Fatos Incomuns Sobre Portugal 3
Cavalo
Lusitano, raça de cavalos com origem em Portugal, é o cavalo de sela mais
antigo do Mundo. Uma herança genética e um património que importa preservar
O
Cavalo Lusitano ou Puro Sangue Lusitano, é uma raça que advém do cavalo ibérico
e que mantém as suas características. Com origem em Portugal, é o cavalo de
sela mais antigo do Mundo, sendo montado aproximadamente há mais de 5.000 anos.
Um cavalo elegante, nobre, dócil e de grande beleza. Que mais dizer sobre este
cavalo que encanta o Mundo; Um cavalo que desde a antiguidade clássica encanta,
constituindo nos dias de hoje uma importante herança genética de Portugal e da
Andaluzia. Nos últimos três séculos, houve uma diferença nos percursos dos
cavalos da Andaluzia e de Portugal, ambos descendentes do cavalo ibérico. Os
cavalos lusitanos mantiveram-se mais próximos do cavalo ibérico original.
Esta
raça possui uma história fascinante iniciada na Península Ibérica. Foi um
cavalo domesticado cedo, tendo a sua domesticação proporcionado imensos
benefícios para os habitantes vizinhos. Trata-se de um cavalo que, não tendo a
mesma grandeza e força que outras raças, possui outros atributos. Fique a
conhecer mais sobre este maravilhoso animal, a sua história, à sua herança
genética e mesmo os seus diversos benefícios. A lenda grega do Centauro advém
do cavalo ibérico original, em que o homem e o cavalo se confundiam num só ser.
Na Antiguidade Clássica, havia a crença de que as éguas prenhes traziam ao
mundo os “Filhos do Vento”, os cavalos mais velozes da Antiguidade.
A s raças de cavalo portuguesas são
consideradas como das mais belas e antigas do mundo. Nem todas porém têm o
mesmo reconhecimento e algumas enfrentam graves problemas de extinção. O puro
sangue lusitano é uma das mais conhecidas e é considerada uma raça de cavalos muito
especial.
1.
Puro Sangue Lusitano
O puro-sangue lusitano é uma raça de
cavalos com origem em Portugal. É o cavalo de sela mais antigo do Mundo, sendo
montado aproximadamente há mais de cinco mil anos. Os seus ancestrais são
comuns aos da raça Sorraia e Árabe.
Essas duas raças formam os
denominados cavalos ibéricos, que evoluíram a partir de cavalos primitivos
existentes na Península Ibérica dos quais se supõe descenderem diretamente o
pequeno grupo da raça Sorraia ainda existente. Pensa-se que essa raça primitiva
foi cruzada com cavalos Barbes oriundos do Norte de África e mais tarde tiveram
também influência do árabe.
A raça Puro Sangue Lusitano, mais
conhecida como Cavalo Lusitano sofreu uma seleção ao longo dos séculos, sendo
usada para caça, combate, toureio, arte equestre e tiro leve, dependendo da
região onde foi criada e a utilização a que foi submetida.
Reconhecidos por Gregos e Romanos
durante a antiguidade como os melhores cavalos de combate e sela do mundo, os
cavalos Ibéricos figuraram também como os cavalos de lazer das Casas Reais
europeias durante toda a Idade Média, exercendo enorme influência na formação
do Puro sangue Inglês, através das Royal Mares, éguas da Casa Real inglesa, com
as quais cruzaram os garanhões pilares do PSI. Pela mesma razão, durante essa
época, o cavalo Ibérico também teve papel preponderante sobre o desenvolvimento
da Equitação Académica. .
2. Alter Real

O Alter-real teve sua origem em Portugal, no início do século XVIII, quando trezentas éguas andaluzas das mais finas linhagens foram trazidas de Jerez, na Espanha, para a corte portuguesa. Inicialmente chamado de Alter-do-chão mas seu nome mudado depois para Alter-Real, a raça foi ameaçada entre 1809 e 1810, durante as invasões napoleónicas, quando as tropas francesas roubaram os melhores exemplares existentes no país. Cruzamentos com Puro-Sangue Inglês e Árabe enfraqueceram a raça, havendo grande perda de seu carácter inicial, mas foram salvos da extinção através da raça Lusitano, sendo o atual, na verdade, uma subespécie desta raça. No início do século XX, foram tomadas medidas para devolver ao Alter-Real as suas antigas características e o seu melhor uso no mundo atual, além da sua preservação.
Hoje a reprodução do Alter-Real é
controlada pelo Ministério da Agricultura Português.
Quem
gosta de cavalos certamente conhece o Alter-real.
Chegou no Brasil trazido por D. João VI na época do reinado, pois esse cavalo
de raça Portuguesa era usado para servir a realeza.
Os
primeiros cavalos da raça Altér-real de que se tem conhecimento, surgiram em
1748 na Casa de Bragança, em Villa do Portel, em Portugal e até então, não eram
chamados pelo nome como os conhecemos nos dias atuais. Eram usados para equitação
clássica, bem como para as carruagens, para cujo fim foram levados diretamente
para os estábulos da família real, na cidade de Lisboa..
