Karl Heinrich Marx

Uma inteligência produtiva e uma Mentalidade Execrável

Um exemplo negativo e algumas ideias aproveitáveis

“Avant Propos”

É minha convicção que os integrantes da indústria hoteleira, como aliás todos os indivíduos, se devem valorizar com conhecimentos gerais que lhes permitam evoluir na vida e na carreira profissional. Por essa razão tenho tentado integrar escritos não profissionais nas minhas postagens. Que me desculpem os que discordarem desta posição, mas estou tentando ser positivo no que acho ser necessário e me ajudou muito. Obrigado por continuarem me acompanhando.

Neste caso, quero apenas informar e mostrar como pessoas com alguns pensamentos positivos mas ideais negativos, podem agrupar e arregimentar grandes multidões de seguidores, mostrando Utopias como possibilidades e tentando tirar partido disso. E mostrar que a vida de Marx é um exemplo negativo para qualquer pessoa, embora ainda se façam uso dos seus escritos culturais, que são bons, e muitos procurem impor os políticos com  propósitos criticáveis, prejudicando a utilização das sequencias aproveitáveis, do seu legado intelectual.

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Karl Heinrich Marx, conhecido apenas como Karl Marx foi um revolucionário e intelectual alemão, fundador da doutrina que conduziu à teoria comunista moderna. Além disso, ele ainda atuou como filósofo, economista, historiador, jornalista e teórico político. Os pensamentos e as ideias de Karl Marx acabaram influenciando diversas áreas de estudo, em especial a Geografia, a Filosofia, a Teologia, o Direito, a História, a Literatura, a Sociologia, a Antropologia, a Ciência Política, a Pedagogia, a Economia, a Administração, a Cosmologia, a Ecologia, a Arquitetura, a Comunicação, a Biologia, a Física e a Psicologia. Embora as suas teorias Políticas fossem lamentáveis e a sua Biografia como ser humano altamente reprovável.

As suas teorias sobre a economia, a sociedade e a política, ficaram conhecidas popularmente como marxismo, e afirmavam que só através da luta de classes era possível que a sociedade humana progredisse, ou seja, o proletariado era quem fornecia a mão de obra para que se produzisse e a classe da burguesia controlava a produção. A ditadura burguesa foi chamada por esse filósofo de “capitalismo”, por ele acreditar que ela era executada pelas classes ricas para manterem os seus privilégios e benefícios. Assim como já havia acontecido com os sistemas sociais e econômicos antecedentes, o capitalismo acabou gerando diversas tensões, culminando na sua extinção até ser substituído por um sistema novo, que recebeu o nome de Socialismo. Segundo Marx, uma sociedade socialista seria governada por uma ditadura do proletariado, uma classe de trabalhadores, também conhecida como democracia dos trabalhadores. Enquanto vivo, as suas ideias e teorias não receberam a devida atenção de estudiosos. Mas depois de sua morte, esse cenário mudou bruscamente. Nos primeiros anos que a sucederam, as teorias de Marx conseguiram obter forte influência política e também intelectual dos movimentos operários, através da implantação do Comunismo na Rússia, de tão má memória, pelo também judeu Lenin e seu grupo, ao formarem o que seria o bolchevismo, ao qual se juntaram outros agrupamentos e a marinha, através da famosa revolta de Odessa.

A ideologia marxista é uma crítica radical às sociedades capitalistas, mas não se limita apenas a teoria. Aliás, Karl acaba sendo opositor entre a prática e a teoria dessa ideia, ou seja, contra a separação da realidade e do pensamento.

Além disso, ele avalia que o trabalho é a atividade fundadora da sociedade e de toda a humanidade. E este, acaba-se desenvolvendo de maneira social, já que o próprio homem é um ser social. Sendo assim, as relações entre os homens sociais e de produção, acabam fundando o processo de formação da sociedade. E é a partir desse conceito que Marx identifica e apresenta as demais ciências e a alienação do trabalho.

Alguns dos principais estudos e leituras que Marx fez foi sobre o socialismo utópico, a filosofia alemã e a economia clássica política. Uma das suas ideias era o conceito de classes sociais. Para ele, as relações de produção acabam por controlar a distribuição dos produtos e dos meios de produção, e ainda a apropriação do trabalho e de toda essa distribuição. Esse processo acaba resultando em que a sociedade se divida.

