O Calendário
O
primeiro calendário romano foi criado por Rômulo em 753 a.C., ano de fundação
de Roma, baseado no calendário egípcio. Era um calendário lunar, e tinha 304
dias, divididos em dez meses lunares, seis de 30 dias e quatro de 31, desde
Março a Dezembro.
Os
anos eram chamados de a.u.c. (ab urbe condita), a partir da fundação da cidade
de Roma. Neste sistema, o dia 11 de Janeiro de 2000 marcou o ano novo do 2753
a.u.c.
Mais
tarde Júlio César criou o calendário Juliano, numa reforma aconselhada pelo
astrônomo Alexandrino Sosígenes, adotando um calendário com 365,25 dias no ano
trópico, que mesmo assim era maior que o ano solar em 11 m. e 14 seg. Isto dava
um erro de 3 dias em cada 400 anos. As suas principais reformas foram: o início
do ano passaria de 1º de Março para 1º de Janeiro; os meses passavam a ter 30 e
31 dias intercalados (exceto Fevereiro); quintilis e sextilis ficaram com 31
dias porque tinham nome de imperadores; e o 13º mês, mercedonius, foi
suprimido.
A
contagem dos anos, a partir da era cristã, dá-se quando a igreja solicitou ao
abade romano Dionysius Exiguus que calculasse o ano de nascimento de Jesus.
Naquela época, 325 d.C. contavam-se os anos a partir do início do governo do
grande imperador Deocliciano, embora já vigorasse a religião cristã como
oficial. Exiguus determinou que o ano 248 da era Deocliciana correspondia a 332
d.C. mas sabe-se hoje, que ele errou o cálculo em 4 anos. Por tradição,
contudo, festeja-se o ano cristão como o definido por Exiguus. O sistema
cristão inicia a era no ano I. O ano anterior a este é -I ou I a.C. Muitos
países adotam a notação I a.D., para denotar o ano I, depois de Cristo. “AD”
representa a abreviação latina de anno dominum, ano de Cristo.
Finalmente,
em 1582, o papa Gregório XIII, aconselhado por astrônomos, em particular por
Luigi Lílio, obteve o acordo dos principais soberanos católicos e, através da
bula Inter gravissimas, de 24 de fevereiro, decretou a reforma do calendário,
que passou, em sua homenagem, a chamar-se Gregoriano, e é o mais perfeito
utilizado até hoje.
Como
os astrônomos definiram com precisão que o ano deveria ter 365 dias e 6 horas,
foi definido então que esse seria o número de dias e, a cada 4 anos, um dia
deveria ser acrescentado, pra acertar com o ciclo lunar. A reforma gregoriana
tinha por finalidade fazer regressar o equinócio da primavera a 21 de Março e
desfazer o erro de 10 dias existente. Para isso, a bula mandava que o dia
imediato à quinta-feira 4 de Outubro fosse designado por sexta-feira 15 de
Outubro. Assim, embora houvesse um salto nos dias, mantinha-se intacto o ciclo
semanal.
Para
evitar no futuro a repetição da diferença, foi estabelecido que os anos
seculares só seriam bissextos se fossem divisíveis por 400. Suprimir-se-iam,
assim, 3 dias em cada 400 anos, razão pela qual o ano 1600 foi bissexto, mas
não o foram os anos 1700, 1800 e 1900, que teriam sido segundo a regra juliana,
por serem divisíveis por 4.
A
duração do ano gregoriano é, em média, de 365d 05h 49 m 12 s, isto é, tem
atualmente mais 27s do que o ano trópico. A acumulação desta diferença ao longo
do tempo representará um dia em cada 3000 anos.
É evidente que não valia a pena aos astrónomos de Gregório XIII atender a tão pequena e longínqua diferença, nem na atualidade ela tem ainda qualquer importância. Talvez lá para o ano 5000 da nossa era, se ainda continuarmos com o mesmo calendário, seja necessário ter isso em consideração.
Portugal,
Espanha e Itália foram os únicos países que aceitaram de imediato a reforma do
calendário. Em França e nos Estados católicos dos Países Baixos a supressão dos
10 dias fez-se ainda em 1582, durante o mês de Dezembro (9 para 20 em França,
14 para 25 nos Países Baixos). Os Estados católicos da Alemanha e da Suíça
acolheram a reforma em 1584; a Polónia, após alguma resistência, em 1586 e a
Hungria em 1587. A repugnância foi grande mesmo nos países católicos, pois isso
significava sacrificar 10 dias e romper aparentemente com a continuidade do
tempo. Estas reações mostram que o calendário toca o coração das pessoas e que
convém tratar a questão com prudência.
Nos
países protestantes a recusa foi mais longa. O erudito francês Joseph Scaliger,
pelas suas críticas, contribuiu para organizar a resistência. "Os
protestantes, dizia Kepler, preferem antes estar em desacordo com o Sol do que
de acordo com o Papa". Os protestantes dos Países Baixos, da Alemanha e da
Suíça só por volta de 1700 aceitaram o novo calendário. Mas nalgumas aldeias
suíças foi preciso recorrer à força para obrigar o povo a fazê-lo. A Inglaterra
e a Suécia só o fizeram em 1752; foi preciso então sacrificar 11 dias, visto
que tinham considerado 1700 como bissexto. O problema na Inglaterra agravou-se
mais porque também nesse ano fora decidido que o início do ano seria
transferido para o dia 1 de Janeiro (até então o ano começava a 25 de Março).
