Sun Tzu e A Arte da Guerra
Trate seus homens como filhos e eles o
seguirão aos vales mais escuros. Trate-os como filhos queridos e eles o
defenderão com a própria morte!
Foi um profundo conhecedor das manobras
militares e escreveu A ARTE DA GUERRA, ensinando estratégias de combate e
táticas de guerra.
O livro A Arte da Guerra é um rico e
verdadeiro tratado sobre planejamento, estratégia e liderança, que
definitivamente precisa estar na lista de livros de quem deseja aperfeiçoar
conhecimentos práticos sobre disciplina, tática, comando, lealdade,
gerenciamento de recursos, noções geográficas, enfim, sobre a natureza da
guerra e o sucesso militar (ou organizacional). É um livro inteligente, de
fácil leitura e muito útil, pois gera efeitos práticos reais em mentes
produtivas, se forem de fato aplicados. Hoje, A Arte da Guerra parece destinado
a secundar outra guerra: a das empresas no mundo dos negócios. Assim, o livro
migrou das estantes dos estrategistas para as do economista e do administrador.
No seu livro, Sun Tzu apresenta a premissa de que é melhor vencer a
guerra antes mesmo de desembainhar a espada; ou melhor ainda, desbaratar o
inimigo sem precisar fazer nada. Segundo ele, a vitória conquistada penosa e
custosamente, sempre traz um gosto amargo de derrota, mesmo para os próprios
vencedores. Daí tiramos uma grande lição: a primeira batalha que devemos travar
é contra nós mesmos.
Os seus princípios podem ser aplicados,
não só nas táticas militares, como
também, em quase todos os ramos da atividade humana. Seus ensinamentos alcançam
todos os indivíduos no confronto com seus oponentes, exércitos contra exércitos
e empresas contra os seus concorrentes. A doutrina diz respeito à organização
eficiente, à existência de uma cadeia de comando rígida e a uma estrutura de
apoio logístico.
A Arte da Guerra, obra permeada pelo pensamento político e filosofico do Tao Te King, também se iguala ao grande clássico taoísta na estrutura formal, composta por uma coleção de aforismos em geral atribuídos a um autor obscuro e quase lendário. Alguns taoístas acreditam que o Tao-Te King seja a transmissão de um conhecimento antigo, compilado e elaborado pelo seu "autor", e não uma obra totalmente original. O mesmo pode-se dizer de A Arte da Guerra. Seja lá como for, ambos os clássicos têm em comum a estrutura geral formada por linhas centrais que reaparecem ao longo do texto em contextos diferentes.
Planejamento Inicial
O primeiro capítulo de A Arte da Guerra é
dedicado à importância da estratégia. E afirma: "O líder planeja no
início, antes de começar a agir", e "o líder avalia os problemas e os
previne." Em termos de operações, A Arte da Guerra coloca cinco aspectos
que devem ser determinados antes de empreender qualquer ação: Caminho, o clima ou
ambiente, o terreno ou possibilidades, a liderança e a disciplina.
Nesse contexto, o Caminho (Tao) refere-se à
liderança civil, ou, antes, ao relacionamento entre a liderança política e a
população. Tanto na linguagem taoísta como na confucionista, um governo justo é
descrito como "imbuído pelo Tao", e Sun Tzu também fala do Caminho
como aquele que "induz o povo a ter o mesmo objetivo que os líderes".
O quinto elemento a ser avaliado, a
disciplina, refere-se à coerência e à eficiência organizacional. A disciplina
está muito ligada à confiabilidade e à austeridade, ambas desejáveis nos
líderes, militares ou civis, visto que ela utiliza os mecanismos
correspondentes da recompensa e da punição. Muita ênfase é posta na tarefa de
estabelecer um sistema claro e objetivo de prémios e castigos que seja aceite
pelos guerreiros como justo e imparcial. Este foi um dos aspectos mais
importantes do Legalismo, uma escola de pensamento que surgiu durante o período
dos Estados Belicosos e que acentua mais o valor da organização racional do
estatuto da lei do que o de um governo feudal personalista.
A teoria de Sun Tzu, da adaptabilidade às
situações, constitui uma importante faceta do seu pensar. Tal como a água se
adapta à conformação do terreno, também qualquer luta terá de ser adaptável,
empregando-se com frequência táticas de conformidade com as posições dos
adversários. Isso não é, de modo algum, um conceito passivo, dado que, se dermos trela suficiente ao inimigo, ele
próprio, muitas vezes, se esganará nela. Em determinados casos, deixar-se-ão
perder cidades, sacrificar-se-ão porções das próprias forças ou ceder-se-á
terreno com o intuito de se ganhar qualquer outro objetivo mais valioso. Este
tipo de cedências, disfarçando propósitos maiores, não é mais do que ainda
outra das características da flexibilidade mental típica do especialista. Por
tudo o que dissemos acima, aconselhamos a inclusão deste livro, acompanhado, se
possível, dos Treze Momentos, do mesmo autor, nas bibliotecas dos responsáveis
por qualquer empreendimento.
