--


                            O Terrorismo Como Busca de Soluções

Ou Um negócio Lucrativo

 

Terrorismo é o uso de violência, física ou psicológica, por meio de ataques localizados a elementos ou instalações de um governo ou da população governada, de modo a incutir medo, pânico e, assim, obter efeitos psicológicos que ultrapassem largamente o círculo das vítimas, incluindo o restante da população do território. É utilizado por uma grande gama de instituições como forma de alcançar seus objetivos, como organizações políticas, grupos separatistas e até por governos no poder.

Segundo especialistas da área, existem centenas de definições da palavra terrorismo. A inexistência de um conceito amplamente aceito pela comunidade internacional e pelos estudiosos do tema significa que o terrorismo não é um fenômeno entendido da mesma forma, por todos os indivíduos, independentemente do contexto histórico, geográfico, social e político. Segundo Walter Laqueur.” Nenhuma definição pode abarcar todas as variedades de terrorismo que existiram ao longo da história”.

Conforme definição do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, terrorismo é um tipo muito específico de violência, bastante sutil, apesar de o termo ser usado para definir outros tipos de violência considerados inaceitáveis.

Após a Segunda Guerra Mundial, sobretudo no fim da década de 1960 e durante a década de 1970, o terrorismo era visto como parte de um contexto revolucionário. O uso do termo foi expandido para incluir grupos nacionalistas e étnico-separatistas fora do contexto colonial ou neocolonial, assim como organizações radicais e inteiramente motivadas por ideologia. 

A comunidade internacional – inclusive na esfera das Nações Unidas – considerava politicamente legítimas as lutas pela autodeterminação dos povos, legitimando-se portanto o uso da violência política por esses movimentos.

Ações terroristas típicas incluem assassinatos, sequestros, explosões de bombas, matanças indiscriminadas, raptos, aparelhamento e linchamentos. É uma estratégia política e não militar, e é levada a cabo por grupos que não são fortes o suficiente para efetuar ataques abertos, sendo utilizada em época de paz, conflito e guerra. A intenção mais comum do terrorismo é causar um estado de medo na população ou em setores específicos da população, com o objetivo de provocar num inimigo (ou seu governo) uma mudança de comportamento.

O uso sistemático de terror como recurso de controle social e político, tem acompanhado a humanidade por milênios e tem sido registrado na História pelo menos desde a Grécia Antiga. O historiador Xenofonte (430-349 a.C.) conta que o terrorismo era praticado pelos governos das Pólis (cidades-Estado gregas) como forma de guerra psicológica contra populações inimigas. Também semearam o terror os imperadores romanos Tibério e Calígula, os membros da Santa Inquisição, Robespierre e seus adeptos, os integrantes da Ku Klux Klan, as milícias nazistas e outros.

Antes do século XIX os terroristas poupavam os inocentes não envolvidos no conflito. No Império Russo, quando os radicais tentaram depor o czar Alexandre II, cancelaram várias ações para evitar ferir mulheres, crianças, idosos ou outros inocentes. Nos últimos dois séculos, no entanto, os estados foram ficando cada vez mais burocratizados, e a morte de apenas um líder político não causava as mudanças políticas desejadas,  pelo que os terroristas passaram a usar métodos mais indiretos de causar ansiedade no Povo e perda de confiança no governo.

Em 1972, a temática do terrorismo foi incluída pela primeira vez nos debates da Assembleia Geral das Nações Unidas. Os debates consagraram uma clivagem: de um lado, o bloco ocidental advogava a repressão (enfoque jurídico); de outro, o Movimento dos Não Alinhados e os Estados comunistas defendiam a identificação e a eliminação de suas causas (enfoque político).

Em 1985, houve a primeira condenação do terrorismo por consenso: resolução 40/61 da Assembleia Geral das Nações Unidas. O enfoque jurídico passou a prevalecer. O terrorismo deixou de ser legitimado por motivações políticas quaisquer.

 

              

Podemos, assim, dar as seguintes definições sucintas de terrorismo:

 Terrorismo físico - Uso de violência, assassinato e tortura para impor seus interesses;

Terrorismo psicológico - Indução do medo por meio da divulgação de noticias em benefício próprio (ver: guerra psicológica);

Terrorismo de Estado - Recurso usado por governos ou grupos para manipular uma população conforme seus interesses;

Terrorismo econômico - Subjugar economicamente uma população por conveniência própria (ver: embargo econômico);

Terrorismo religioso - Quando o incentivo do terrorismo vem de alguma religião (ver: Terrorismo cristão e Terrorismo Islâmico).