Com o conceito da Mais-Valia, tentou explicar como o lucro era obtido em um sistema capitalista. Se o trabalho e a mão de obra, acabam gerando certa riqueza, a mais-valia seria o valor adicional de uma mercadoria, ou seja, a diferença existente pelo que o empregado recebe, no que ele produz.

 


Teve uma vida atribulada e sofreu muitas restrições. Quando jovem, ele viveu o outro lado da história, criando essa visão que se transformou numa das filosofias mais marcantes na história da sua vida, a crítica ao capitalismo e à propriedade privada que ele nunca conseguiu pois foi sempre um esbanjador.

Karl Marx nasceu em 1818 na cidade de Tréveris na época em que o território que conhecemos hoje como Alemanha era uma união de estados confederados e reinos. Foi criado com mais oito irmãos. 

Seus pais eram Heinrich Marx, um advogado bem sucedido e Henriette Pressburg, dona de casa de origem holandesa que nasceu na família Phillips, que hoje conhecemos por causa do império eletrônico. Judeus, tiveram que se converter ao cristianismo em virtude da repressão religiosa da época (fato que mais tarde refletiu na ideologia do filho, que em uma de suas mais famosas frases disse: "A religião é o ópio do povo". “O comunismo não é uma melhoria da Sociedade existente, é a formação de uma nova Sociedade”).

Deveria talvez dizer “A religião é o único refúgio do povo”, mas tal como muitos ainda fazem hoje, usou as palavras que melhor serviam para apoiar os seus pensamentos políticos, escondendo que Jesus Cristo foi talvez o primeiro a apresentar os ideais da Humanidade e dos Direitos Humanos, de uma forma acessível a todos, usando apenas a compreensão humana e os conceitos da Razão.

 A educação de Marx foi privilegiada por causa do dinheiro dos pais, e ele formou-se aos dezessete anos no Liceu Friedrich Wilhelm. 

Quando o jovem Marx se formou no ensino médio, seu pai desejava e incentivava que o filho logo ingressasse na faculdade de direito, conseguindo que este, ainda com dezessete anos, entrasse na Universidade de Bonn rumo à advocacia. 

Frequentador assíduo de festas, bebedeiras, grupos de poesia e fraternidades arruaceiras, levou a que após um ano o pai o transferisse para a Universidade de Berlim, esperando que encontrasse melhor rumo. O tiro saiu pela culatra: foi lá que Marx enveredou de vez pelo caminho da filosofia, abandonando o direito. E as aulas com o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel garantiram a passagem sem volta de Marx para ideologias hoje ditas esquerdistas e a vida política. 

Enquanto ainda estudava filosofia na Universidade de Berlim, Marx perdeu o pai, o que o deixou em maus lençóis em termos financeiros. Apesar da fatalidade, conseguiu o seu título de doutor em 1841, aos 23 anos de idade, mas isso não valeu de nada: a sua posição liberal e abertamente contra a elite ditatorial prussiana, acabou com o sonho de dar aulas como professor universitário. 

A saída que encontrou então, foi trabalhar como jornalista. Como redator-chefe da Gazeta de Renania, Marx escrevia sobre seus ideais de democracia e socialismo, de uma forma agressiva. A liberdade durou pouco, pois em um ano apenas, o jornal foi censurado pelo governo, fechando em 1943. 

A família de Karl Marx era vizinha e amiga da do barão Ludwig von Westphalen, e o aristocrata chegou a adotar Marx como discípulo, ensinando-lhe filosofia e literatura. Nesse meio tempo, Karl se apaixonou pela filha deste, Jenny. Namoraram e noivaram em segredo, pois as famílias não concordavam com a relação.  Jenny era quatro anos mais velha que Marx, e estava também perdidamente apaixonada. O casamento aconteceu, mas no entanto, sofreu vários golpes: dos sete filhos que tiveram, quatro morreram na infância devido a problemas de saúde e à condição precária em que vivia a família. Sustentavam-se de doações, vindas das famílias e de Engels, que se tornou o amigo mais próximo, tutor e salvador de Marx. 