Os 36 estratagemas
Capítulo 1: Estratagemas Principais
Engane os céus para cruzar o mar.
Mascare os objetivos reais de quem está em
posição de autoridade e não tem visão, não os alertando para os movimentos de
alguém ou para qualquer parte de seu plano.
Ataque usando a força de outro quando em
uma situação em que usar a própria força não seja favorável. Por exemplo,
engane um aliado para atacá-los ou use a própria força do inimigo contra eles.
A ideia é causar danos ao inimigo por meio de um terceiro.
É vantajoso escolher a hora e o local da
batalha, enquanto o inimigo não está preparado. Encoraje o inimigo a gastar sua
energia em missões fúteis enquanto conserva sua força. Quando o inimigo estiver
exausto e confuso, ataque com energia e propósito.
Quando um país é assolado por problemas
internos, como doenças, fome, corrupção e crime, ele está mal equipado para
lidar com uma ameaça externa. Continue coletando informações internas sobre um
inimigo. Se o inimigo estiver em seu estado mais fraco, ataque-o sem piedade e
aniquile-o para evitar problemas futuros.
Em qualquer batalha, o elemento surpresa
pode fornecer uma vantagem avassaladora. Mesmo quando cara a cara com um
inimigo, a surpresa ainda pode ser empregada atacando onde menos se espera.
Crie uma expectativa na mente do inimigo com o uso de uma finta. Manipule o
inimigo para concentrar seus recursos em algum lugar antes de atacar em outro
lugar que esteja mal defendido. Taticamente, isso é conhecido como "finta
aberta".
Crie algo do nada
Uma simples mentira. Faça alguém acreditar
que existe algo quando na verdade não existe nada ou vice-versa.
Repare abertamente as estradas da galeria,
mas esgueire-se pela passagem de Chencang
Engane o inimigo com uma abordagem óbvia
que levará muito tempo, enquanto o embosca com outra abordagem. É uma extensão
da tática "Faça um som no leste, depois ataque no oeste", mas em vez
de meramente espalhar desinformação para chamar a atenção do inimigo, iscas
físicas são usadas para desviar ainda mais o inimigo. As iscas devem ser
facilmente vistas pelo inimigo para chamar sua atenção enquanto agem como se
fossem feitos para fazer o que estão fazendo falsamente para evitar suspeitas.
Hoje, na China "esgueirar-se pela
passagem de Chencang" também significa ter um caso ou fazer algo que é
ilegal.
Atrase a entrada no campo de batalha até
que todas as outras partes fiquem exaustas por lutarem entre si. Vá com força
total e acabe com eles.
Encante e conquiste o inimigo. Quando a sua
confiança for conquistada, mova-se contra eles em segredo.
Existem circunstâncias em que os objetivos
de curto prazo devem ser sacrificados para se atingir a meta de longo prazo.
Esta é a estratégia do bode expiatório onde alguém sofre as consequências para
que os demais não sofram.
Na execução dos seus planos, seja flexível
o suficiente para aproveitar qualquer oportunidade que se apresente, por menor
que seja, e aproveite qualquer lucro, por menor que seja.
Pise na grama para assustar a cobra
Faça algo inesperado, mas espetacular
("acertar a grama") para provocar uma resposta do inimigo
("assustar a cobra") para que ele revele seus planos ou posição. Faça
algo incomum, estranho e inesperado para despertar a suspeita do inimigo e
perturbar seu pensamento. É mais amplamente usado como um aviso: "[Não]
assuste a cobra batendo na grama". Um ato imprudente entregará a posição
ou as intenções de alguém ao inimigo.
Pegue uma instituição, uma tecnologia, um
método ou mesmo uma ideologia que foi esquecida ou descartada e aproprie-se
dela para seus próprios fins.
Nunca ataque diretamente um oponente cuja
vantagem seja derivada da sua posição. Em vez disso, atraia-o para longe da sua
posição para separá-lo da sua fonte de força.
As presas encurraladas geralmente montam
um ataque final desesperado. Para evitar isso, deixe o inimigo acreditar que
ainda tem uma chance de liberdade. Sua vontade de lutar é prejudicada pelo
desejo de escapar. O moral do inimigo ficará esgotado e ele se renderá sem
lutar quando a ilusão de fuga for revelada.
Atraia alguém fazendo-o acreditar que
ganhou algo ou apenas faça-o reagir a isso ("jogue fora um tijolo")
para obter algo valioso dele em troca ("pegue uma gema de jade").
Se o exército inimigo for forte, mas for
aliado do comandante apenas por dinheiro, superstição ou ameaças, mire no
líder. Se o comandante cair, o resto do exército se dispersará ou se juntará ao
seu lado. Se eles se aliarem ao líder por lealdade, cuidado, pois o exército
pode continuar a lutar após sua morte por vingança.