8 anos mais
tarde, os alazões reprodutores deixaram
Lisboa e foram levados para Alter do Chão, onde passaram a ser os cavalos Alter-real.
A transferência deu-se pelo reconhecimento de que os pastos eram mais ricos em
minerais e portanto, ofereciam maior quantidade de nutrientes.
Daí o nome do Cavalo: Alter em referência à cidade e, real porque servia a realeza de Portugal. Hoje é apenas Cavalo de Alter.
Coudelaria
é o nome dado pelos Portugueses a um centro equestre completo. Neste lugar, os
cavalos são criados e treinados. Coudelaria no Brasil se diz Haras, francesismo
ligado aos Barões do Café, que tem exatamente a mesma função. Pois bem, a
primeira coudelaria ou haras, se preferir, em Portugal, contava com 300 éguas
andaluzas, provenientes de Jerez de La Frontera, uma região da Espanha
conhecida pela presença de garanhões árabes e os cavalos que foram levados para
a coudelaria de Portugal logo ficaram conhecidos, pois foram promovidas
apresentações em Lisboa. No ínicio do século XIX, porém, alguns desses cavalos
foram roubados ou ficaram perdidos, devido a um saque promovido pelas tropas napoleónicas,
comandadas pelo general Junot.
Não foi
só aquele ataque que causou dissabores para a coudelaria da família real. No ano de 1834, o local foi
atacado mais uma vez e alguns experimentos tiveram resultados negativos que quase
acabaram com a raça Altér, pelo que a realeza decidiu afastar-se dos estábulos
reais apesar de ter recebido recentemente raças de outros países, como cavalos
ingleses, normandos, árabes e hanoverianos, numa ideia de D. Maria Pia, que acabou
sendo produtiva, pois conseguiu salvar a raça graças aos cavalos que foram
importados.
No ano de
1910, Portugal tornou-se uma República e neste momento, todos os estábulos
foram destruídos. A coudelaria em Portugal acompanhou a queda da monarquia
e imaginou-se que a raça Alter-real
acabaria tendo o mesmo fim. No entanto, o Dr. Ruy d’Andrade, um importante
entendedor de cavalos naquela época, imaginou que o fim das coudelarias
significaria o fim dos animais que elas abrigavam, e para evitar que a raça Alter
desaparecesse, ele iniciou uma pequena criação que deu certo, pois dos seus
sucessores nasceram 2 garanhões.
Passados
alguns anos, em 1932 o Ministério da Economia decidiu que a criação do Alter-real
deveria ser retomada e, o animal não só ganhou grande importância em Portugal,
como a raça foi sendo melhorada. O cavalo Alter cruzava com éguas selecionadas
e adequadas, e embora essa raça hoje não exista em grande quantidade, a boa
notícia é que não corre nenhum risco de desaparecer.
A raça de
cavalos tornou-se uma referência na cultura e na história de Portugal.
Segundo
entendedores de cavalos, os animais que podemos ver nos dias atuais sendo
criados em Portugal, são bem semelhantes à raça original que começou em 1700.
Considerando
toda a história e o que a raça passou ao longo dos anos, saber que hoje os
cavalos são praticamente idênticos aos que existiram no seu surgimento parece
impossível, mas é verdade. O cavalo de Alter é considerado vistoso,
extravagante, um animal valente e portanto é um excelente animal para escolas
de equitação. Se observamos bem a cabeça de um cavalo de Alter encontraremos
uma grande semelhança com o Andaluz. Uma cabeça pequena com perfil levemente
reto ou convexo, numa característica que pode variar .
Possui um
cauda com crina em grande quantidade e vistosa, pois é bem volumosa e brilhosa.
Tem o corpo curto onde se observa uma leve inclinação com rabo de baixo
inserção da garupa. As características comportamentais do cavalo de Alter são
sensíveis, corajosos, inteligentes e com um caráter tão forte que é impossível
confundir.
Sorraia é um tipo de cavalo de origem portuguesa, raça única no Mundo, redescoberta em 1920 por Ruy d’Andrade e cujos indícios remetem para a zona de confluência entre as ribeiras de Sor e da Raia (daí o seu nome), charneca de Coruche, onde haveria uma extensa população, popular entre criadores de gado para trabalhos do campo. Admite-se que estes cavalos no estado selvagem tenham sido conhecidos em Portugal por “zebro”. Assemelhando-se bastante ao puro-sangue lusitano, de corpo compacto e linhas pré-históricas, crê-se, no entanto, que o Sorraia pode originar-se numa linhagem independente (ou seja, uma raça pura, Equus caballos ssp. Sorraia), mesmo ainda não estando concluída a sua avaliação genealógica.
Embora seja extremamente forte,
resistente e de temperamento calmo, a sua população está hoje muito reduzida –
aproximadamente 180 indivíduos – existindo somente em locais para criação e
manutenção da raça, principalmente em Portugal e na Alemanha. Assemelha-se ao
tarpan, antigo cavalo selvagem europeu.
