Fatos Incomuns Sobre Portugal  3

 


Cavalo Lusitano, um dos mais belos do mundo

Cavalo Lusitano, raça de cavalos com origem em Portugal, é o cavalo de sela mais antigo do Mundo. Uma herança genética e um património que importa preservar

O Cavalo Lusitano ou Puro Sangue Lusitano, é uma raça que advém do cavalo ibérico e que mantém as suas características. Com origem em Portugal, é o cavalo de sela mais antigo do Mundo, sendo montado aproximadamente há mais de 5.000 anos. Um cavalo elegante, nobre, dócil e de grande beleza. Que mais dizer sobre este cavalo que encanta o Mundo; Um cavalo que desde a antiguidade clássica encanta, constituindo nos dias de hoje uma importante herança genética de Portugal e da Andaluzia. Nos últimos três séculos, houve uma diferença nos percursos dos cavalos da Andaluzia e de Portugal, ambos descendentes do cavalo ibérico. Os cavalos lusitanos mantiveram-se mais próximos do cavalo ibérico original.

Esta raça possui uma história fascinante iniciada na Península Ibérica. Foi um cavalo domesticado cedo, tendo a sua domesticação proporcionado imensos benefícios para os habitantes vizinhos. Trata-se de um cavalo que, não tendo a mesma grandeza e força que outras raças, possui outros atributos. Fique a conhecer mais sobre este maravilhoso animal, a sua história, à sua herança genética e mesmo os seus diversos benefícios. A lenda grega do Centauro advém do cavalo ibérico original, em que o homem e o cavalo se confundiam num só ser. Na Antiguidade Clássica, havia a crença de que as éguas prenhes traziam ao mundo os “Filhos do Vento”, os cavalos mais velozes da Antiguidade.

 O Cavalo Português

A s raças de cavalo portuguesas são consideradas como das mais belas e antigas do mundo. Nem todas porém têm o mesmo reconhecimento e algumas enfrentam graves problemas de extinção. O puro sangue lusitano é uma das mais conhecidas e é considerada uma raça de cavalos muito especial.

1. Puro Sangue Lusitano

     Puro Sangue Lusitano “Átila Interagro” (Créditos foto: TUPA)

O puro-sangue lusitano é uma raça de cavalos com origem em Portugal. É o cavalo de sela mais antigo do Mundo, sendo montado aproximadamente há mais de cinco mil anos. Os seus ancestrais são comuns aos da raça Sorraia e Árabe.

Essas duas raças formam os denominados cavalos ibéricos, que evoluíram a partir de cavalos primitivos existentes na Península Ibérica dos quais se supõe descenderem diretamente o pequeno grupo da raça Sorraia ainda existente. Pensa-se que essa raça primitiva foi cruzada com cavalos Barbes oriundos do Norte de África e mais tarde tiveram também influência do árabe.

A raça Puro Sangue Lusitano, mais conhecida como Cavalo Lusitano sofreu uma seleção ao longo dos séculos, sendo usada para caça, combate, toureio, arte equestre e tiro leve, dependendo da região onde foi criada e a utilização a que foi submetida.

Reconhecidos por Gregos e Romanos durante a antiguidade como os melhores cavalos de combate e sela do mundo, os cavalos Ibéricos figuraram também como os cavalos de lazer das Casas Reais europeias durante toda a Idade Média, exercendo enorme influência na formação do Puro sangue Inglês, através das Royal Mares, éguas da Casa Real inglesa, com as quais cruzaram os garanhões pilares do PSI. Pela mesma razão, durante essa época, o cavalo Ibérico também teve papel preponderante sobre o desenvolvimento da Equitação Académica. .

 2. Alter Real

 
O alter-real, inicialmente desenvolvido na coudelaria Alter-Real em Alter do Chão, no Alentejo, é uma estirpe do cavalo lusitano. É um cavalo muito dócil e inteligente, utilizado principalmente no adestramento. A sua pelagem padrão é geralmente castanho e a sua altura varia de 1,52 a 1,62 m.

O Alter-real teve sua origem em Portugal, no início do século XVIII, quando trezentas éguas andaluzas das mais finas linhagens foram trazidas de Jerez, na Espanha, para a corte portuguesa. Inicialmente chamado de Alter-do-chão mas seu nome mudado depois para Alter-Real, a raça foi ameaçada entre 1809 e 1810, durante as invasões napoleónicas, quando as tropas francesas roubaram os melhores exemplares existentes no país. Cruzamentos com Puro-Sangue Inglês e Árabe enfraqueceram a raça, havendo grande perda de seu carácter inicial, mas foram salvos da extinção através da raça Lusitano, sendo o atual, na verdade, uma  subespécie desta raça. No início do século XX, foram tomadas medidas para devolver ao Alter-Real as suas antigas características e o seu melhor uso no mundo atual, além da sua preservação.

Hoje a reprodução do Alter-Real é controlada pelo Ministério da Agricultura Português.

Quem gosta de cavalos certamente conhece  o Alter-real. Chegou no Brasil trazido por D. João VI na época do reinado, pois esse cavalo de raça Portuguesa era usado para servir a realeza.

 A História Do Altér Real

Os primeiros cavalos da raça Altér-real de que se tem conhecimento, surgiram em 1748 na Casa de Bragança, em Villa do Portel, em Portugal e até então, não eram chamados pelo nome como os conhecemos nos dias atuais. Eram usados para equitação clássica, bem como para as carruagens, para cujo fim foram levados diretamente para os estábulos da família real, na cidade de Lisboa..

