Sun Tzu e A Arte da Guerra

 Um líder lidera pelo exemplo, não pela força.

Trate seus homens como filhos e eles o seguirão aos vales mais escuros. Trate-os como filhos queridos e eles o defenderão com a própria morte!

 Sun Tzu foi um general chinês que viveu no século IV AC e que no comando do exército real de Wu acumulou inúmeras vitórias, derrotando exércitos inimigos e capturando seus comandantes.

Foi um profundo conhecedor das manobras militares e escreveu A ARTE DA GUERRA, ensinando estratégias de combate e táticas de guerra.

O livro A Arte da Guerra é um rico e verdadeiro tratado sobre planejamento, estratégia e liderança, que definitivamente precisa estar na lista de livros de quem deseja aperfeiçoar conhecimentos práticos sobre disciplina, tática, comando, lealdade, gerenciamento de recursos, noções geográficas, enfim, sobre a natureza da guerra e o sucesso militar (ou organizacional). É um livro inteligente, de fácil leitura e muito útil, pois gera efeitos práticos reais em mentes produtivas, se forem de fato aplicados. Hoje, A Arte da Guerra parece destinado a secundar outra guerra: a das empresas no mundo dos negócios. Assim, o livro migrou das estantes dos estrategistas para as do economista e do administrador.

No seu livro, Sun Tzu  apresenta a premissa de que é melhor vencer a guerra antes mesmo de desembainhar a espada; ou melhor ainda, desbaratar o inimigo sem precisar fazer nada. Segundo ele, a vitória conquistada penosa e custosamente, sempre traz um gosto amargo de derrota, mesmo para os próprios vencedores. Daí tiramos uma grande lição: a primeira batalha que devemos travar é contra nós mesmos.

Os seus princípios podem ser aplicados, não só  nas táticas militares, como também, em quase todos os ramos da atividade humana. Seus ensinamentos alcançam todos os indivíduos no confronto com seus oponentes, exércitos contra exércitos e empresas contra os seus concorrentes. A doutrina diz respeito à organização eficiente, à existência de uma cadeia de comando rígida e a uma estrutura de apoio logístico. 

A Arte da Guerra, obra permeada pelo pensamento político e filosofico do Tao Te King, também se iguala ao grande clássico taoísta na estrutura formal, composta por uma coleção de aforismos em geral atribuídos a um autor obscuro e quase lendário. Alguns taoístas acreditam que o Tao-Te King seja a transmissão de um conhecimento antigo, compilado e elaborado pelo seu "autor", e não uma obra totalmente original. O mesmo pode-se dizer de A Arte da Guerra. Seja lá como for, ambos os clássicos têm em comum a estrutura geral formada por linhas centrais que reaparecem ao longo do texto em contextos diferentes.

Planejamento Inicial

O primeiro capítulo de A Arte da Guerra é dedicado à importância da estratégia. E afirma: "O líder planeja no início, antes de começar a agir", e "o líder avalia os problemas e os previne." Em termos de operações, A Arte da Guerra coloca cinco aspectos que devem ser determinados antes de empreender qualquer ação: Caminho, o clima ou ambiente, o terreno ou possibilidades, a liderança e a disciplina.

Nesse contexto, o Caminho (Tao) refere-se à liderança civil, ou, antes, ao relacionamento entre a liderança política e a população. Tanto na linguagem taoísta como na confucionista, um governo justo é descrito como "imbuído pelo Tao", e Sun Tzu também fala do Caminho como aquele que "induz o povo a ter o mesmo objetivo que os líderes".

O quinto elemento a ser avaliado, a disciplina, refere-se à coerência e à eficiência organizacional. A disciplina está muito ligada à confiabilidade e à austeridade, ambas desejáveis nos líderes, militares ou civis, visto que ela utiliza os mecanismos correspondentes da recompensa e da punição. Muita ênfase é posta na tarefa de estabelecer um sistema claro e objetivo de prémios e castigos que seja aceite pelos guerreiros como justo e imparcial. Este foi um dos aspectos mais importantes do Legalismo, uma escola de pensamento que surgiu durante o período dos Estados Belicosos e que acentua mais o valor da organização racional do estatuto da lei do que o de um governo feudal personalista.