4. Garrano
O Garrano, propriamente dito, é o mais antigo entre os seus, e entre as restantes raças irmãs do Norte da Península Ibérica e Sudoeste da França, nomeadamente o Cavalo do Monte da Galiza, o Asturcón das Astúrias ou o Potok da Biscaia. Nativo do Minho e Trás-os-Montes, em Portugal, é utilizado desde há muitos séculos como animal de carga e trabalho. Devido ao seu tamanho, menor que um cavalo comum, é considerado um pónei. Habita atualmente em estado semi selvagem nas zonas da serra do Gerês, serra do Soajo, serra da Arga e serra da Cabreira, tendo em tempos habitado todo o Norte de Portugal de onde é oriundo.
É uma raça protegida devido ao risco
de extinção a que esteve sujeito até há pouco tempo.
Curiosidades Sobre Cavalos
A “família” do cavalo está ativa há mais de sessenta milhões de anos, com a linha evolutiva desse animal. Segundo estudos, parece que o cavalo é descendente de um animal que media cerca de 40 centímetros de altura e sua origem seria o Norte da América. Porém, esses animais desapareceram há mais ou menos 128 mil anos. Existem várias raças de cavalos espalhadas pelo mundo. Mas na forma física, elas são bem parecidas. Uma característica comum é o pescoço longo e musculoso e as ancas. As orelhas costumam ser pontudas e o cavalo tem uma ótima audição.
Os
cavalos que chamamos de selvagens apareceram na época da Pré-história, embora não
em todo mundo. Eles estiveram presente na Europa e na Ásia durante essa época
mas com o tempo e a domesticação dos animais, além da caça, os cavalos
selvagens começaram a desaparecer.
No
Brasil, os cavalos chegaram em três momentos diversos: a primeira vez foi em
1534, quando eles foram levados para a Vila de São Vicente; a segunda leva de
cavalos que chegou no nosso país foi em Pernambuco, um ano depois, em 1535; a
terceira leva foi trazida por Tomé de Sousa e os animais chegaram na Bahia.
A Lenda
Negra do Aqueduto das Águas Livres.
|
O
Aqueduto de Alcântara é o troço mais conhecido e mais visível do aqueduto das
Águas Livres. Com os seus 941 metros de comprimento e mais de 65 metros de
altura, foi o cenário de acontecimentos trágicos, nomeadamente por ter
servido de palco a crimes de arrepiante crueldade perpetrados pelo bandido
Diogo Alves, o "assassino do Aqueduto das Águas Livres", que
atormentou Lisboa entre 1836 a 1839. |
Construído durante o reinado de D. João V para fornecer água a Lisboa, o aqueduto viria a ser terminado em 1744, tendo resistido incólume ao Terramoto de 1755. O projetojeto do aqueduto incluía na sua estrutura uma passagem suficientemente larga para permitir que os habitantes da cidade pudessem atravessar o vale de Alcântara desde Lisboa até Monsanto. A passagem do aqueduto encurtava caminho à maioria dos transeuntes que, na sua maior parte, eram negociantes de hortaliças, chamados saloios, que se deslocavam a Lisboa para vender os seus produtos e regressavam a casa com o dinheiro das vendas. A galeria interior ficou por isso com dois corredores laterais de cerca de 60 cm de largura cada om, que têm o nome de Passeio dos Arcos, pelos quais se pode caminhar e disfrutar de uma vista panorâmica única. Porém, o elevado número de suicídios e de assassinatos, pelos quais se tornou tristemente célebre o bandido Diogo Alves, levou a que a partir de 1844 a passagem fechasse ao público. Na altura, chegou-se a pensar numa onda de suicídios inexplicáveis e foram precisas muitas mortes para que se descobrisse que era tudo obra de um criminoso. Diogo Alves lançava as suas vítimas do alto do aqueduto depois de as roubar. A violência dos crimes praticados e o estado de terror que estes atos impiedosos semearam na cidade, tornaram o bandido a Lenda Negra do Aqueduto das Águas Livres Diogo Alves, era galego nascido em 1810, e conhecido pela alcunha de "O Pancada". Veio muito novo para Lisboa, onde serviu em algumas casas mais abastadas da época, e ficou para a história como o assassino do Aqueduto das Águas Livres, pois foi aí que, ao longo de três anos, perpetrou os crimes em série que o tornaram tão odioso como célebre.
Sabe-se
que os assassinatos começaram em 1836, por volta da mesma altura em que Diogo
Alves se envolveu amorosamente com a taberneira Gertrudes Maria (conhecida como
a Parreirinha), cujo estabelecimento se situava na zona de Palhavã - perto de
Sete Rios. No entanto, desconhece-se ao certo como terá o meliante arranjado as
chaves falsas das «mães de água», por onde depois se introduzia nas galerias do
aqueduto. O criminoso foi por fim apanhado pelas autoridades em 1840 e
condenado, sendo executado na tarde de 19 de Fevereiro de
1841, no Cais do Tojo, o que lhe garantiu o privilégio de ser um dos últimos a
quem foi aplicada a Pena de Morte em Portugal.
Zé
do Telhado o Robin dos Bosques português
Zé
do Telhado, alcunha de José Teixeira da Silva, nasceu a 22 de Junho 1818 e veio
a falecer em Malanje ( Angola) no ano de 1875 foi um militar e famoso salteador
português.