8 anos mais tarde, os alazões reprodutores  deixaram Lisboa e foram levados para Alter do Chão, onde passaram a ser os cavalos Alter-real. A transferência deu-se pelo reconhecimento de que os pastos eram mais ricos em minerais e portanto, ofereciam maior quantidade de nutrientes.


 Daí o nome do Cavalo: Alter em referência à cidade e, real porque servia a realeza de Portugal. Hoje é apenas Cavalo de Alter.

 A Primeira Coudelaria Em Portugal

Coudelaria é o nome dado pelos Portugueses a um centro equestre completo. Neste lugar, os cavalos são criados e treinados. Coudelaria no Brasil se diz Haras, francesismo ligado aos Barões do Café, que tem exatamente a mesma função. Pois bem, a primeira coudelaria ou haras, se preferir, em Portugal, contava com 300 éguas andaluzas, provenientes de Jerez de La Frontera, uma região da Espanha conhecida pela presença de garanhões árabes e os cavalos que foram levados para a coudelaria de Portugal logo ficaram conhecidos, pois foram promovidas apresentações em Lisboa. No ínicio do século XIX, porém, alguns desses cavalos foram roubados ou ficaram perdidos, devido a um saque promovido pelas tropas napoleónicas, comandadas pelo general Junot.

 O Fechamento Dos Estábulos Da Família Real

Não foi só aquele ataque que causou dissabores para a coudelaria da família real. No ano de 1834, o local foi atacado mais uma vez e alguns experimentos tiveram resultados negativos que quase acabaram com a raça Altér, pelo que a realeza decidiu afastar-se dos estábulos reais apesar de ter recebido recentemente raças de outros países, como cavalos ingleses, normandos, árabes e hanoverianos, numa ideia de D. Maria Pia, que acabou sendo produtiva, pois conseguiu salvar a raça graças aos cavalos que foram importados.

 Destruição Dos Arquivos Dos Estábulos

No ano de 1910, Portugal tornou-se uma República e neste momento, todos os estábulos foram destruídos. A coudelaria em Portugal acompanhou a queda da monarquia e  imaginou-se que a raça Alter-real acabaria tendo o mesmo fim. No entanto, o Dr. Ruy d’Andrade, um importante entendedor de cavalos naquela época, imaginou que o fim das coudelarias significaria o fim dos animais que elas abrigavam, e para evitar que a raça Alter desaparecesse, ele iniciou uma pequena criação que deu certo, pois dos seus sucessores nasceram 2 garanhões.

Passados alguns anos, em 1932 o Ministério da Economia decidiu que a criação do Alter-real deveria ser retomada e, o animal não só ganhou grande importância em Portugal, como a raça foi sendo melhorada. O cavalo Alter cruzava com éguas selecionadas e adequadas, e embora essa raça hoje não exista em grande quantidade, a boa notícia é que não corre nenhum risco de desaparecer.

A raça de cavalos tornou-se uma referência na cultura e na história de Portugal.

 As Características Do Cavalo de Alter

Segundo entendedores de cavalos, os animais que podemos ver nos dias atuais sendo criados em Portugal, são bem semelhantes à raça original que começou em 1700.

Considerando toda a história e o que a raça passou ao longo dos anos, saber que hoje os cavalos são praticamente idênticos aos que existiram no seu surgimento parece impossível, mas é verdade. O cavalo de Alter é considerado vistoso, extravagante, um animal valente e portanto é um excelente animal para escolas de equitação. Se observamos bem a cabeça de um cavalo de Alter encontraremos uma grande semelhança com o Andaluz. Uma cabeça pequena com perfil levemente reto ou convexo, numa característica que pode variar .

Possui um cauda com crina em grande quantidade e vistosa, pois é bem volumosa e brilhosa. Tem o corpo curto onde se observa uma leve inclinação com rabo de baixo inserção da garupa. As características comportamentais do cavalo de Alter são sensíveis, corajosos, inteligentes e com um caráter tão forte que é impossível confundir.

 3. Sorraia

Sorraia é um tipo de cavalo de origem portuguesa, raça única no Mundo, redescoberta em 1920 por Ruy d’Andrade e cujos indícios remetem para a zona de confluência entre as ribeiras de Sor e da Raia (daí o seu nome), charneca de Coruche, onde haveria uma extensa população, popular entre criadores de gado para trabalhos do campo. Admite-se que estes cavalos no estado selvagem tenham sido conhecidos em Portugal por “zebro”. Assemelhando-se bastante ao puro-sangue lusitano, de corpo compacto e linhas pré-históricas, crê-se, no entanto, que o Sorraia pode originar-se numa linhagem independente (ou seja, uma raça pura, Equus caballos ssp. Sorraia), mesmo ainda não estando concluída a sua avaliação genealógica.

Embora seja extremamente forte, resistente e de temperamento calmo, a sua população está hoje muito reduzida – aproximadamente 180 indivíduos – existindo somente em locais para criação e manutenção da raça, principalmente em Portugal e na Alemanha. Assemelha-se ao tarpan, antigo cavalo selvagem europeu.

 4. Garrano


Garrano é uma raça de equídeo muito antiga, separada das restantes desde o período Quaternário, que seenquadra num grupo alargado conhecido por Cavalo Ibérico devido às características comuns e à sua origem.