A teoria de Sun Tzu, da adaptabilidade às situações, constitui uma importante faceta do seu pensar. Tal como a água se adapta à conformação do terreno, também qualquer luta terá de ser adaptável, empregando-se com frequência táticas de conformidade com as posições dos adversários. Isso não é, de modo algum, um conceito passivo, dado que, se  dermos trela suficiente ao inimigo, ele próprio, muitas vezes, se esganará nela. Em determinados casos, deixar-se-ão perder cidades, sacrificar-se-ão porções das próprias forças ou ceder-se-á terreno com o intuito de se ganhar qualquer outro objetivo mais valioso. Este tipo de cedências, disfarçando propósitos maiores, não é mais do que ainda outra das características da flexibilidade mental típica do especialista. Por tudo o que dissemos acima, aconselhamos a inclusão deste livro, acompanhado, se possível, dos Treze Momentos, do mesmo autor, nas bibliotecas dos responsáveis por qualquer empreendimento.

 

                    Os 36 estratagemas

 

Capítulo 1: Estratagemas Principais

Engane os céus para cruzar o mar.

Mascare os objetivos reais de quem está em posição de autoridade e não tem visão, não os alertando para os movimentos de alguém ou para qualquer parte de seu plano.

 Quando o inimigo é muito forte para ser atacado diretamente, ataque algo que eles apreciem. A ideia é evitar uma batalha frontal com um inimigo forte e, em vez disso, atacar sua fraqueza em outro lugar. Isso forçará o inimigo forte a recuar para apoiar sua fraqueza. Lutar contra um inimigo cansado e desanimado terá uma chance muito maior de sucesso.

 Mate com uma faca emprestada

Ataque usando a força de outro quando em uma situação em que usar a própria força não seja favorável. Por exemplo, engane um aliado para atacá-los ou use a própria força do inimigo contra eles. A ideia é causar danos ao inimigo por meio de um terceiro.

 Espere no lazer enquanto o inimigo trabalha

É vantajoso escolher a hora e o local da batalha, enquanto o inimigo não está preparado. Encoraje o inimigo a gastar sua energia em missões fúteis enquanto conserva sua força. Quando o inimigo estiver exausto e confuso, ataque com energia e propósito.

 Saqueie uma casa em chamas

Quando um país é assolado por problemas internos, como doenças, fome, corrupção e crime, ele está mal equipado para lidar com uma ameaça externa. Continue coletando informações internas sobre um inimigo. Se o inimigo estiver em seu estado mais fraco, ataque-o sem piedade e aniquile-o para evitar problemas futuros.

 Faça um som no leste e, em seguida, ataque no oeste

Em qualquer batalha, o elemento surpresa pode fornecer uma vantagem avassaladora. Mesmo quando cara a cara com um inimigo, a surpresa ainda pode ser empregada atacando onde menos se espera. Crie uma expectativa na mente do inimigo com o uso de uma finta. Manipule o inimigo para concentrar seus recursos em algum lugar antes de atacar em outro lugar que esteja mal defendido. Taticamente, isso é conhecido como "finta aberta".

 Capítulo 2: Estratagemas de negociação com o inimigo

Crie algo do nada

Uma simples mentira. Faça alguém acreditar que existe algo quando na verdade não existe nada ou vice-versa.

Repare abertamente as estradas da galeria, mas esgueire-se pela passagem de Chencang

Engane o inimigo com uma abordagem óbvia que levará muito tempo, enquanto o embosca com outra abordagem. É uma extensão da tática "Faça um som no leste, depois ataque no oeste", mas em vez de meramente espalhar desinformação para chamar a atenção do inimigo, iscas físicas são usadas para desviar ainda mais o inimigo. As iscas devem ser facilmente vistas pelo inimigo para chamar sua atenção enquanto agem como se fossem feitos para fazer o que estão fazendo falsamente para evitar suspeitas.

Hoje, na China "esgueirar-se pela passagem de Chencang" também significa ter um caso ou fazer algo que é ilegal.

 Observe o fogo queimando no rio

Atrase a entrada no campo de batalha até que todas as outras partes fiquem exaustas por lutarem entre si. Vá com força total e acabe com eles.