Chefe
da quadrilha mais famosa do Marão, Zé do Telhado é conhecido por “roubar aos
ricos para dar aos pobres” e, por isso, muitos o consideram o Robin dos Bosques
português. De origens rurais humildes, aos 14 anos foi viver com um seu tio,
para aprender com ele o ofício de castrador e tratador de animais. Vindo a
Casar em Fevereiro de 1845 com a sua
prima Ana Lentina de Campos, da qual teve cinco filhos.
Tinha
vasta experiência militar começada no quartel de Cavalaria 2, os Lanceiros da
Rainha, e toma parte contra o partido dos setembristas e pela restauração da
Carta Constitucional, no mês de Julho de 1837. Derrotado, refugia-se em
Espanha.
Ao
regressar, grassava no país uma revolta larvar contra o governo anticlerical de
Costa Cabral e quando estala a Revolução da Maria da Fonte, a 23 de Março de
1846, vê-se envolvido como um dos líder da insurreição. Coloca-se às ordens do
General Sá da Bandeira, que também tinha aderido. Assume o posto de sargento e
distingue-se de tal forma na bravura e qualidades militares que, na expedição a
Valpaços, recebe o grau de Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, do
Valor, Lealdade e Mérito, a mais alta condecoração que ainda hoje vigora em
Portugal. No entanto, o seu «partido» entra em desgraça, amontoa dívidas de
impostos que não consegue pagar e é expulso das forças armadas. Já como “Zé do
Telhado”, chefe bandoleiro, realiza um grande número de assaltos por todo o
Norte de Portugal, durante um período muito conturbado que coincidiu com o
pedido de maior resistência de D. Miguel, no exílio com seu governo, aos seus
partidários miguelistas que tentaram formar grupos de guerrilha em todo o país.
O bandoleiro mais conhecido do país acaba por ser apanhado pelas autoridades em 31 de Março de 1859 quando tentava fugir para o Brasil. Esteve preso na Cadeia da Relação, onde conheceu Camilo Castelo Branco .Em 9 de Dezembro de 1859 foi julgado e condenado ao degredo perpétuo na África Ocidental Portuguesa. A sentença de Zé do Telhado foi clara: acusado de onze crimes (que muitos dizem ser uma ínfima parte dos que cometeu) livrou-se da forca, mas foi-lhe comutada a pena aplicada para 15 anos de degredo, em 28 de Setembro de 1863. Viveu em Malanje, negociando em borracha, cera e marfim. Casou-se com uma angolana, Conceição, de quem teve três filhos. Conhecido entre os locais como o kimuezo – homem de barbas grandes –, viveu desafogadamente. Faleceu aos 57 anos, vítima de varíola, sendo sepultado na aldeia de Xissa, município de Mucari, a meia centena de quilómetros de Malanje, sendo-lhe erguido um mausoléu, objeto de romagens.
Personagem
vindo do povo, e com profundas ligações à terra, Zé do Telhado entrou para o
imaginário popular e ainda hoje a sua história é reconhecida. A casa que
habitou ainda está lá, na freguesia de Mouriz, concelho de Paredes. Já agora,
consta que lhe chamavam Zé do Telhado porque a casa dos pais era a única na
região com telhas. As restantes tinham cobertura de colmo.
Milagre
do Sol em Fátima
Milagre
do Sol em Fátima: foi com esse fenômeno que o dia 13 de outubro de 1917 ficou
marcado para sempre no coração dos devotos de Nossa Senhora.
Ela
vinha aparecendo resplandecente aos três pastorinhos desde o dia 13 de maio
daquele mesmo ano. E as aparições continuaram nos meses sucessivos, até
outubro.
Os
três pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta estavam na Cova da Iria, em Fátima,
Portugal, quando observaram dois clarões como relâmpagos. Em seguida, sobre a
copa de uma pequena árvore chamada azinheira, eles viram uma Senhora de beleza
incomparável.
Ela
era, de fato, uma “Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol,
irradiando luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água
cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente.
Sua
face, indescritivelmente bela, não era alegre nem triste, mas séria, com ar de
suave alerta. Suas mãos estavam juntas, como rezando, apoiadas no peito, e
voltadas para cima. Da sua mão direita pendia um rosário. As vestes pareciam
feitas somente de luz. A túnica e o manto eram brancos e com bordas douradas,
cobrindo a sua cabeça e descendo até os pés. Ela própria, no momento oportuno,
se apresentou: era Nossa Senhora, Maria, Mãe de Deus! “Não tenhais medo”
Lúcia
jamais conseguiu descrever perfeitamente os traços dessa fisionomia tão
brilhante. Com voz maternal e suave, Nossa Senhora tranquilizou as três
crianças e lhes disse:
“Não
tenhais medo! Eu não vos farei mal. Vim para pedir que venhais aqui seis meses
seguidos, sempre no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o
que quero. Em seguida, voltarei aqui ainda uma sétima vez”.
Ao
pronunciar estas palavras, Nossa Senhora abriu as mãos, e delas saía uma
intensa luz. Os pastorinhos, então, sentiram o impulso de cair de joelhos e
rezaram em silêncio a oração que o Anjo lhes ensinara:
“Santíssima
Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo! Adoro-vos profundamente e ofereço-vos o
preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em
todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e
indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do Seu
Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos
pobres pecadores”.
