo antes da independência dos dois países do Reino Unido. Mas a briga se intensificou depois que o governante da Caxemira, Hari Singh, aceitou uma anexação à Índia em troca da ajuda de Nova Déli para reagir a ataques de um exército de membros tribais paquistaneses. Os acontecimentos levaram à primeira Guerra Indo-Paquistanesa sobre a Caxemira.
Como assunto  de interêsse sobre a Índia, é a meu ver interessante falar também mais detalhadamente dos Sikhs. 
O sikhismo é uma religião que surgiu no início do século XVI no Punjabe, através do ensinamentos do Guru Nanak. Este foi o primeiro de dez gurus vivos adorados pelos sikhs. O quinto guru, Arjan, estabeleceu Amritsar como a capital dos sikhs. Mas foi ao décimo, Gobind Singh, que coube militarizar os fiéis para resistirem à opressão, criando a Khalsa, a comunidade dos sikhs baptizados que se identifica por um conjunto de objectos (caixa). Gobind Singh foi o último guru humano. Desde a sua morte, em 1708, os sikhs passaram a tratar as escrituras, o Sri Guru Grand Sahib, como líder espiritual.

Ainda hoje os sikhs representam dois terços da população do estado indiano do Punjab, apesar de serem só 2% do total da população da gigante democracia asiática, com mais de 1100 milhões de pessoas.

Baseado em valores como a justiça, harmonia, paz e, sobretudo, igualdade de todas as pessoas, independentemente da religião, o sikhismo faz um compromisso entre hinduísmo e islão. Apesar do seu empenho na paz, os fiéis ficaram na história como guerreiros.

Após terem combatido o exército britânico em meados do século XIX, os sikhs acabaram por perceber que tinham muito em comum com os colonizadores. E tornaram-se empenhados soldados do Raj, tendo dado provas de valentia ao serviço da Índia sob domínio britânico. Mas o massacre de Amritsar, em 1919, com as tropas britânicas a abrir fogo sobre dez mil manifestantes, matando 400, degradou a relação. Este massacre é apontado como o início do declínio do Raj.

Com a independência e a partição em Índia e Paquistão, em 1947, os sikhs decidiram ficar cidadãos indianos, uma vez que esta parecia ser a única forma de manterem a maioria no Punjab e alguns dos seus direitos, Mas perderam muitos. E isso gerou uma onda de descontentamento com a maioria hindu, que cresceu até 1984. Nesse ano, Jarnail Singh Bhindranwale e os seus homens refugiaram-se no Templo Dourado de Amritsar, lugar santo para os sikhs, para escaparem à perseguição do exército, que os acusava de vários crimes e de porem em causa a segurança no estado do Punjabe.

A primeira-ministra Indira Gandhi acabou por ordenar o ataque ao templo, que se saldou em centenas de mortos, segundo os sikhs. Uma decisão que terá custado a vida à governante. De facto, a filha do primeiro chefe do Governo da Índia independente, Jawaharlal Nehru, foi assassinada nesse mesmo ano pelos guarda-costas sikhs.





Desde então, os sikhs - muitos chamam-se Singh, ou "leão" em punjabi - têm passado por um processo de reabilitação e hoje são uma das comunidades mais prósperas da Índia, a quem dão o primeiro-ministro, Manmohan Singh (o país já teve dois presidentes sikhs). Sucesso que repetem na diáspora, destacando-se como empresários.

Para os seguidores dos gurus, só existe um Deus para todas as religiões, perante o qual todos são iguais. Por isso todos podem entrar nos Gurdwara, os locais de culto. Ali, os visitantes, após se descalçarem, cobrirem a cabeça e lavarem mãos e pés, encontram comida 24 horas por dia e também dormida.

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