Guerra psicológica

As expressões guerra psicológica, operações psicológicas, guerra política, guerra de nervos, guerra fria e conquista de corações e mentes se referem a várias técnicas de combate usadas para influenciar sem uso da força os valores, crenças, emoções, motivações, raciocínio ou comportamento de uma ou mais pessoas visando objetivos estratégicos policiais, de guerra, ou políticos. Tais técnicas costumam ser usadas para induzir confissões ou reforçar atitudes e comportamentos. Às vezes, são combinadas com operações de Guerra Não Convencional e às operações de falsa bandeira. O público-alvo pode ser governos, organizações, grupos e indivíduos

 Embargo econômico

Embargo no comércio internacional e na política é a proibição do comércio e da comercialização com um determinado país, como um castigo para os políticos, as políticas ou atos do país embargado, mas a sua natureza econômica frequentemente levanta dúvidas sobre os verdadeiros interesses que a proibição serve.

Uma das mais completas tentativas de embargo aconteceu durante as guerras napoleónicas. Em 1806, numa tentativa de bloquear o Reino Unido economicamente, o sistema de bloqueio continental, que proibia as nações europeias de comercializar com o Reino Unido, foi criado, mas na prática não foi completamente executado. Acabou sendo, se não mais, tão prejudiciais para os países envolvidos quanto para os britânicos

 Terrorismo cristão

O termo terrorismo cristão compreende atos terroristas por parte de grupos ou indivíduos que usam motivações ou objetivos cristãos para suas ações. Tal como acontece com outras formas de terrorismo religioso, os terroristas cristãos têm contado com interpretações dos dogmas da fé - neste caso, da Bíblia. Tais grupos citam as escrituras do Antigo Testamento e do Novo Testamento para justificar a violência e a mortes ou a busca para trazer o "fim dos tempos" descritos no Novo Testamento.

História

O jornalista e político britânico Ian Gilmour cita o caso histórico do massacre de São Bartolomeu em 1572, que iniciou a violência da multidão católica romana contra os huguenotes (protestantes calvinistas franceses), com a justificativa de que os huguenotes tramavam para substituir a monarquia francesa que estava sob a dinastia dos Valois, como um exemplo de terrorismo religioso a par com o terrorismo moderno. Estima-se que entre 2000 a possivelmente 25 mil huguenotes (protestantes franceses) foram assassinados por multidões católicas, e tem sido chamado de "o pior dos massacres religiosos do século". O massacre levou ao início da "quarta guerra" das Guerras de Religião na França, que foi marcada por muitos outros massacres e assassinatos de ambos os lados. Peter Steinfels citou o caso histórico da Conspiração da Pólvora, quando Guy Fawkes e de outros revolucionários católicos tentaram derrubar o governo protestante da Inglaterra, fazendo explodir as Casas do Parlamento, como um caso notável de terrorismo religioso.

Catalunha

Milícia Catalana (lit. milícia catalã) foi um grupo espanhol paramilitar armado nacionalista e ultra-católico que operou entre 1976 e meados dos anos 90 na Catalunha. Os principais objetivos desse grupo eram as associações e partidos independentistas relacionados à independência da Catalunha (especialmente o Moviment de Defensa de la Terra, a mais destacada expressão política extraparlamentar do movimento de independência da Catalunha); mas a Milícia Catalana também atacou clínicas onde abortos eram praticados (em 1989, a fachada da Clínica Dexeus foi danificada por uma explosão atribuída ao grupo), pessoas LGBT e a bordéis. Da mesma forma, eles ameaçaram e intimidaram reuniões e encontros da esquerda alternativa e daqueles que satirizavam o catolicismo, como Els Joglars, uma companhia de teatro popular. Um de seus ataques mais famosos foi o incêndio provocado perto do Santuário de Montserrat em agosto de 1986, queimando 2.000 hectares, 75% da área montanhosa, e deixando 1.000 pessoas isoladas no santuário por um dia.

Irlanda do Norte

Alguns estudiosos, como Steve Bruce, professor de sociologia na Universidade de Aberdeen, argumentam que o conflito na Irlanda do Norte é essencialmente um conflito religioso, apesar das suas considerações econômicas e sociais. O professor Mark Juergensmeyer também argumentou que alguns atos de terrorismo eram "terrorismo religioso... - nesses casos, do cristianismo.  Outros, como John Hickey, têm uma visão mais reservada. Escrevendo para The Guardian, Susan McKay discutiu o fundamentalismo religioso em conexão com o assassinato de Martin O'Hagan, um ex-detento da prisão de Maze e um repórter sobre o crime e os paramilitares. Ela atribuiu o assassinato a uma "série de razões", incluindo "os bandidos não gostaram do que ele escreveu". Os supostos assassinos alegaram que eles o mataram por "crimes contra pessoas lealistas".