Passados
alguns momentos, Nossa Senhora acrescentou:
“Rezem
o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra”.
De
fato, a humanidade vivia então os dramas horrendos da Primeira Guerra Mundial,
enquanto, na Rússia, estendia-se com sangue e pavor a Revolução Soviética.
Na
aparição do dia 13 de setembro, Nossa Senhora anunciou aos três pastorinhos de
Fátima: “Em outubro farei o milagre, para que todos acreditem”.
E,
realmente, em 13 de outubro de 1917, nada menos que 70 mil pessoas, incluindo
jornalistas, testemunharam o milagre anunciado pelas três crianças a quem Nossa
Senhora tinha aparecido. Ao meio-dia, depois de uma forte chuva que parou de
repente, as nuvens se abriram diante dos olhos de todos e o sol surgiu no céu
como um disco luminoso opaco, girando em espiral e emitindo luzes coloridas. O
fenômeno durou cerca de 10 minutos e está na lista oficial de milagres reconhecidos
pelo Vaticano. Os céticos tentam atribuir o evento ao fenômeno atmosférico do
parélio, mas sem apresentar provas nem explicar como foi que as crianças o
“previram.
(O Segredo de Fátima
Segredo de Fátima é a expressão atribuída a um conjunto de revelações alegadamente apresentadas por Nossa Senhora a três crianças portuguesas, Lúcia dos Santos (de 10 anos), Francisco Marto (de 9 anos) e Jacinta Marto de 7 anos), mais conhecidos como "os três pastorinhos de Fátima", no dia 13 de julho de 1917 no lugar da Cova da Iria (onde atualmente se situa a Capelinha das Aparições do Santuário de Fátima). De maio a outubro de 1917, as três crianças afirmaram ter testemunhado aparições de "uma Senhora mais brilhante do que o Sol", a qual se terá apresentado a 13 de outubro como sendo Nossa Senhora do Rosário, e que é hoje devotada nacional e internacionalmente sob o título mariano de Nossa Senhora de Fátima.
Segundo
a Irmã Lúcia, que mais tarde se fizera freira da Ordem das Carmelitas
Descalças, Nossa Senhora, a 13 de julho de 1917, terá revelado um segredo,
constituído por três partes, de caráter profético. As duas primeiras partes
foram reveladas em 1941 num documento escrito por Lúcia. A terceira parte foi
escrita por Lúcia em 3 de janeiro de 1944, por ordem do bispo de Leiria, e
revelada em 2000.
Segunda parte: A segunda parte é devoção ao Imaculado Coração de Maria e conversão da Rússia:
Vistes
o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus
quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que
eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se
não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior.
Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida,[3] sabei que é o grande
sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo pelos seus crimes, por meio da
guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir
virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a Comunhão
Reparadora nos Primeiros Sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se
converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo
guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá
muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado
Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e
será concedido ao mundo algum tempo de paz.
O
conteúdo da terceira parte do Segredo de Fátima, revelado em 13 de Julho de
1917 em Fátima, e que a Ir. Lúcia dos Santos redigiu em 3 de Janeiro de 1944, é
o seguinte:
E
vimos numa luz imensa, que é Deus, algo semelhante a como se vêm as pessoas no
espelho, quando lhe diante passa um bispo vestido de branco. Tivemos o
pressentimento de que era o Santo Padre. Vimos vários outros bispos,
sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da
qual estava uma grande cruz, de tronco tosco, como se fora de sobreiro como a
casca. O Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade, meio em
ruínas e meio trémulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena. Ia
orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho.
Chegando
ao cimo do monte, prostrado, de joelhos, aos pés da cruz, foi morto por um
grupo de soldados que lhe disparavam vários tiros e setas e assim mesmo foram
morrendo uns após os outros, os bispos, os sacerdotes, religiosos, religiosas e
várias pessoas seculares. Cavalheiros e senhoras de várias classes e posições.
Sob os dois braços da cruz, estavam dois anjos. Cada um com um regador de
cristal nas mãos recolhendo neles o sangue dos mártires e com eles irrigando as
almas que se aproximavam de Deus."
Na
sua interpretação ao terceiro segredo, o cardeal Joseph Ratzinger, mais tarde
papa Bento XVI, mais do que valorizar a parte da “previsão” do atentado ao papa
João Paulo II, nunca se referiu ao fenómeno como “aparições” de Nossa Senhora,
encarando-as antes como “visões”. E destacou que a mensagem fundamental de Fátima
é o apelo à fé e à conversão, mais do que a referência ao papa vestido de
branco (João Paulo II), na leitura feita por António Marujo, no livro “A
Senhora de Maio” (Temas e Debates/Círculo de Leitores).
As
três crianças tiveram, segundo a história oficial, um envolvimento diferente
nas “aparições”, que se prolongaram de maio a outubro de 1917. Lúcia terá
visto, ouvido e falado com a imagem, Jacinta terá visto e ouvido e Francisco
apenas teria visto a Nossa Senhora. Lúcia, que viveu até 2005, foi fazendo
sucessivos textos sobre os segredos, remetendo as interpretações para a Igreja
e a sua hierarquia.