O Garrano, propriamente dito, é o mais antigo entre os seus, e entre as restantes raças irmãs do Norte da Península Ibérica e Sudoeste da França, nomeadamente o Cavalo do Monte da Galiza, o Asturcón das Astúrias ou o Potok da Biscaia. Nativo do Minho e Trás-os-Montes, em Portugal, é utilizado desde há muitos séculos como animal de carga e trabalho. Devido ao seu tamanho, menor que um cavalo comum, é considerado um pónei. Habita atualmente em estado semi selvagem nas zonas da serra do Gerês, serra do Soajo, serra da Arga e serra da Cabreira, tendo em tempos habitado todo o Norte de Portugal de onde é oriundo.

É uma raça protegida devido ao risco de extinção a que esteve sujeito até há pouco tempo.

Curiosidades Sobre Cavalos

A “família” do cavalo está ativa há mais de sessenta milhões de anos, com a linha evolutiva desse animal. Segundo estudos, parece que o cavalo é descendente de um animal que media cerca de 40 centímetros de altura e sua origem seria o Norte da América. Porém, esses animais desapareceram há mais ou menos 128 mil anos. Existem várias raças de cavalos espalhadas pelo mundo. Mas na forma física, elas são bem parecidas. Uma característica comum é o pescoço longo e musculoso e as ancas. As orelhas costumam ser pontudas e o cavalo tem uma ótima audição.

Os cavalos que chamamos de selvagens apareceram na época da Pré-história, embora não em todo mundo. Eles estiveram presente na Europa e na Ásia durante essa época mas com o tempo e a domesticação dos animais, além da caça, os cavalos selvagens começaram a desaparecer.

No Brasil, os cavalos chegaram em três momentos diversos: a primeira vez foi em 1534, quando eles foram levados para a Vila de São Vicente; a segunda leva de cavalos que chegou no nosso país foi em Pernambuco, um ano depois, em 1535; a terceira leva foi trazida por Tomé de Sousa e os animais chegaram na Bahia.

A Lenda Negra do Aqueduto das Águas Livres.

 

O Aqueduto de Alcântara é o troço mais conhecido e mais visível do aqueduto das Águas Livres. Com os seus 941 metros de comprimento e mais de 65 metros de altura, foi o cenário de acontecimentos trágicos, nomeadamente por ter servido de palco a crimes de arrepiante crueldade perpetrados pelo bandido Diogo Alves, o "assassino do Aqueduto das Águas Livres", que atormentou Lisboa entre 1836 a 1839.

Construído durante o reinado de D. João V para fornecer água a Lisboa, o aqueduto viria a ser terminado em 1744, tendo resistido incólume ao Terramoto de 1755. O projetojeto do aqueduto incluía na sua estrutura uma passagem suficientemente larga para permitir que os habitantes da cidade pudessem atravessar o vale de Alcântara desde Lisboa até Monsanto. A passagem do aqueduto encurtava caminho à maioria dos transeuntes que, na sua maior parte, eram negociantes de hortaliças, chamados saloios, que se deslocavam a Lisboa para vender os seus produtos e regressavam a casa com o dinheiro das vendas. A galeria interior ficou por isso com dois corredores laterais de cerca de 60 cm de largura cada om, que têm o nome de Passeio dos Arcos, pelos quais se pode caminhar e disfrutar de uma vista panorâmica única. Porém, o elevado número de suicídios e de assassinatos, pelos quais se tornou tristemente célebre o bandido Diogo Alves, levou a que a partir de 1844 a passagem fechasse ao público. Na altura, chegou-se a pensar numa onda de suicídios inexplicáveis e foram precisas muitas mortes para que se descobrisse que era tudo obra de um criminoso. Diogo Alves lançava as suas vítimas do alto do aqueduto depois de as roubar. A violência dos crimes praticados e o estado de terror que estes atos impiedosos semearam na cidade, tornaram o bandido a Lenda Negra do Aqueduto das Águas Livres  Diogo Alves, era galego nascido em 1810, e conhecido pela alcunha de "O Pancada". Veio muito novo para Lisboa, onde serviu em algumas casas mais abastadas da época, e ficou para a história como o assassino do Aqueduto das Águas Livres, pois foi aí que, ao longo de três anos, perpetrou os crimes em série que o tornaram tão odioso como célebre.

Sabe-se que os assassinatos começaram em 1836, por volta da mesma altura em que Diogo Alves se envolveu amorosamente com a taberneira Gertrudes Maria (conhecida como a Parreirinha), cujo estabelecimento se situava na zona de Palhavã - perto de Sete Rios. No entanto, desconhece-se ao certo como terá o meliante arranjado as chaves falsas das «mães de água», por onde depois se introduzia nas galerias do aqueduto. O criminoso foi por fim apanhado pelas autoridades em 1840 e condenado, sendo executado na tarde de 19 de Fevereiro de 1841, no Cais do Tojo, o que lhe garantiu o privilégio de ser um dos últimos a quem foi aplicada a Pena de Morte em Portugal.

 


Zé do Telhado o Robin dos Bosques português

Zé do Telhado, alcunha de José Teixeira da Silva, nasceu a 22 de Junho 1818 e veio a falecer em Malanje ( Angola) no ano de 1875 foi um militar e famoso salteador português.

Chefe da quadrilha mais famosa do Marão, Zé do Telhado é conhecido por “roubar aos ricos para dar aos pobres” e, por isso, muitos o consideram o Robin dos Bosques português. De origens rurais humildes, aos 14 anos foi viver com um seu tio, para aprender com ele o ofício de castrador e tratador de animais. Vindo a Casar em Fevereiro de 1845  com a sua prima Ana Lentina de Campos, da qual teve cinco filhos.

Tinha vasta experiência militar começada no quartel de Cavalaria 2, os Lanceiros da Rainha, e toma parte contra o partido dos setembristas e pela restauração da Carta Constitucional, no mês de Julho de 1837. Derrotado, refugia-se em Espanha.