Os Orange Volunteers são um grupo infame para a realização de ataques terroristas simultâneos em igrejas católicas.

Os auto-intitulados pastores Clifford Peeples, anteriormente condenado sob a Lei de Prevenção do Terrorismo, John Somerville, e seus associados, foram apelidados pelo chefe de polícia da Royal Ulster Constabulary, Ronnie Flanagan, "os pastores demônio" - especializados em contar histórias sensacionalistas de selvageria católica para com protestantes, e em encontrar justificativas bíblicas para retaliação protestante

Noruega

Em julho de 2011, Anders Behring Breivik foi preso e acusado de terrorismo depois de um carro-bomba em Oslo e um tiroteio em massa na ilha de Utøya. Como resultado de seus ataques, 151 pessoas ficaram feridas e 77 mortos. Horas antes dos eventos, Breivik lançou um manifesto de 1.500 páginas detalhando que os imigrantes estavam minando os valores cristãos tradicionais da Noruega, e identificou-se como um "cruzado cristão". Análises de suas motivações notaram que ele não somente exibe inclinações terroristas cristãs, mas também possuía crenças não-religiosas de direita. Mark Juergensmeyer e John Mark Reynolds afirmaram que os eventos foram terrorismo cristão, enquanto que Brad Hirschfield rejeitou o rótulo de terrorista cristão.

Romênia

Movimentos cristãos ortodoxos na Romênia, como Guarda de Ferro e Lăncieri, que têm sido caracterizados por Yad Vashem e Stanley G. Payne como antissemitas e fascistas, respectivamente, foram responsáveis pela participação no massacre de Bucareste, e assassinatos políticos durante os anos 1930.

Uganda

O Exército de Resistência do Senhor, um exército guerrilheiro envolvido em uma rebelião armada contra o governo de Uganda, foi acusado de usar crianças como soldados e cometer inúmeros crimes contra a humanidade, incluindo massacres, sequestros, mutilação, tortura, estupro e trabalho infantil forçado como soldados, carregadores e escravas sexuais. Um movimento quase religioso que mistura alguns aspectos da fé cristã com a sua própria marca do espiritualismo liderado por Joseph Kony, que se proclama o porta-voz de Deus e um médium, principalmente do "Espírito Santo", que os Acholi acreditam que pode representar-se de muitas manifestações. Os combatentes do LRA usam rosário e recitam passagens da Bíblia antes da batalha.

Estados Unidos

Após a Guerra Civil Americana de 1861-1865, os membros da organização liderada por protestantes, a Ku Klux Klan, começaram a engajar-se em incêndios, espancamentos, queima de cruz, destruição de propriedades, linchamentos, assassinatos, estupros e chicotadas. Direcionavam aos afro-americanos, judeus, católicos e outras minorias sociais ou étnicas.

Membros da Klan tinham uma ideologia terrorista explicitamente cristã, baseando suas crenças, em parte, em uma "fundação religiosa" no cristianismo. Os objetivos da Ku klux klan incluíram, a partir de um momento inicial em diante, a intenção de "restabelecer valores cristãos protestantes na América por todos os meios possíveis", e acreditavam que "Jesus foi o primeiro Klansman".. A partir de 1915, os Klansmen realizaram queima de cruzes não só para intimidar as vítimas, mas também para demonstrar o seu respeito e reverência para com Jesus Cristo, e o ritual de iluminação de cruzes era rico em simbolismo cristão, inclusive proferindo orações e cantando hinos cristãos.Dentro do cristianismo, a Klan dirigiu hostilidades contra os católicos. As modernas organizações Klan, como Knights Party, USA continuam a concentrar-se na mensagem de supremacia cristã, na detecção de uma "guerra" que, alegadamente, visa destruir "civilização cristã ocidental".

Após 1981, os membros de grupos como o Army of God começaram a atacar clínicas de aborto.

 Terrorismo Islâmico

Terrorismo islâmico (em árabe: إرهاب إسلامي, transl. ʾirhāb ʾislāmī), também conhecido como terrorismo islamista ou terrorismo jihadista, é uma forma de terrorismo religioso cometido por extremistas islâmicos com o propósito de atingir variadas metas políticas e/ou religiosas. O terrorismo islâmico foi identificado como tendo ocorrido em locais do Oriente Médio, África, Europa, Ásia Meridional (incluindo Índia e Paquistão), Sudeste Asiático, e nos Estados Unidos, desde pelo menos a década de 1970. Organizações terroristas islâmicas se envolveram em táticas que incluem ataques suicidas, sequestros, sequestros de aviões e vêm recrutando novos membros através da Internet.