Remova a lenha de debaixo da panela
Retire o principal argumento ou ativo de
alguém; "roubar o trovão de alguém". Esta é a essência da abordagem
indireta: em vez de atacar as forças de combate do inimigo, ataques diretos
contra sua capacidade de travar a guerra. Literalmente, tire o combustível do
fogo.
Crie confusão e explore-a para promover
seus próprios objetivos.
Mascare-se. Deixe seus traços distintivos
para trás e torne-se imperceptível ou se disfarce de outra coisa ou outra
pessoa. Essa estratégia é usada principalmente para escapar de um inimigo mais
forte.
Para capturar o inimigo, ou mais
geralmente em guerras, para desferir o golpe final no inimigo, planeje com
prudência para o sucesso; não se precipite para a ação. Antes de "entrar
em ação para matar", primeiro corte as rotas de fuga do inimigo e
quaisquer rotas de ajuda externa.
Invadir nações próximas a você tem uma
chance maior de sucesso. Os campos de batalha estão próximos ao domínio de
alguém e, como tal, é mais fácil para as tropas receberem suprimentos e
defenderem as terras conquistadas. Faça aliados com nações distantes de você,
pois não é sensato invadi-las.
Peça emprestados os recursos de um aliado
para atacar um inimigo comum. Assim que o inimigo for derrotado, use esses
recursos para atacar o aliado que os emprestou em primeiro lugar.
Substitua as vigas por madeiras podres
Desorganize as formações inimigas, interfira
em seus métodos de operação e mude as regras que eles estão acostumados a
seguir. Desta forma, o pilar de sustentação, o elo comum que faz de um grupo de
homens uma força de combate eficaz, é removido.
Disciplinar, controlar ou advertir os
outros cujo status ou posição os exclui do confronto direto; use analogia e
insinuação. Sem nomear diretamente os nomes, os acusados não podem retaliar sem
revelar sua cumplicidade.
Finja ser incompetente para criar confusão
sobre as próprias intenções e motivações. Seduza o oponente a subestimar a
habilidade de alguém até que ele baixe a guarda.
Com iscas e enganos, atraia o inimigo para
terreno traiçoeiro e corte suas linhas de comunicação e rotas de fuga. Para se
salvarem, eles devem lutar contra as próprias forças e os elementos da
natureza.
Amarrar flores de seda em uma árvore morta
dá a ilusão de que a árvore é saudável. Usando artifícios e disfarces, faça algo sem valor parecer valioso e vice-versa.
Usurpar a liderança em uma situação em que
normalmente se é subordinado. Infiltrar-se no alvo. Inicialmente, finja ser um
convidado para ser aceito, mas evolua por dentro e se torne o dono depois.
A armadilha da beleza (Honeypot)
Envie ao inimigo belas mulheres para
causar discórdia dentro de seu acampamento. Essa estratégia pode funcionar em
três níveis. Primeiro, o governante fica tão apaixonado pela beleza que
negligencia seus deveres e permite que sua vigilância diminua. Em segundo
lugar, o grupo de homens começará a ter problemas se a mulher desejada cortejar
outro homem, criando assim conflito e comportamento agressivo. Terceiro, outras
mulheres na corte, motivadas por ciúme e inveja, começam a tramar subversões
que agravam ainda mais a situação.
Quando o inimigo tem forças mais fortes e se
espera ser derrotado a qualquer momento, aja com calma e provoque o inimigo,
para que ele pense que está caminhando para uma emboscada. Esse estratagema só
tem sucesso se, na maioria dos casos, houver uma força oculta poderosa e o
estratagema raramente for usado.
Mina a habilidade do inimigo de lutar
secretamente causando discórdia entre eles e seus amigos, aliados,
conselheiros, família, comandantes, soldados e população. Enquanto eles estão
preocupados em resolver disputas internas, sua capacidade de atacar ou defender
fica comprometida.
Fingir estar ferido tem duas vantagens:
primeiro, o inimigo é levado a baixar a guarda, visto que não o considera mais
como uma ameaça imediata. Em segundo lugar, insinuar-se com o inimigo fingindo
que o dano foi causado por um inimigo mútuo conserva a força enquanto os
inimigos lutam entre si.
Em assuntos importantes, deve-se usar
vários estratagemas aplicados simultaneamente um após o outro, como em uma
cadeia. Manter planos diferentes operando em um esquema geral; se alguma
estratégia falhar, aplique a próxima estratégia.
Se ficar óbvio que o curso de ação atual
de alguém levará à derrota, recue e reagrupe. Quando um lado está perdendo,
três opções permanecem: render-se, transigir ou fugir. A rendição é a derrota
completa, o compromisso é a metade da derrota, mas a fuga não é a derrota.
Enquanto não for derrotado, ainda há uma chance.




Comentários
Postar um comentário