Para completar o quadro negativo, Marx ainda traiu a esposa em 1851 com a governanta da família, Helene Demuth. A traição gerou um filho bastardo que foi adotado por Engels. 

O quadro conhecido é que em 1843 Karl Marx encontrava-se desempregado, pois o jornal em que trabalhava foi fechado pela censura prussiana. Casou-se com Jenny e mudou- se para Paris, na França, para trabalhar em um jornal chamado Anais Franco-Alemães, também em prol da democracia.

Foi ali que Marx conheceu Engels, intensificou a sua militância política e, em contato com organizações de trabalhadores, intelectuais e sociedades socialistas, percebeu que a revolução não poderia ser feita apenas no campo das ideias, como dizia seu professor Hegel, mas sim através da revolução prática da classe trabalhadora. Era o começo do que se traduziria no  Manifesto Comunista (1848), uma de suas obras, embora a menos importante no meu entender. 

 

As posições políticas de Marx, como o fato de dizer que o capitalismo era um sistema fadado ao fracasso, acreditar no fim da propriedade privada e denunciar a exploração do trabalhador pela indústria, causaram inúmeros problemas para sua família. 

Em 1845 foi expulso da França a pedido do governo prussiano. Mudou-se para Bruxelas, na Bélgica, de onde foi expulso também em 1848, mesmo ano que lançou com Engels o Manifesto Comunista. Foi com a família para Colônia, na Alemanha, onde também ficou pouco, pois fazia um jornalismo extremamente crítico ao governo, o Nova Gazeta Renana. Mais uma vez expulso, tentou fixar residência na França, foi impedido pelo governo e só conseguiu assentar em 1849 em Londres, com a ajuda financeira de amigos e uma "vaquinha" promovida por Ferdinand Lassalle. 

Estabelecido com a família em Londres, vivendo de doações de seu amigo Engels, trabalhos jornalísticos eventuais como correspondente para o jornal americano New York Tribune, e de penhoras de bens da família de Jenny, Marx passou a se dedicar à escrita de O Capital, sua mais conhecida obra, que resume toda a sua crítica ao sistema capitalista a qual demorou mais de quinze anos para ser finalizada. 

O primeiro volume saiu em 1867, desenvolvendo conceitos sobre teorias econômicas que apesar de tudo são até hoje aplicadas na sociedade, como a alavancagem dos bancos, a livre concorrência, a mais-valia, a luta de classes, e o socialismo científico. Ele passava noites em claro trabalhando e o hábito de fumar e beber acompanhou-o durante todos esses anos, causando uma grave inflamação na garganta e problemas respiratórios que o levaram à morte. 

Em Londres, Marx fundou a "Associação Internacional dos Trabalhadores", depois conhecida como "Primeira Internacional", viu acontecer a guerra franco-prussiana que levou ao poder por algumas semanas em 1871 o Comuna de Paris, primeiro governo operário da história. 

Em dezembro de 1881, Jenny morre em decorrência de um câncer no fígado e deixa Marx mais debilitado, já com sérios problemas pulmonares e ainda abalado pela perda da parceira. Em março de 1883, o amigo Engels em uma visita acaba por encontrar Marx morto em casa, com apenas sessenta e quatro anos de idade. 

 

Um debate recente sobre o marxismo, ligado à ideia de marxismo cultural, remete ao ambiente escolar brasileiro. Há uma acusação, por parte de setores conservadores, de que as universidades promovem uma doutrinação ideológica nos alunos de licenciatura, que irão repetir tal doutrinação na sala de aula. Essa doutrinação seria de inspiração marxista e visaria derrubar as estruturas religiosas e capitalistas, esteios do conservadorismo, e culminaria na difusão do socialismo na nossa sociedade. Em razão de tal análise, teoricamente em curso no Brasil desde o fim da ditadura militar, na década de 1980, foram criados movimentos contra a suposta doutrinação marxista, como o Escola sem Partido, que pressupõe uma educação imparcial, sem enviesamento ideológico.