Ao regressar, grassava no país uma revolta larvar contra o governo anticlerical de Costa Cabral e quando estala a Revolução da Maria da Fonte, a 23 de Março de 1846, vê-se envolvido como um dos líder da insurreição. Coloca-se às ordens do General Sá da Bandeira, que também tinha aderido. Assume o posto de sargento e distingue-se de tal forma na bravura e qualidades militares que, na expedição a Valpaços, recebe o grau de Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a mais alta condecoração que ainda hoje vigora em Portugal. No entanto, o seu «partido» entra em desgraça, amontoa dívidas de impostos que não consegue pagar e é expulso das forças armadas. Já como “Zé do Telhado”, chefe bandoleiro, realiza um grande número de assaltos por todo o Norte de Portugal, durante um período muito conturbado que coincidiu com o pedido de maior resistência de D. Miguel, no exílio com seu governo, aos seus partidários miguelistas que tentaram formar grupos de guerrilha em todo o país.

O bandoleiro mais conhecido do país acaba por ser apanhado pelas autoridades em 31 de Março de 1859 quando tentava fugir para o Brasil. Esteve preso na Cadeia da Relação, onde conheceu Camilo Castelo Branco .Em 9 de Dezembro de 1859 foi julgado e condenado ao degredo perpétuo na África Ocidental Portuguesa. A sentença de Zé do Telhado foi clara: acusado de onze crimes (que muitos dizem ser uma ínfima parte dos que cometeu) livrou-se da forca, mas foi-lhe comutada a pena aplicada para 15 anos de degredo, em 28 de Setembro de 1863. Viveu em Malanje, negociando em borracha, cera e marfim. Casou-se com uma angolana, Conceição, de quem teve três filhos. Conhecido entre os locais como o kimuezo – homem de barbas grandes –, viveu desafogadamente. Faleceu aos 57 anos, vítima de varíola, sendo sepultado na aldeia de Xissa, município de Mucari, a meia centena de quilómetros de Malanje, sendo-lhe erguido um mausoléu, objeto de romagens.

Personagem vindo do povo, e com profundas ligações à terra, Zé do Telhado entrou para o imaginário popular e ainda hoje a sua história é reconhecida. A casa que habitou ainda está lá, na freguesia de Mouriz, concelho de Paredes. Já agora, consta que lhe chamavam Zé do Telhado porque a casa dos pais era a única na região com telhas. As restantes tinham cobertura de colmo.

 


Milagre do Sol em Fátima

 Nossa Senhora havia anunciado: "farei o milagre para que todos acreditem”

Milagre do Sol em Fátima: foi com esse fenômeno que o dia 13 de outubro de 1917 ficou marcado para sempre no coração dos devotos de Nossa Senhora.

Ela vinha aparecendo resplandecente aos três pastorinhos desde o dia 13 de maio daquele mesmo ano. E as aparições continuaram nos meses sucessivos, até outubro.

Os três pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta estavam na Cova da Iria, em Fátima, Portugal, quando observaram dois clarões como relâmpagos. Em seguida, sobre a copa de uma pequena árvore chamada azinheira, eles viram uma Senhora de beleza incomparável.

Ela era, de fato, uma “Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol, irradiando luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente.

Sua face, indescritivelmente bela, não era alegre nem triste, mas séria, com ar de suave alerta. Suas mãos estavam juntas, como rezando, apoiadas no peito, e voltadas para cima. Da sua mão direita pendia um rosário. As vestes pareciam feitas somente de luz. A túnica e o manto eram brancos e com bordas douradas, cobrindo a sua cabeça e descendo até os pés. Ela própria, no momento oportuno, se apresentou: era Nossa Senhora, Maria, Mãe de Deus! “Não tenhais medo”

Lúcia jamais conseguiu descrever perfeitamente os traços dessa fisionomia tão brilhante. Com voz maternal e suave, Nossa Senhora tranquilizou as três crianças e lhes disse:

“Não tenhais medo! Eu não vos farei mal. Vim para pedir que venhais aqui seis meses seguidos, sempre no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Em seguida, voltarei aqui ainda uma sétima vez”.

Ao pronunciar estas palavras, Nossa Senhora abriu as mãos, e delas saía uma intensa luz. Os pastorinhos, então, sentiram o impulso de cair de joelhos e rezaram em silêncio a oração que o Anjo lhes ensinara:

“Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo! Adoro-vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.

Passados alguns momentos, Nossa Senhora acrescentou:

“Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra”.

De fato, a humanidade vivia então os dramas horrendos da Primeira Guerra Mundial, enquanto, na Rússia, estendia-se com sangue e pavor a Revolução Soviética.

Na aparição do dia 13 de setembro, Nossa Senhora anunciou aos três pastorinhos de Fátima: “Em outubro farei o milagre, para que todos acreditem”.

E, realmente, em 13 de outubro de 1917, nada menos que 70 mil pessoas, incluindo jornalistas, testemunharam o milagre anunciado pelas três crianças a quem Nossa Senhora tinha aparecido. Ao meio-dia, depois de uma forte chuva que parou de repente, as nuvens se abriram diante dos olhos de todos e o sol surgiu no céu como um disco luminoso opaco, girando em espiral e emitindo luzes coloridas. O fenômeno durou cerca de 10 minutos e está na lista oficial de milagres reconhecidos pelo Vaticano. Os céticos tentam atribuir o evento ao fenômeno atmosférico do parélio, mas sem apresentar provas nem explicar como foi que as crianças o “previram.