Terceiro segredo: Previsão do atentado contra João Paulo II
Durante
anos, alimentou-se a especulação sobre este segredo que foi revelado pelo
cardeal Angelo Sodano, a 13 de maio de 2000, durante a última visita de João
Paulo II ao santuário da Cova da Iria. O terceiro segredo de Fátima inclui uma
“previsão” do atentado contra João Paulo II, a 13 de Maio de 1981, de acordo
com uma das interpretações possíveis do Vaticano anunciada na Cova da Iria pelo
cardeal Sodano, em 2000.
Esta
conclusão é retirada da própria interpretação dada pelos pastorinhos sobre a
mensagem que lhes foi revelada em 1917, segundo a qual o papa – “Bispo vestido
de branco”, como o referenciavam – “caminhando penosamente para a Cruz por
entre os cadáveres dos martirizados (bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas
e várias pessoas seculares), cai por terra como morto sob os tiros de uma arma
de fogo”. Angelo Sodano aludiu ao atentado de 1981 e “à mão materna que
permitiu que o papa agonizante se detivesse no limiar da morte”, mas
acrescentou que o terceiro segredo está também relacionado com a luta contra o
ateísmo.
Antes
de ser papa, Ratzinger foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e
nessa qualidade fez uma interpretação ao chamado terceiro segredo de Fátima. O
“facto de ter havido lá uma ‘mão materna’ que desviou a bala mortífera demonstra
uma vez mais que não existe um destino imutável, que a fé e a oração são forças
que podem influir na história e que, em última análise, a oração é mais forte
que as balas, a fé mais poderosa que os exércitos”, escreveu Ratzinger, numa
mensagem de esperança. Os três segredos de Fátima, concluiu, significam, no seu
conjunto, uma “exortação à oração como caminho para a salvação” e “o apelo à
penitência e à conversão”. E na interpretação, o cardeal alemão nunca se refere
ao fenómeno como “aparições”, mas sim “visões”.
“E
vimos n’uma luz imensa que é Deus: ‘algo semelhante a como se veem as pessoas
n’um espelho quando lhe passam por diante’ um Bispo vestido de Branco ‘tivemos
o pressentimento de que era o Santo Padre’. Vários outros Bispos, Sacerdotes,
religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava
uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo
Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio
trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas
dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado
de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe
dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns atrás outros
os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares,
cavalheiros e senhoras de várias classes e posições(…)”.
Quando
ele ganhou rapidamente a consciência antes de ser operado, ele instruiu os
médicos para não remover o seu Escapulário de Nossa Senhora do Carmo durante a
operação. O Papa afirmou que Nossa Senhora de Fátima ajudou a mantê-lo vivo
durante todo o seu calvário.
“ Eu
poderia esquecer que o evento (Tentativa de assassinato de Ali Agca) na Praça
de São Pedro teve lugar no dia e na hora em que a primeira aparição da Mãe de
Cristo aos pastorinhos estava sendo lembrada por 60 anos em Fátima, Portugal? Mas em tudo o que aconteceu comigo naquele
mesmo dia, senti que a proteção extraordinária maternal e cuidadosa, acabou por
ser mais forte do que a bala mortal.”
—Papa
João Paulo II -Memória e Identidade, Weidenfeld & Nicolson, 2005, p.184
A azinheira da Cova da Iria, no Santuário de Fátima, junto à capela dos Três Pastorinhos, é considerada um ícone sagrado e uma árvore monumental.
Na freguesia de Nossa Senhora da Piedade, o ICNF lista ainda a existência de um plátano-vulgar com 100 anos, ao passo que, na Cova da Iria, Fátima, reconhece-se a mesma idade à azinheira que é um símbolo sagrado, pelo facto de os Três Pastorinhos terem rezado o rosário à sua sombra, antes das Aparições de Nossa Senhora, em 1917. A árvore está situada junto à Capela dos Três Pastorinhos, no Santuário de Fátima, e tem cerca de 14 metros de altura.
José Francisco Marques (RIP), foi um operário com pouca bagagem literária, mas com uma enorme imaginação e um grande amor à arte da escrita. Dedicou os últimos anos da sua vida a escrever romances, que de antemão sabia nunca seriam publicados, com o pseudônimo de Jardim de Fontes Mil. Mas, continuou escrevendo para sua satisfação pessoal, e pela grande necessidade que tinha de voar para fora de si próprio, de dar asas a essa imaginação através da qual viajava, a mundos por ele criados, convivendo com os seus personagens, vivenciando as situações e participando dos acontecimentos que gerava. Se a construção gramatical e a ortografia por vezes lhe traziam transtornos, os temas e o seu desenvolvimento eram interessantes e, em alguns casos até, agradáveis e envolventes.
Num
país onde a obra operária é tão escassa, apesar dos grandes valores que
proporcionou e de um José Saramago que muito nos orgulha, tudo o que se possa fazer
para demonstrar que essa classe é algo mais do que simples mão-de-obra,
parece-nos válido e digno de apoio.
Resolvi
por isso dar andamento a esta menção para mostrar que os livros, apesar do seu
enredo simples e despretensioso, conseguem prender a atenção, e para que o seu
esforço não seja totalmente perdido e no futuro, outros como ele possam,
também, sentir-se tentados a dar encaminhamento à sua capacidade de sonhar. Os
seus livros estão hoje sendo editados pela Amazon Kindle Books.