Deste modo, em Inglaterra haviam-se suprimido quase três meses no início do ano
e em Setembro, com a adopção do calendário gregoriano, eram suprimidos mais 11
dias Era demais para um povo fiel às tradições.
Os
russos, gregos, turcos e, duma maneira geral, os povos de religião ortodoxa,
conservaram o calendário juliano até ao princípio deste século. Como tinham
considerado bissextos os anos de 1700, 1800 e 1900, a diferença era já de 13
dias. A URSS adoptou o calendário gregoriano em 1918, a Grécia em 1923 e a
Turquia em 1926.
Em
conclusão, vemos que atualmente o calendário gregoriano pode ser considerado de
uso universal. Mesmo aqueles povos que, por motivos religiosos, culturais ou
outros, continuam agarrados aos seus calendários tradicionais, utilizam o
calendário gregoriano nas suas relações internacionais.
A
seguir à implantação da reforma gregoriana, os cristãos suprimiram o descanso
ao sábado, transferindo-o para o domingo em comemoração perpétua da
Ressurreição de Cristo. Assim se quebrou a unidade de descanso no sétimo dia,
estabelecido por Moisés há mais de 5700 anos. Seguindo o exemplo dos cristãos,
também os muçulmanos renunciaram ao preceito mosaico de descanso ao sábado, e
transferiram- no para sexta-feira, dia da semana, em que dez séculos antes, o
Alcorão foi revelado a Maomé e se deu a fuga deste de Meca para Medina (15 de
Julho do ano 622 da era cristã).
Mas existem outros calendários.
O Calendário chinês
Segundo
os registros históricos, o mais antigo calendário existente, é o calendário
chinês, criado pelo imperador Huang Di. Seu início é datado entre 2697 a.C. e
2597 a.C.
Trata-se
de um calendário lunissolar, orientado pelos movimentos da Lua e do Sol. O ano
no calendário chinês possui 354 dias, mas para permanecer em acordo com o ciclo
lunar, a cada três anos o calendário recebe um mês a mais.
O
ano-novo chinês não ocorre em uma data fixa, podendo ocorrer entre 21 de
janeiro e 20 de fevereiro, no calendário gregoriano, ao surgimento da primeira
lua nova.
Atualmente,
o calendário oficialmente adotado pelos chineses é o calendário gregoriano,
enquanto que o calendário chinês é utilizado para marcar as comemorações de sua
cultura.
O Calendário judaico
O
calendário judaico é utilizado há mais de 3 mil anos pelo povo judeu. A
contagem do tempo é baseada nas suas crenças, seguindo a Torá. Por isso, os
judeus têm como base a criação do universo e surgimento de Adão para descrever
a passagem dos anos.
Trata-se
de um calendário lunissolar, cujos meses são dados pelo intervalo entre duas
lunações e a contagem dos anos é feita de acordo com os ciclos solares. Para
manter a passagem dos anos de acordo com o movimento da Terra ao redor do Sol,
os anos podem ter 12 ou 13 meses, divididos entre 29 e 30 dias.
Os
meses do calendário judaico são: Nissan, Lyar, Sivan, Tamuz, Av, Elul, Tishrei,
Chesvan, Kislev, Tevet, Shevat e Adar. O primeiro mês, Nissan, marca a saída do
povo hebreu do Egito, quando comemora-se a Páscoa Judaica, conforme ordenança
do seu Deus, após 2448 anos da criação de Adão.
Nos
anos bissextos são adicionados ao calendário o mês Adar 2, que é incluído no
calendário sete vezes, que correspondem ao 3º, 6º, 8º, 11º, 14º, 17º e 19º anos
em um período de 19 anos.
O
calendário judaico é utilizado para fins religiosos. O shabat, sábado para o
povo judeu, é o dia da semana reservado ao descanso, cujo início ocorre na
noite de sexta-feira e termina no fim da tarde de sábado.
Provavelmente
o calendário lunissolar foi adotado pelos judeus a partir do calendário grego,
antes dos judeus serem dominados pelos gregos. Neste calendário lunissolar,
torna-se necessário o uso do mês intercalar, adicionado durante a estação da
primavera.
O Calendário islâmico
O
calendário islâmico, ou calendário muçulmano, tem sua criação atribuída a
Hazrat Umar bin Al Khattab, segundo califa do Islã, em 638 d.C. Trata-se de um
calendário lunar, cuja ordem está de acordo com as passagens do Alcorão.
O
início da contagem do tempo se dá pela saída do profeta Maomé da cidade de Meca
em direção à Medina, evento chamado de Hégira, ocorrido em 16 de julho de 622
d.C. Por isso, o calendário também é chamado de hegírico. Esse acontecimento
também é utilizado para marcar o ano novo islâmico, em uma festividade chamada
de Al-Hijra, que ocorre no primeiro dia do primeiro mês.