 


(O Segredo de Fátima

Segredo de Fátima é a expressão atribuída a um conjunto de revelações alegadamente apresentadas por Nossa Senhora a três crianças portuguesas, Lúcia dos Santos (de 10 anos), Francisco Marto (de 9 anos) e Jacinta Marto  de 7 anos), mais conhecidos como "os três pastorinhos de Fátima", no dia 13 de julho de 1917 no lugar da Cova da Iria (onde atualmente se situa a Capelinha das Aparições do Santuário de Fátima). De maio a outubro de 1917, as três crianças afirmaram ter testemunhado aparições de "uma Senhora mais brilhante do que o Sol", a qual se terá apresentado a 13 de outubro como sendo Nossa Senhora do Rosário, e que é hoje devotada nacional e internacionalmente sob o título mariano de Nossa Senhora de Fátima.

Segundo a Irmã Lúcia, que mais tarde se fizera freira da Ordem das Carmelitas Descalças, Nossa Senhora, a 13 de julho de 1917, terá revelado um segredo, constituído por três partes, de caráter profético. As duas primeiras partes foram reveladas em 1941 num documento escrito por Lúcia. A terceira parte foi escrita por Lúcia em 3 de janeiro de 1944, por ordem do bispo de Leiria, e revelada em 2000.

 Primeira parte: A primeira parte é a visão do Inferno:

 Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados neste fogo os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas em os grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor.

Segunda parte: A segunda parte é devoção ao Imaculado Coração de Maria e conversão da Rússia:

 Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza:

Vistes o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida,[3] sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo pelos seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

 Terceira parte

O conteúdo da terceira parte do Segredo de Fátima, revelado em 13 de Julho de 1917 em Fátima, e que a Ir. Lúcia dos Santos redigiu em 3 de Janeiro de 1944, é o seguinte:

 "Escrevo, em ato de obediência a Vós meu Deus, que me mandais por meio de Sua Excelência Reverendíssima o Sr. Bispo de Leiria, e da Vossa e minha Santíssima Mãe. Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda. Ao cintilar despedia chamas que pareciam incendiar o mundo. Mas, apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte dizia: - Penitência, penitência, penitência.

E vimos numa luz imensa, que é Deus, algo semelhante a como se vêm as pessoas no espelho, quando lhe diante passa um bispo vestido de branco. Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Vimos vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande cruz, de tronco tosco, como se fora de sobreiro como a casca. O Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade, meio em ruínas e meio trémulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena. Ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho.

Chegando ao cimo do monte, prostrado, de joelhos, aos pés da cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe disparavam vários tiros e setas e assim mesmo foram morrendo uns após os outros, os bispos, os sacerdotes, religiosos, religiosas e várias pessoas seculares. Cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da cruz, estavam dois anjos. Cada um com um regador de cristal nas mãos recolhendo neles o sangue dos mártires e com eles irrigando as almas que se aproximavam de Deus."

 Uma visão do inferno, a devoção a Maria e a previsão de um atentado contra o Papa. É assim que a Igreja interpreta os relatos dos pastorinhos sobre as aparições de Fátima.

Na sua interpretação ao terceiro segredo, o cardeal Joseph Ratzinger, mais tarde papa Bento XVI, mais do que valorizar a parte da “previsão” do atentado ao papa João Paulo II, nunca se referiu ao fenómeno como “aparições” de Nossa Senhora, encarando-as antes como “visões”. E destacou que a mensagem fundamental de Fátima é o apelo à fé e à conversão, mais do que a referência ao papa vestido de branco (João Paulo II), na leitura feita por António Marujo, no livro “A Senhora de Maio” (Temas e Debates/Círculo de Leitores).

As três crianças tiveram, segundo a história oficial, um envolvimento diferente nas “aparições”, que se prolongaram de maio a outubro de 1917. Lúcia terá visto, ouvido e falado com a imagem, Jacinta terá visto e ouvido e Francisco apenas teria visto a Nossa Senhora. Lúcia, que viveu até 2005, foi fazendo sucessivos textos sobre os segredos, remetendo as interpretações para a Igreja e a sua hierarquia.

 Primeiro segredo:   Uma visão do inferno “num instante terrível”

 Segundo segredo: A devoção do mundo ao Imaculado Coração de Maria

 É no segundo segredo que surgem as referências à Rússia e à sua conversão, apesar de só ser feita claramente essa indicação por Lúcia em 1929. Por outras palavras, Lúcia ligava “os erros” que a Rússia poderia espalhar pelo Mundo. E só se o papa convertesse o mundo ao “Imaculado Coração de Maria”, que o mesmo é dizer se se tornassem crentes em Deus, se evitariam novas guerras e a Rússia (ou a União Soviética, comunista), se converteria.

 O padre Manuel Formigão, que fez os primeiros interrogatórios às três crianças “rudes e ignorantes”, comentou: “Nossa Senhora não pode, evidentemente, aparecer senão o mais decente e modestamente vestida. O vestido deveria descer até perto dos pés.” É após a revelação do segundo segredo que terá sido feito o pedido aos pastorinhos para “rezarem muito e oferecerem os seus sacrifícios pela paz, pelo Santo Padre e pela conversão dos pecadores”, segundo a “Enciclopédia de Fátima” (Principa).

