Os Portugueses em África

O Norte da África é a região mais antiga do mundo. A civilização egípcia floresceu e inter-relacionou-se com as demais áreas culturais do mundo mediterrâneo, motivos pelos quais essa região se uniu, há milhares de séculos, acompanhando a forma como a civilização ocidental foi desenvolvida. As colônias pertencentes à Fenícia, Cartago, a romanização, os vândalos aí fixados e o Império Bizantino influente, foram os fatores pelos quais foi deixada no litoral mediterrâneo da África uma essência da cultura que posteriormente os árabes assimilaram e modificaram. Na civilização árabe foi encontrado um campo Importante para expandir e consolidar a cultura muçulmana no Norte da África. O islamismo foi estendido pelo Sudão, pelo Saara e pelo litoral leste. Nessa região, o islamismo é a religião pela qual foram sendo lançadas as rotas de comércio do interior da África (escravos, ouro, penas de avestruz) e estabelecidos enclaves marítimos (especiarias, seda) no Oceano Índico. Simultaneamente, na África negra foram conhecidos vários impérios e estados que aí floresceram. Estes impérios e estados nasceram de grandes clãs e tribos submetidos a um só soberano poderoso com características próprias do feudalismo e da guerra. Entre esses impérios de maior importância figuram o de Axum, na Etiópia, que teve sua chegada ao apogeu no século XIII; o de Gana, que desenvolveu-se do século V ao XI e os estados muçulmanos que o sucederam, Mali (do século XIII ao XV)  o de Songai (do século XV ao XVI); o Reino de Abomei do Benim (século XVII) e a confederação zulu do sudeste africano (século XIX).

O Império de Axum e a Núbia foram as regiões na parte meridional do Saara onde o Império Romano influenciou mais, durante os primeiros séculos depois que nasceu Jesus Cristo. O Reino de Axum era situado na região atualmente correspondente à parte norte-oriental da Etiópia, e tornou-se rico através do fato de que os romanos e as Índias ali comerciavam, ou seja, realizaram trocas comerciais. O povo foi convertido para o cristianismo quando se iniciou o século IV, mas seus descendentes continuaram sempre a ser convertidos.

Muitos pequenos reinos núbios que ficavam no vale do rio Nilo, no atual Sudão, entravam em negócios com o Egito quando o país mais antigo do mundo pertencia ao Império Romano. Os núbios que comerciavam e influenciavam foram além do vale do Nilo, para o ocidente, até chegar ao lago Chade e foram convertidos pelos  missionários egípcios tornando-se cristãos no século VI.

Durante o século V, o Norte da África foi invadido pelos vândalos, um povo germânico, dando aso  a que fosse exterminado o cristianismo romano que influenciou a África. O reino vândalo terminou no século VI, e o Norte da África passou a pertencer ao Império Bizantino.

Durante o século XV os exploradores vindos da Europa chegaram primeiramente no litoral da África Ocidental. O estímulo dado a essa exploração foi gerado pela necessidade de buscar novos caminhos para as Índias, após o comércio ser controlado pelos turcos no leste do Mar Mediterrâneo. Os colonizadores de Portugal, da Espanha, da França, da Inglaterra e dos Países Baixos foram os competidores pelo domínio desse comércio por meio de feitorias no litoral e portos de embarque para comercializar.

Em oposição ao oceano Índico, onde ocorre a mudança do vento de acordo com as estações, o oceano Atlântico, ao longo do litoral da África Ocidental, mantém a força dos ventos e as correntes que percorrem a descida desde a parte meridional, durante o ano inteiro. Até a metade do século XV, os navios europeus não tinham a possibilidade de descida do litoral da África Ocidental e de retorno à Europa. Isso originou a construção pelos portugueses de navios com capacidade de navegação para retorno pelo litoral da África Ocidental, na metade do século XV, e isso lhes deu a possibilidade de atingir qualquer ponto da África. De 1497 até 1498, foi comandada por Vasco da Gama uma expedição portuguesa que conseguiu o contorno do cabo da Boa Esperança com destino às Índias.

Inicialmente, os portugueses começaram por comerciar o ouro de Gâmbia, da Costa do Ouro (atual Gana), e do Império Caranga, e fizeram a conversão ao cristianismo dos governantes dos reinos do Congo, Benim, no sul da Nigéria, e Uolofe, no Senegal. Tomaram também conhecimento, que a África tropical era muito perigosa para aqueles que chegavam, pois frequentemente, mais de 50% dos grupos vindos da Europa perdiam a vida dentro de um ano ou dois, por apresentarem sintomas de doenças tropicais como a malária e a febre amarela. Nestas situações condicionais, somente um negócio comercial com grandes lucros seria atrativo para os mercadores europeus. Os escravos e o ouro foram assim o único negócio que justificava os mercadores europeus serem atraídos para África.

Devido ao regime colonialista estabelecido no continente, foram destruídas e modificadas as estruturas sociais, econômicas, políticas e religiosas da maioria dos territórios da África negra. As colônias que proclamaram sua independência, num processo emancipatório que se iniciou após a Segunda Guerra Mundial e se concluiu principalmente de 1960 até 1975, estiveram sob ameaça de graves problemas de integração nacional, que resultaram em fronteiras arbitrárias como legado do sistema colonialista, além da pobreza (pois o rápido crescimento da população africana é mais elevado do que o número de alimentos produzidos). Como dependem econômica e politicamente das antigas metrópoles, a ineficiência da administração, as tribos e as ideologias conflitantes entre si, todos esses fatores agravantes fizeram com que a população das cidades crescesse. Estas são as principais barreiras que impedem que os novos países se desenvolvam. Os governos desses países, majoritariamente com características de forças armadas ou de presidencialismo, têm tendência à adoção de políticas de socialização que garantem a libertação das potências estrangeiras. A cooperação coletiva para a solução desses problemas deu origem a uma diversidade de organizações supranacionais que se baseiam na ideia do pan-africanismo, ou a totalidade dos povos africanos unidos no entorno dos interesses comuns; a de maior importância é a Organização da Unidade Africana (OUA).

Os portugueses conseguiram manter os tradicionais laços de amizade com as suas amtigas colónias, criando a Comunidade de língua Portuguesa que hoje inclui também o Brasil.




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