José
Francisco Marques nasceu em Lisboa, no 1º de Janeiro de 1897 e faleceu, em
Lisboa, em Março de 1983.Como ficou sem mãe ao nascer, foi criado pela família
em Cerdeira de Coja, concelho de Arganil, onde ficou até voltar a Lisboa para
cumprir o Serviço Militar, onde se fixou e seguiu o Ofício de estofador e
trabalhou em vários locais até chegar a contramestre nos Estaleiros Navais de
Lisboa.
Viveu
à sua maneira e, à sua maneira foi feliz. Como todos os operários da sua
geração, não pôde alhear-se dos movimentos que tiveram lugar no seu século, nem
deixar de ter, como tantos outros, simpatia pelo conteúdo das teorias
Marxistas, e esperança nos resultados da Revolução Russa.
Estas
foram, talvez, as suas maiores decepções.
Extrato do livro de José Francisco Marques
“Cerdeira
Terra de Azeite e Pão”
“Era
um pequeno povoado encravado nas vertentes da serra da Maria Negra, uma das
muitas em que se desdobra a cordilheira que desce a Estrela e vem terminar na
Lousã.
Alguma
coisa deve ter mudado, mas não cresceu muito como burgo.
Situa-se
na encosta norte de um pequeno monte que os habitantes das circunvizinhanças
denominaram Lombas das Corgas, nome que era também usado pelos moradores da
Cerdeira de Coja, para pontar a
sua posição nas soalheiras quebradas dos
Casais.
As manhãs
de sol brilhante traziam consigo algum alento aos camponeses, pois ajudavam a
derreter a grande camada de geada que se formava durante a noite e dificultava
os trabalhos no campo.
Na única
rua da aldeia, os passos rangiam sobre a estrumada de mato e canoilos de milho
que cobria o empedrado original. Os telhados de pesadas lages mal unidas,
brilhavam com a fina camada branca que pouco a pouco se derretia, originando
uma leve fumaça que logo se dissipava sob os raios do astro--rei. O latir dos
cães, o cacarejar das aves e o chilrear alegre dos pàssaros, traziam ao bucólico
ambiente um ar festivo, característico dos rústicos povoados do interior,
virtude em que todos se assemelham.”
3 árvores
portuguesas que são das mais antigas do mundo
Contemporâneas de Jesus Cristo, destacam-se pela sua idade. e são das mais antigas do mundo.
Além da “pinus longaeva”, a lista
das árvores mais antigas do
planeta conta também com um cipreste-da-patagónia encontrado no Chile, com 3627
anos, e uma figueira-dos-pagodes de 2222 anos, descoberta no Sri Lanka.
Em Portugal, de acordo com o
Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, existem exemplares das
mais diversas espécies, destacando-se três oliveiras com idades compreendidas
entre os 2000 e os 3500 anos. A árvore portuguesa mais antiga está situada em
Cascalhos e tem 3350 anos. Na imagem acima.
D.
Fuas Roupinho e O Milagre da Nazaré
Conta a Lenda da Nazaré que ao nascer do dia 14 de setembro de 1182, D. Fuas Roupinho, alcaide do castelo de Porto de Mós, caçava junto ao litoral, envolto por um denso nevoeiro, perto das suas terras, quando avistou um veado que de imediato começou a perseguir. O veado dirigiu-se para o cimo de uma falésia. D. Fuas, no meio do nevoeiro, isolou-se dos seus companheiros. Quando se deu conta de estar no topo da falésia, à beira do precipício, em perigo de morte, reconheceu o local. Estava mesmo ao lado de uma gruta onde se venerava uma imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus. Rogou então, em voz alta: Senhora, Valei-me!. De imediato, miraculosamente o cavalo estacou, fincando as patas no penedo rochoso suspenso sobre o vazio, o Bico do Milagre, salvando-se assim o cavaleiro e a sua montada da morte certa que adviria de uma queda de mais de cem metros.
D.
Fuas desmontou e desceu à gruta para rezar e agradecer o milagre. De seguida
mandou os seus companheiros chamar pedreiros para construírem uma capela sobre
a gruta, em memória do milagre, a Ermida da Memória, para aí ser exposta à
veneração dos fiéis a milagrosa imagem. Antes de entaipar a gruta os pedreiros
desfizeram o altar ali existente e entre as pedras, inesperadamente,
encontraram um cofre em marfim contendo algumas relíquias e um pergaminho, no
qual se identificavam as relíquias como sendo de São Brás e São Bartolomeu e se
relatava a história da pequena imagem esculpida em madeira, policromada,
representando a Santíssima Virgem Maria sentada num banco baixo a amamentar o
Menino Jesus.
D.
Pedro I, o Rei Salomão português!
E
ficou conhecido como “O Justiceiro”.