 O excerto onde o segredo é revelado diz:

 “(…) Levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza:

 Vistes o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo pelos seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

 

Terceiro segredo: Previsão do atentado contra João Paulo II

Durante anos, alimentou-se a especulação sobre este segredo que foi revelado pelo cardeal Angelo Sodano, a 13 de maio de 2000, durante a última visita de João Paulo II ao santuário da Cova da Iria. O terceiro segredo de Fátima inclui uma “previsão” do atentado contra João Paulo II, a 13 de Maio de 1981, de acordo com uma das interpretações possíveis do Vaticano anunciada na Cova da Iria pelo cardeal Sodano, em 2000.

Esta conclusão é retirada da própria interpretação dada pelos pastorinhos sobre a mensagem que lhes foi revelada em 1917, segundo a qual o papa – “Bispo vestido de branco”, como o referenciavam – “caminhando penosamente para a Cruz por entre os cadáveres dos martirizados (bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e várias pessoas seculares), cai por terra como morto sob os tiros de uma arma de fogo”. Angelo Sodano aludiu ao atentado de 1981 e “à mão materna que permitiu que o papa agonizante se detivesse no limiar da morte”, mas acrescentou que o terceiro segredo está também relacionado com a luta contra o ateísmo.

Antes de ser papa, Ratzinger foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e nessa qualidade fez uma interpretação ao chamado terceiro segredo de Fátima. O “facto de ter havido lá uma ‘mão materna’ que desviou a bala mortífera demonstra uma vez mais que não existe um destino imutável, que a fé e a oração são forças que podem influir na história e que, em última análise, a oração é mais forte que as balas, a fé mais poderosa que os exércitos”, escreveu Ratzinger, numa mensagem de esperança. Os três segredos de Fátima, concluiu, significam, no seu conjunto, uma “exortação à oração como caminho para a salvação” e “o apelo à penitência e à conversão”. E na interpretação, o cardeal alemão nunca se refere ao fenómeno como “aparições”, mas sim “visões”.

 O segredo foi descrito por Lúcia na  “Quarta Memória”, em 1944, do seguinte modo:

“E vimos n’uma luz imensa que é Deus: ‘algo semelhante a como se veem as pessoas n’um espelho quando lhe passam por diante’ um Bispo vestido de Branco ‘tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre’. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns atrás outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições(…)”.

 A tentativa de assassinato do Papa João Paulo II ocorreu em 13 de maio de 1981, uma quarta-feira, na Praça de São Pedro, no Vaticano. O papa foi baleado e gravemente ferido por Mehmet Ali Ağca, um terrorista turco, enquanto estava a entrar na praça. João Paulo II foi atingido duas vezes e sofreu perda de grande quantidade de sangue.

Quando ele ganhou rapidamente a consciência antes de ser operado, ele instruiu os médicos para não remover o seu Escapulário de Nossa Senhora do Carmo durante a operação. O Papa afirmou que Nossa Senhora de Fátima ajudou a mantê-lo vivo durante todo o seu calvário.

“ Eu poderia esquecer que o evento (Tentativa de assassinato de Ali Agca) na Praça de São Pedro teve lugar no dia e na hora em que a primeira aparição da Mãe de Cristo aos pastorinhos estava sendo lembrada por 60 anos em Fátima, Portugal?  Mas em tudo o que aconteceu comigo naquele mesmo dia, senti que a proteção extraordinária maternal e cuidadosa, acabou por ser mais forte do que a bala mortal.”

—Papa João Paulo II -Memória e Identidade, Weidenfeld & Nicolson, 2005, p.184

 Ağca foi detido imediatamente e posteriormente condenado à prisão perpétua por um tribunal italiano. Mais tarde, o Papa perdoou o terrorista pela tentativa de homicídio. Ele também recebeu o perdão do então presidente da Itália, Carlo Azeglio Ciampi, a pedido do religioso e foi deportado para a Turquia em junho de 2000.

 


 A azinheira da Cova da Iria, no Santuário de Fátima

A azinheira da Cova da Iria, no Santuário de Fátima, junto à capela dos Três Pastorinhos, é considerada um ícone sagrado e uma árvore monumental.

Na freguesia de Nossa Senhora da Piedade, o ICNF lista ainda a existência de um plátano-vulgar com 100 anos, ao passo que, na Cova da Iria, Fátima, reconhece-se a mesma idade à azinheira que é um símbolo sagrado, pelo facto de os Três Pastorinhos terem rezado o rosário à sua sombra, antes das Aparições de Nossa Senhora, em 1917. A árvore está situada junto à Capela dos Três Pastorinhos, no Santuário de Fátima, e tem cerca de 14 metros de altura.

 


 O Operário Português que escreveu três Romances

José Francisco Marques (RIP), foi um operário com pouca bagagem literária, mas com uma enorme imaginação e um grande amor à arte da escrita. Dedicou os últimos anos da sua vida a escrever romances, que de antemão sabia nunca seriam publicados, com o pseudônimo de Jardim de Fontes Mil. Mas, continuou escrevendo para sua satisfação pessoal, e pela grande necessidade que tinha de voar para fora de si próprio, de dar asas a essa imaginação através da qual viajava, a mundos por ele criados, convivendo com os seus personagens, vivenciando as situações e participando dos acontecimentos que gerava. Se a construção gramatical e a ortografia por vezes lhe traziam transtornos, os temas e o seu desenvolvimento eram interessantes e, em alguns casos até, agradáveis e envolventes.

Num país onde a obra operária é tão escassa, apesar dos grandes valores que proporcionou e de um José Saramago que muito nos orgulha, tudo o que se possa fazer para demonstrar que essa classe é algo mais do que simples mão-de-obra, parece-nos válido e digno de apoio.