À data de 2015, por si só quatro grupos extremistas islâmicos foram responsáveis por 74% de todas as mortes causadas pelo terrorismo: Estado Islâmico, Boko Haram, os Taliban e a Al-Qaeda, de acordo com o Índice Global de Terrorismo de 2016

 

Terrorismo a Grande Ameaça do Século XXI

Baseado num trabalho de CARVALHO, Leandro. "Terrorismo"; Brasil Escola.

 Os atos e ataques terroristas, segundo alguns estudiosos, tiveram início no século I d. C., quando um grupo de judeus radicais, chamados de sicários (Homens de punhal), atacava cidadãos judeus e não judeus que eram considerados a favor do domínio romano. Outros indícios que confirmam as origens remotas do terrorismo são os registros da existência de uma seita mulçumana, no final do século XI d. C., que se dedicou a exterminar seus inimigos no Oriente Médio. Desta seita teria surgido a origem da palavra assassino.

 Terrorismo moderno

O terrorismo moderno tem sua origem no século XIX no contexto europeu, quando grupos anarquistas viam no Estado seu principal inimigo. A principal ação terrorista naquele período visava à luta armada para constituição de uma sociedade sem Estado – para isso, os anarquistas tinham como principal alvo algum chefe de Estado, e não seus cidadãos.

Durante a segunda metade do século XIX, as ações terroristas tiveram uma ascensão, e  no século XX, houve uma expansão dos grupos que optaram pelo terrorismo como forma de luta. Como consequência dessa expansão, o raio de atuação terrorista aumentou, surgindo novos grupos, como os separatistas bascos na Espanha, os curdos na Turquia e Iraque, os mulçumanos na Caxemira e as organizações paramilitares racistas de extrema-direita nos EUA. Um dos seguidores dessa última organização foi Timothy James McVeigh, terrorista que assassinou 168 pessoas em 1995, no conhecido atentado de Oklahoma.

Com o desenvolvimento da ciência e tecnologia no século XX, as ações terroristas passaram a ter um maior alcance e poder por meio de conexões globais sofisticadas, uso de tecnologia bélica de alto poder destrutivo, redes de comunicação (internet) etc.

 Terrorismo no Século XXI

No início do século XXI, principalmente após os ataques terroristas aos EUA, no ano de 2001, estudiosos classificaram o terrorismo sob quatro formatos:

 Terrorismo revolucionário: surgiu no século XX e seus praticantes ficaram conhecidos como guerrilheiros urbanos marxistas (maoístas, castristas, trotskistas e leninistas);

Terrorismo nacionalista: fundado por grupos que desejavam formar um novo Estado-nação dentro de um Estado já existente (separação territorial), como no caso do grupo terrorista separatista ETA na Espanha (o povo Basco não se identifica como espanhol, mas ocupa o território espanhol e é submetido ao governo da Espanha);

 Terrorismo de Estado: é praticado pelos Estados nacionais e seus atos integram duas ações. A primeira seria o terrorismo praticado contra a sua própria população. Foram exemplos dessa forma de terrorismo: os Estados totalitários Fascistas e Nazistas, a ditadura militar brasileira e a ditadura de Pinochet no Chile. A segunda forma constituiu-se como a luta contra a população estrangeira (xenofobia);

 Terrorismo de organizações criminosas, que são atos de violência praticados por fins econômicos e religiosos, como nos casos da máfia italiana, do Cartel de Medellín, da Al-Qaeda etc. 

No mundo contemporâneo, as ameaças terroristas são notícias recorrentes na imprensa. "Para a maior visualização do terrorismo mundial, a mídia exerce um papel fundamental. Mas é evidente que também cria um sensacionalismo em torno dos terroristas [...] a mídia ajuda a justificar a legalidade e a necessidade de ações antiterroristas que, muitas vezes, levam adiante banhos de sangue e violações aos direitos humanos que atingem mais a população civil do que os próprios terroristas” (SILVA; SILVA, 2005: 398-399).

 

Discurso sobre o Terror

 É importante refletir sobre o terror como prática e o discurso sobre o terror como definição de objetivos. A separação dessas ações é fundamental para a compreensão da prática terrorista e para a análise dos discursos construídos sobre o terrorismo. Feito isso, é possível entender as questões políticas e ideológicas que estão por trás das práticas e discursos sobre o terror. Assim sendo, estaremos mais aptos a questionar, lutar e compreender por que tantas pessoas matam e morrem por determinadas causas.

 É mais que necessário a sociedade compreender as ideologias que movem as práticas terroristas e os discursos construídos sobre essas práticas. A cada ano que passa, a humanidade sente-se mais acuada e receosa, temerosa de ataques com armas de destruição em massa. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog