3 Dom Obá II D'África
O popular líder afro-brasileiro Dom Obá II D'África
nasceu Cândido da Fonseca Galvão, em Lençóis, interior da então província da
Bahia. Dom Obá era filho de um escravo africano libertado. Ele também era um
príncipe africano, considerado neto de Aláàfin Abiodun, o fundador do Império
Ioruba. Cândido intitulava-se “príncipe dom Obá II”, referindo-se a seu pai
como “príncipe dom Obá.
Um príncipe
guerreiro, Dom Obá foi voluntário com as forças brasileiras na Guerra do
Paraguai (1865-1870). Em reconhecimento à sua bravura, foi nomeado oficial
honorário do exército. Após ser desmobilizado, Dom Obá se estabeleceu no Rio de
Janeiro, capital do Brasil, onde lutou pelos direitos dos pobres e pela
abolição da escravidão.
Para a elite branca,
Dom Obá era considerado uma figura "meio enlouquecida" que o
imperador brasileiro, Dom Pedro II, se equivocou o suficiente para receber no
palácio. Para os escravos e negros do Rio, porém, ele era reverenciado como um
verdadeiro soberano africano. Seus seguidores pagavam-lhe um dízimo, caíam de
joelhos diante dele e se reuniam em lugares públicos para ouvir seus artigos,
que eram publicados na imprensa popular, sendo lidos em voz alta.
Com uma visão
alternativa da sociedade brasileira e de seu processo histórico, Dom Obá foi,
ao menos em tese, um monarquista que se posicionou acima de todos os partidos
políticos. Foi, em suas próprias palavras, "um conservador para conservar
o que é bom", bem como "um liberal para reprimir os assassinatos que
ocorreram na atualidade por ordem de certos potentados" (Dom Obá II
D'África, 1885, p. 5).
A luta contra o
racismo foi um elemento crucial no pensamento e na prática política de Dom Obá.
Para ele “é justo que o Brasil desista da questão da cor,
porque a verdadeira questão é o valor e quando um homem tem valor não se deve
olhar para que cor ele é” (Dom Obá II D'África, 1887, p. 4). Em seus artigos, o
príncipe falava em nome dos "negros e pardos" (mestiços). Ele também
apresentou formulações aparentemente originais, chegando a uma percepção
estética notavelmente semelhante à abordagem "black is beautiful"
desenvolvida nos Estados Unidos na década de 1960. Dom Obá encorajou os seus
seguidores a achar que o preto não era apenas bonito, mas "superior aos
melhores diamantes". Dom Obá tinha o hábito de realizar
anualmente uma visita oficial ao Paço, onde era recebido como herdeiro de
seu avô. Foi defensor da monarquia brasileira, atuou na campanha abolicionista e no combate ao racismo.
Com a queda do Império, em 1889, foi perseguido pelos republicanos, que cassaram seu posto de alferes. Morreu logo depois, em julho de 1890.




Comentários
Postar um comentário