 Esconda uma faca atrás de um sorriso

Encante e conquiste o inimigo. Quando a sua confiança for conquistada, mova-se contra eles em segredo.

 Sacrifique a ameixeira para preservar o pessegueiro

Existem circunstâncias em que os objetivos de curto prazo devem ser sacrificados para se atingir a meta de longo prazo. Esta é a estratégia do bode expiatório onde alguém sofre as consequências para que os demais não sofram.

 Aproveite a oportunidade para roubar uma cabra

Na execução dos seus planos, seja flexível o suficiente para aproveitar qualquer oportunidade que se apresente, por menor que seja, e aproveite qualquer lucro, por menor que seja.

 Capítulo 3: Estratagemas de ataque

Pise na grama para assustar a cobra

Faça algo inesperado, mas espetacular ("acertar a grama") para provocar uma resposta do inimigo ("assustar a cobra") para que ele revele seus planos ou posição. Faça algo incomum, estranho e inesperado para despertar a suspeita do inimigo e perturbar seu pensamento. É mais amplamente usado como um aviso: "[Não] assuste a cobra batendo na grama". Um ato imprudente entregará a posição ou as intenções de alguém ao inimigo.

 Pegue emprestado um cadáver para ressuscitar a alma

Pegue uma instituição, uma tecnologia, um método ou mesmo uma ideologia que foi esquecida ou descartada e aproprie-se dela para seus próprios fins.

 Atraia o tigre para fora de seu covil na montanha

Nunca ataque diretamente um oponente cuja vantagem seja derivada da sua posição. Em vez disso, atraia-o para longe da sua posição para separá-lo da sua fonte de força.

 Para capturar, é preciso soltar

As presas encurraladas geralmente montam um ataque final desesperado. Para evitar isso, deixe o inimigo acreditar que ainda tem uma chance de liberdade. Sua vontade de lutar é prejudicada pelo desejo de escapar. O moral do inimigo ficará esgotado e ele se renderá sem lutar quando a ilusão de fuga for revelada.

 Jogando um tijolo para pegar uma joia de jade

Atraia alguém fazendo-o acreditar que ganhou algo ou apenas faça-o reagir a isso ("jogue fora um tijolo") para obter algo valioso dele em troca ("pegue uma gema de jade").

 Derrote o inimigo capturando seu chefe

Se o exército inimigo for forte, mas for aliado do comandante apenas por dinheiro, superstição ou ameaças, mire no líder. Se o comandante cair, o resto do exército se dispersará ou se juntará ao seu lado. Se eles se aliarem ao líder por lealdade, cuidado, pois o exército pode continuar a lutar após sua morte por vingança.

 Capítulo 4: estratagemas do caos

Remova a lenha de debaixo da panela

Retire o principal argumento ou ativo de alguém; "roubar o trovão de alguém". Esta é a essência da abordagem indireta: em vez de atacar as forças de combate do inimigo, ataques diretos contra sua capacidade de travar a guerra. Literalmente, tire o combustível do fogo.

 Agite a água e pegue um peixe

Crie confusão e explore-a para promover seus próprios objetivos.

 Jogue fora a casca dourada da cigarra

Mascare-se. Deixe seus traços distintivos para trás e torne-se imperceptível ou se disfarce de outra coisa ou outra pessoa. Essa estratégia é usada principalmente para escapar de um inimigo mais forte.

 Feche a porta para pegar o ladrão

Para capturar o inimigo, ou mais geralmente em guerras, para desferir o golpe final no inimigo, planeje com prudência para o sucesso; não se precipite para a ação. Antes de "entrar em ação para matar", primeiro corte as rotas de fuga do inimigo e quaisquer rotas de ajuda externa.

 Faça amizade com um estado distante e ataque um vizinho

Invadir nações próximas a você tem uma chance maior de sucesso. Os campos de batalha estão próximos ao domínio de alguém e, como tal, é mais fácil para as tropas receberem suprimentos e defenderem as terras conquistadas. Faça aliados com nações distantes de você, pois não é sensato invadi-las.

 Obtenha passagem segura para conquistar o Estado de Guo

Peça emprestados os recursos de um aliado para atacar um inimigo comum. Assim que o inimigo for derrotado, use esses recursos para atacar o aliado que os emprestou em primeiro lugar.

 Capítulo 5: Estratagemas aproximados

Substitua as vigas por madeiras podres

Desorganize as formações inimigas, interfira em seus métodos de operação e mude as regras que eles estão acostumados a seguir. Desta forma, o pilar de sustentação, o elo comum que faz de um grupo de homens uma força de combate eficaz, é removido.

 Aponte para a amoreira enquanto amaldiçoa a alfarrobeira

Disciplinar, controlar ou advertir os outros cujo status ou posição os exclui do confronto direto; use analogia e insinuação. Sem nomear diretamente os nomes, os acusados não podem retaliar sem revelar sua cumplicidade.

 Finja loucura, mas mantenha o equilíbrio

Finja ser incompetente para criar confusão sobre as próprias intenções e motivações. Seduza o oponente a subestimar a habilidade de alguém até que ele baixe a guarda.

 Remova a escada quando o inimigo tiver subido ao telhado

Com iscas e enganos, atraia o inimigo para terreno traiçoeiro e corte suas linhas de comunicação e rotas de fuga. Para se salvarem, eles devem lutar contra as próprias forças e os elementos da natureza.

 Decore a árvore com flores falsas

Amarrar flores de seda em uma árvore morta dá a ilusão de que a árvore é saudável. Usando artifícios e disfarces, faça algo sem valor parecer valioso e vice-versa.

 Faça o anfitrião e o convidado trocarem papéis

Usurpar a liderança em uma situação em que normalmente se é subordinado. Infiltrar-se no alvo. Inicialmente, finja ser um convidado para ser aceito, mas evolua por dentro e se torne o dono depois.

 Capítulo 6: Estratagemas desesperados

A armadilha da beleza (Honeypot)

Envie ao inimigo belas mulheres para causar discórdia dentro de seu acampamento. Essa estratégia pode funcionar em três níveis. Primeiro, o governante fica tão apaixonado pela beleza que negligencia seus deveres e permite que sua vigilância diminua. Em segundo lugar, o grupo de homens começará a ter problemas se a mulher desejada cortejar outro homem, criando assim conflito e comportamento agressivo. Terceiro, outras mulheres na corte, motivadas por ciúme e inveja, começam a tramar subversões que agravam ainda mais a situação.

 A estratégia do forte vazio

Quando o inimigo tem forças mais fortes e se espera ser derrotado a qualquer momento, aja com calma e provoque o inimigo, para que ele pense que está caminhando para uma emboscada. Esse estratagema só tem sucesso se, na maioria dos casos, houver uma força oculta poderosa e o estratagema raramente for usado.

 Deixe o próprio espião do inimigo semear discórdia no campo inimigo

Mina a habilidade do inimigo de lutar secretamente causando discórdia entre eles e seus amigos, aliados, conselheiros, família, comandantes, soldados e população. Enquanto eles estão preocupados em resolver disputas internas, sua capacidade de atacar ou defender fica comprometida.

 Infligir a si mesmo para ganhar a confiança do inimigo

Fingir estar ferido tem duas vantagens: primeiro, o inimigo é levado a baixar a guarda, visto que não o considera mais como uma ameaça imediata. Em segundo lugar, insinuar-se com o inimigo fingindo que o dano foi causado por um inimigo mútuo conserva a força enquanto os inimigos lutam entre si.

 Estratagemas em cadeia

Em assuntos importantes, deve-se usar vários estratagemas aplicados simultaneamente um após o outro, como em uma cadeia. Manter planos diferentes operando em um esquema geral; se alguma estratégia falhar, aplique a próxima estratégia.

 Se tudo mais falhar, recue

Se ficar óbvio que o curso de ação atual de alguém levará à derrota, recue e reagrupe. Quando um lado está perdendo, três opções permanecem: render-se, transigir ou fugir. A rendição é a derrota completa, o compromisso é a metade da derrota, mas a fuga não é a derrota. Enquanto não for derrotado, ainda há uma chance.

 Este é o mais famoso dos estratagemas e está imortalizado na forma de uma expressão chinesa: "Dos Trinta e Seis Estratagemas, o melhor é fugir" 

  



 

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