Um
ano no calendário islâmico dura entre 354 e 355 dias. Os meses são divididos
entre 29 e 30 dias, de acordo com as fases da Lua. O surgimento da primeira lua
nova determina o início de um mês. A ordem dos meses no calendário segue:
Muharram, Safar, Rabi al-Awwal, Rabi al-Thani, Jumada al-Awwal, Jumada
al-Thani, Rajab, Sha'aban, Ramadan, Shawwal, Dhu al-Qidah, Dhu al-Hija.
São
adicionados ao calendário, no último mês, um dia a mais onze vezes, que
correspondem ao 1º, 5º, 7º, 10º, 13º, 16º, 18º, 21º, 24º, 26º e 29º anos em um
período de 30 anos.
O
sexto dia da semana, sexta-feira no calendário gregoriano, é considerado
sagrado, reservado à oração para os muçulmanos. Sendo assim, os dias úteis vão
de domingo à quinta-feira.
Por
ser um calendário lunar, há uma diferença de aproximadamente 11 dias em relação
ao calendário gregoriano. Por isso, muitos países utilizam o calendário gregoriano
para as atividades civis e o calendário islâmico para comemorações ligadas à
religião.
Calendário etíope
O
calendário etíope ou calendário eritreu é o principal calendário utilizado na
Etiópia, cuja organização é próxima do calendário juliano devido à semelhança
entre os cálculos astronômicos utilizados.
Por
ser um calendário solar, sua contagem do tempo leva em consideração a duração
do movimento da Terra do Sol, que simboliza um ano solar.
Ao
todo, o ano tem 13 meses, sendo 12 meses com 30 dias e o último mês com apenas
5 dias. A cada quatro anos ocorre um ano bissexto e o 13º mês recebe um dia a
mais.
Uma
curiosidade sobre esse calendário é que a data do nascimento de Jesus difere da
qual conhecemos. Para os etíopes, Jesus nasceu 7 anos antes do que o calculado
no calendário gregoriano.
Os
cálculos alternativos do calendário etíope também são aplicados no início de um
ano. Para eles, o ano inicia quando no calendário gregoriano estamos em 11 de
setembro, ou 12 de setembro nos anos bissextos.
Essas
diferenças de cálculo fazem com que o calendário esteja entre 7 e 8 anos
atrasado em relação ao gregoriano
.
Calendário juche
O
calendário juche é utilizado na Coreia do Norte. Esse nome provém da ideologia
política juche, que significa autossuficiência em coreano, utilizada no país.
Trata-se
de um calendário solar, cuja divisão segue a mesma cronologia do calendário
gregoriano. Entretanto, ao invés de utilizar o nascimento de Jesus para marcar
a contagem dos anos, como faz o calendário gregoriano, o ano 1 do calendário é
iniciado em 1912, ano do nascimento do líder Kim Il-sung, fundador da dinastia.
Embora
comemorações conhecidas, como ano-novo e dia do trabalho, sejam celebradas na
Coreia do Norte, as que recebem maior destaque são as que estão ligadas às suas
ideologias.
O
feriado mais importante do calendário é o aniversário do líder fundador Kim
II-Sung, em 15 de abril, chamado de “Dia do Sol”.
Outras
datas comemorativas importantes são: Dia de libertação da Coreia (15 de
agosto), Dia da Fundação da República (9 de setembro), Fundação do Partido dos
Trabalhadores da Coreia (10 de outubro) e Dia da Constituição (27 de dezembro).
Calendário maia
O
calendário maia é um sistema de contagem do tempo criado pela comunidade maia
pré-colombiana por volta do século VI a.C. utilizando conhecimentos
astronômicos e matemáticos.
Muito
utilizado na América Central, esse calendário combina dois calendários
cíclicos: o Tzolkin (calendário divino) e o Haab (calendário civil).
O
Haab é um calendário solar que conta com 365 dias distribuídos em 18 meses de
20 dias, o que totaliza 360 dias. Há 5 dias que são considerados maus, motivo
pelo qual os maias os excluíam do seu calendário, apesar de saberem que eles
completam a duração do ciclo solar.
O
Tzolkin conta 260 dias, em referência ao tempo da gestação humana. As suas
semanas duram 13 e 20 dias e são intercaladas. Ele é utilizado em datas dos
eventos religiosos, bem como na marcação de acontecimentos importantes, como um
casamento.
As
datas do calendário maia são formadas pela posição observada em duas rodas que
representam os calendários Tzolkin e Haab, girando em diferentes direções. Ao
todo, são possíveis 18 980 combinações de datas em um ciclo de 52 anos.
Além
desses dois calendários, havia também o "Calendário de Conta Longa",
utilizado apenas para determinar os ciclos universais, contabilizados em
2.880.000 dias.
Para
a civilização maia, ao final de um ciclo o universo seria destruído e um novo
criado. Por isso, em 2012, especulou-se que seria o fim do mundo, já que nesse
ano ocorreu o final de um grande ciclo.








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