Um episódio em Santarém
O
Rei D. Pedro tinha em Santarém, um lavrador rico com quem se relacionara que
foi protagonista de um episódio insólito. Estando na cidade, o rei perguntou
por ele, pois ainda não o tinha visto. Ao que apurou, fora o filho que o tinha
atacado à facada, deixando-lhe uma feia cicatriz na cara. O rei deu então ordem
que o chamassem e pediu-lhe que contasse como se tinham passado as coisas. O
lavrador narrou a discussão que tivera com o filho e deu detalhes sobre a agressão
de que fora vítima, afirmando que tal ocorreu na presença da mulher. O rei, ao
ouvir essa preciosa informação, ordenou: “Ora, manda-me cá a tua mulher e o teu
filho.” Depois da mulher chegar, o Rei perguntou: “Ouve lá, de quem é o filho?”
A mulher primeiro gaguejou. Depois, lá afirmou: “Meu e do meu marido, senhor.”
O rei, depois de afagar a barba, afirmou: “Hum… Não acredito! Se o teu marido
fosse o verdadeiro pai, ele não o teria acutilado daquele modo.”
A
lavradora acabou por relatar uma história trágica, admitindo que o rapaz, na
verdade, era filho de um padre confessor. D. Pedro escutou atentamente a mulher
e, no dia seguinte, foi ouvir missa na igreja onde a violação ocorrera. Depois
da cerimónia estar concluída, o Rei mandou chamar o religioso. Houve uma breve
troca de palavras em seguida às quais D. Pedro mandou colocar o violador num
caixote e serrá-lo ao meio. Este momento pode ser comparado com alguns números
de magia, mas não foi nenhum momento mágico, mas sim uma morte horrorosa e,
muito provavelmente, dolorosa…
Um episódio no Porto
Outro
episódio que ficou famoso e que retrata D. Pedro I na perfeição enquanto juiz
executante, tem como protagonista um bispo do Porto.
Mesmo
sem ter provas, que é algo essencial no conceito de justiça que temos
atualmente, constou ao Rei D. Pedro, que o prelado mantinha relações íntimas
com uma mulher casada. Essa informação foi mais que suficiente para que ele
entrasse pelo paço episcopal com um chicote, indo direto ao homem para o punir
pessoalmente.
Houve
ainda outros episódios, nomeadamente aquele em que soube que uma mulher
enganava o marido. Apesar de o marido enganado implorar ao rei de joelhos o
perdão pelo ato da esposa, pois ele a amava tanto que perdoava a traição; o rei
mesmo assim a condenou à morte. Este foi o rei que ficou conhecido com o “O
Justiceiro”, embora em alguns episódios possa ter parecido mais injusto que
justo. Apenas fez justiça!
D.
Fernando I foi filho de D. Pedro I, sendo fruto do casamento deste com D.
Constança de Castela. D. Fernando nasceu no dia 31 de outubro de 1345 (em
Lisboa). Ficou conhecido pelo cognome “O Formoso”, tendo reinado entre 1367 e
1383.
Da
sua relação com D. Leonor Teles não houve filhos que liderassem o reino. Aliás,
D. Fernando foi mesmo o último representante da Dinastia Afonsina. Após a sua
morte, que ocorreu no dia 22 de outubro de 1383 (em Lisboa), houve um
interregno que durou 2 anos de 1383 a 1385, surgindo depois a segunda dinastia,
a Dinastia de Avia (ou Joanina, como também é conhecida). Esse período começou
com D. João I, “O de Boa Memória”, que reinou entre 1385 e 1433
Os
amores do rei Formoso deram que falar. O filho legítimo de D. Pedro I e de D.
Constança Manuel deixou-se levar pelos seus desejos, mesmo quando estes eram
sentidos por uma filha do seu pai, .e manteve relações íntimas com a filha de
D. Pedro I e de D. Inês de Castro Beatriz, sua meia-irmã. A Infanta D. Beatriz
nasceu em 1347, sendo fruto da relação do Rei D. Pedro com D. Inês de Castro.
D.
Fernando teve uma relação peculiar com a sua meia-irmã, de curta duração, pois
D. Fernando tinha destinado outro nome para partilhar consigo o trono.
Mais
tarde ele viria a enfrentar a chacota popular, quando se apaixonou por Leonor
Teles, uma mulher casada e com um filho. A beleza de Leonor Teles conquistou D.
Fernando. e o relacionamento com D. Beatriz foi esquecido.
D.
Fernando tinha casamento marcado com a princesa castelhana Isabel, mas a sua
ligação com Leonor Teles foi bem mais forte. Apesar de Leonor não ser de
estirpe real, D. Fernando casou-se com ela em segredo. Meses mais tarde nasceu
a filha de ambos à qual foi dado o nome de Beatriz… nome da sua meia-irmã!
Digamos
que não foi fácil o percurso de D. Fernando pois, além de ter sofrido uma tentativa
de envenenamento, ainda teve de lidar com as infidelidades da mulher, as quais
se tornaram públicas. “O Formoso” foi assim alvo de chacota por se ter deixado
humilhar pela mulher por quem arriscou muito.
D.
Fernando ainda se casou com a única filha de Juan I de Castela, levando este
rei estrangeiro a tornar-se num potencial herdeiro do trono português. Contudo,
já depois da morte de D. Fernando, a vitória de Aljubarrota salvaria a
situação.





















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