Resolvi por isso dar andamento a esta menção para mostrar que os livros, apesar do seu enredo simples e despretensioso, conseguem prender a atenção, e para que o seu esforço não seja totalmente perdido e no futuro, outros como ele possam, também, sentir-se tentados a dar encaminhamento à sua capacidade de sonhar. Os seus livros estão hoje sendo editados pela Amazon Kindle Books.

José Francisco Marques nasceu em Lisboa, no 1º de Janeiro de 1897 e faleceu, em Lisboa, em Março de 1983.Como ficou sem mãe ao nascer, foi criado pela família em Cerdeira de Coja, concelho de Arganil, onde ficou até voltar a Lisboa para cumprir o Serviço Militar, onde se fixou e seguiu o Ofício de estofador e trabalhou em vários locais até chegar a contramestre nos Estaleiros Navais de Lisboa.

Viveu à sua maneira e, à sua maneira foi feliz. Como todos os operários da sua geração, não pôde alhear-se dos movimentos que tiveram lugar no seu século, nem deixar de ter, como tantos outros, simpatia pelo conteúdo das teorias Marxistas, e esperança nos resultados da Revolução Russa.

Estas foram, talvez, as suas maiores decepções.



 Extrato do livro de José Francisco Marques

“Cerdeira Terra de Azeite e Pão”

“Era um pequeno povoado encravado nas vertentes da serra da Maria Negra, uma das muitas em que se desdobra a cordilheira que desce a Estrela e vem terminar na Lousã.

Alguma coisa deve ter mudado, mas não cresceu muito como burgo.

Situa-se na encosta norte de um pequeno monte que os habitantes das circunvizinhanças denominaram Lombas das Corgas, nome que era também usado pelos moradores da Cerdeira de Coja, para pontar a
sua posição nas soalheiras quebradas dos Casais.

As manhãs de sol brilhante traziam consigo algum alento aos camponeses, pois ajudavam a derreter a grande camada de geada que se formava durante a noite e dificultava os trabalhos no campo.

Na única rua da aldeia, os passos rangiam sobre a estrumada de mato e canoilos de milho que cobria o empedrado original. Os telhados de pesadas lages mal unidas, brilhavam com a fina camada branca que pouco a pouco se derretia, originando uma leve fumaça que logo se dissipava sob os raios do astro--rei. O latir dos cães, o cacarejar das aves e o chilrear alegre dos pàssaros, traziam ao bucólico ambiente um ar festivo, característico dos rústicos povoados do interior, virtude em que todos se assemelham.”

 


 


3 árvores portuguesas que são das mais antigas do mundo

Contemporâneas de Jesus Cristo,  destacam-se pela sua idade. e são das mais antigas do mundo.

 É nas Montanhas Brancas, na Califórnia, Estados Unidos da América, que se encontra a árvore mais antiga do mundo, um pinheiro da espécie “pinus”, com atualmente 5067 anos de idade. A localização exata do pinheiro é mantida em segredo pelo Serviço Florestal dos EUA, para evitar atos de vandalismo.

Além da “pinus longaeva”, a lista das árvores mais antigas do planeta conta também com um cipreste-da-patagónia encontrado no Chile, com 3627 anos, e uma figueira-dos-pagodes de 2222 anos, descoberta no Sri Lanka.

Em Portugal, de acordo com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, existem exemplares das mais diversas espécies, destacando-se três oliveiras com idades compreendidas entre os 2000 e os 3500 anos. A árvore portuguesa mais antiga está situada em Cascalhos e tem 3350 anos. Na imagem acima.

 


D. Fuas Roupinho e O Milagre da Nazaré

Conta a Lenda da Nazaré que ao nascer do dia 14 de setembro de 1182, D. Fuas Roupinho, alcaide do castelo de Porto de Mós, caçava junto ao litoral, envolto por um denso nevoeiro, perto das suas terras, quando avistou um veado que de imediato começou a perseguir. O veado dirigiu-se para o cimo de uma falésia. D. Fuas, no meio do nevoeiro, isolou-se dos seus companheiros. Quando se deu conta de estar no topo da falésia, à beira do precipício, em perigo de morte, reconheceu o local. Estava mesmo ao lado de uma gruta onde se venerava uma imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus. Rogou então, em voz alta: Senhora, Valei-me!. De imediato, miraculosamente o cavalo estacou, fincando as patas no penedo rochoso suspenso sobre o vazio, o Bico do Milagre, salvando-se assim o cavaleiro e a sua montada da morte certa que adviria de uma queda de mais de cem metros.

D. Fuas desmontou e desceu à gruta para rezar e agradecer o milagre. De seguida mandou os seus companheiros chamar pedreiros para construírem uma capela sobre a gruta, em memória do milagre, a Ermida da Memória, para aí ser exposta à veneração dos fiéis a milagrosa imagem. Antes de entaipar a gruta os pedreiros desfizeram o altar ali existente e entre as pedras, inesperadamente, encontraram um cofre em marfim contendo algumas relíquias e um pergaminho, no qual se identificavam as relíquias como sendo de São Brás e São Bartolomeu e se relatava a história da pequena imagem esculpida em madeira, policromada, representando a Santíssima Virgem Maria sentada num banco baixo a amamentar o Menino Jesus.

 

 

 


D. Pedro I, o Rei Salomão português!

 D. Pedro I nasceu no dia 08 de abril de 1320, em Coimbra. Ele uniu-se primeiro a D. Branca, depois a D. Constança Manuel, mas foi com D. Inês de Castro que viveu um amor trágico que ficou para a história. Ele reinou sem a mulher que tanto amou, entre 1357 e 1367, tendo falecido no dia 18 de janeiro, em Alcobaça. D. Pedro I, que ficou marcado para a história pela polémica e trágica relação com Inês de Castro, percorreu o País, realizando justiça pelas suas próprias mãos.

E ficou conhecido como “O Justiceiro”.

Um episódio em Santarém

O Rei D. Pedro tinha em Santarém, um lavrador rico com quem se relacionara que foi protagonista de um episódio insólito. Estando na cidade, o rei perguntou por ele, pois ainda não o tinha visto. Ao que apurou, fora o filho que o tinha atacado à facada, deixando-lhe uma feia cicatriz na cara. O rei deu então ordem que o chamassem e pediu-lhe que contasse como se tinham passado as coisas. O lavrador narrou a discussão que tivera com o filho e deu detalhes sobre a agressão de que fora vítima, afirmando que tal ocorreu na presença da mulher. O rei, ao ouvir essa preciosa informação, ordenou: “Ora, manda-me cá a tua mulher e o teu filho.” Depois da mulher chegar, o Rei perguntou: “Ouve lá, de quem é o filho?” A mulher primeiro gaguejou. Depois, lá afirmou: “Meu e do meu marido, senhor.” O rei, depois de afagar a barba, afirmou: “Hum… Não acredito! Se o teu marido fosse o verdadeiro pai, ele não o teria acutilado daquele modo.”

A lavradora acabou por relatar uma história trágica, admitindo que o rapaz, na verdade, era filho de um padre confessor. D. Pedro escutou atentamente a mulher e, no dia seguinte, foi ouvir missa na igreja onde a violação ocorrera. Depois da cerimónia estar concluída, o Rei mandou chamar o religioso. Houve uma breve troca de palavras em seguida às quais D. Pedro mandou colocar o violador num caixote e serrá-lo ao meio. Este momento pode ser comparado com alguns números de magia, mas não foi nenhum momento mágico, mas sim uma morte horrorosa e, muito provavelmente, dolorosa…

Um episódio no Porto

Outro episódio que ficou famoso e que retrata D. Pedro I na perfeição enquanto juiz executante, tem como protagonista um bispo do Porto.

Mesmo sem ter provas, que é algo essencial no conceito de justiça que temos atualmente, constou ao Rei D. Pedro, que o prelado mantinha relações íntimas com uma mulher casada. Essa informação foi mais que suficiente para que ele entrasse pelo paço episcopal com um chicote, indo direto ao homem para o punir pessoalmente.

Houve ainda outros episódios, nomeadamente aquele em que soube que uma mulher enganava o marido. Apesar de o marido enganado implorar ao rei de joelhos o perdão pelo ato da esposa, pois ele a amava tanto que perdoava a traição; o rei mesmo assim a condenou à morte. Este foi o rei que ficou conhecido com o “O Justiceiro”, embora em alguns episódios possa ter parecido mais injusto que justo. Apenas fez justiça!

 


 
“O Formoso”, do incesto à chacota!

D. Fernando I foi filho de D. Pedro I, sendo fruto do casamento deste com D. Constança de Castela. D. Fernando nasceu no dia 31 de outubro de 1345 (em Lisboa). Ficou conhecido pelo cognome “O Formoso”, tendo reinado entre 1367 e 1383.

Da sua relação com D. Leonor Teles não houve filhos que liderassem o reino. Aliás, D. Fernando foi mesmo o último representante da Dinastia Afonsina. Após a sua morte, que ocorreu no dia 22 de outubro de 1383 (em Lisboa), houve um interregno que durou 2 anos de 1383 a 1385, surgindo depois a segunda dinastia, a Dinastia de Avia (ou Joanina, como também é conhecida). Esse período começou com D. João I, “O de Boa Memória”, que reinou entre 1385 e 1433

Os amores do rei Formoso deram que falar. O filho legítimo de D. Pedro I e de D. Constança Manuel deixou-se levar pelos seus desejos, mesmo quando estes eram sentidos por uma filha do seu pai, .e manteve relações íntimas com a filha de D. Pedro I e de D. Inês de Castro Beatriz, sua meia-irmã. A Infanta D. Beatriz nasceu em 1347, sendo fruto da relação do Rei D. Pedro com D. Inês de Castro.

D. Fernando teve uma relação peculiar com a sua meia-irmã, de curta duração, pois D. Fernando tinha destinado outro nome para partilhar consigo o trono.

Mais tarde ele viria a enfrentar a chacota popular, quando se apaixonou por Leonor Teles, uma mulher casada e com um filho. A beleza de Leonor Teles conquistou D. Fernando. e o relacionamento com D. Beatriz foi esquecido.

D. Fernando tinha casamento marcado com a princesa castelhana Isabel, mas a sua ligação com Leonor Teles foi bem mais forte. Apesar de Leonor não ser de estirpe real, D. Fernando casou-se com ela em segredo. Meses mais tarde nasceu a filha de ambos à qual foi dado o nome de Beatriz… nome da sua meia-irmã!

Digamos que não foi fácil o percurso de D. Fernando pois, além de ter sofrido uma tentativa de envenenamento, ainda teve de lidar com as infidelidades da mulher, as quais se tornaram públicas. “O Formoso” foi assim alvo de chacota por se ter deixado humilhar pela mulher por quem arriscou muito.

D. Fernando ainda se casou com a única filha de Juan I de Castela, levando este rei estrangeiro a tornar-se num potencial herdeiro do trono português. Contudo, já depois da morte de D. Fernando, a vitória de Aljubarrota salvaria a situação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                      

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