As críticas a quem defende a existência de uma doutrinação marxista nas escolas destacam que pressupostos educativos baseados na equidade de direitos, sejam na área social, política, de gênero ou relacionada à sexualidade, um tipo de doutrinação marxista, pois muitas ideias de teóricos da educação são oriundas de escritos marxistas (a maioria dos teóricos e psicólogos da educação usam citações de Marx), como o filósofo, escritor e educador brasileiro Paulo Freire, o psicólogo francês Jean Piaget ou o psicólogo russo Lev Vygotsky que aceitam como boas algumas das teses. Com uma análise mais acurada do que está em pauta, percebe-se que o que chamam de doutrinação marxista é, em boa verdade, uma defesa dos direitos humanos e, ainda mais profundamente, da valorização da docência e dos professores, nada tendo a ver com comunismo. O que a nosso ver deveria ser feito, era o distanciamento entre o valor educacional dos extratos escolhidos e o enaltecimento ou a excessiva valorização da sua origem, com uma intenção política reprovável, visando promover interesses obtusos, de que o esquerdismo comunista é defensável. Pelo uso infeliz do nome de um homem, que teve a sorte de ter uma Grande inteligência, da qual fez mau uso, por ter uma Mentalidade execrável.

Mas ser de esquerda, não quer dizer Comunista, como apregoam os partidários desta ultrapassada tendência política. Entremos um pouco mais nesse assunto e sem tomar partido, pois hoteleiro deve ser apartidário, pelo menos profissionalmente, avancemos um pouco no nosso conhecimento

 Esquerda e direita (política)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O espectro político esquerda-direita é um conceito geral de enquadramento de ideologias e partidos. Esquerda e direita são muitas vezes apresentados como opostos, embora um indivíduo ou grupo em particular possa eventualmente assumir uma posição mais à esquerda numa matéria e uma postura de direita ou até de extrema-direita noutras. Na França, onde os termos se originaram, a esquerda tem sido chamada de "o partido do movimento" e a direita de "o partido da ordem."

Há um consenso geral de que a esquerda inclui progressistas, sociais-liberais, ambientalistas, social-democratas, democrático-socialistas, libertários socialistas, secularistas, socialistas, comunistas e anarquistas, enquanto a direita inclui neoliberais, económico-libertários, conservadores, reacionários, neoconservadores, anarcocapitalistas, monarquistas, teocratas (incluindo parte dos governos islâmicos), nacionalistas, fascistas e nazistas.

 Distinção entre esquerda e direita

Segundo Laponce são quatro as dimensões (política, económica, religiosa e temporalidade) que mais assertivamente definem os elementos da divisão ideológica entre esquerda e direita. Assim, “como traços periféricos da divisão entre direita e esquerda temos: para o primeiro o setor político, o passado, o status quo, a livre empresa e os EUA; para a segunda a orientação ideológica, o futuro, a mudança, a intervenção do Estado na economia e a URSS.” A direita é mais conservadora e mais contínua nas suas ideias; a esquerda convive melhor com a descontinuidade.

Bobbio contradiz Laponce com exemplos de movimentos da direita europeia não religiosos e pagãos. “Para Bobbio, o critério fundamental para distinguir a esquerda da direita é a diferença de atitude dos homens face ao ideal de igualdade”. Mas este critério não é absoluto; a esquerda nem sempre é igualitarista nem a direita inigualitária.

O politólogo e publicista português Nogueira Pinto também procura os traços essenciais desta divisão: à esquerda temos o otimismo antropológico, o utopismo, o igualitarismo, o democratismo, o economicismo, o internacionalismo; e à direita o pessimismo antropológico, o antiutopismo, o direito à diferença, o Elitismo, antieconomicismo, o nacionalismo.

Com o estabelecimento na França da Terceira República em 1871 os termos foram adoptados pelos partidos políticos: a esquerda republicana, o centro-direita, centro-esquerda (1871), a extrema-esquerda (1876) e a esquerda radical (1881). A partir do início do século XX, os termos Esquerda e Direita passaram a ser associados a ideologias políticas específicas e foram usados para descrever crenças políticas dos cidadãos, substituindo gradualmente os termos "vermelhos" e "reação" ou "republicanos" e "conservadores". Em 1914, a metade esquerda da legislatura foi composta por socialistas unificados, republicanos socialistas e radicais socialistas, enquanto os partidos que foram chamados de "esquerda" agora se sentam do lado direito.

Havia assimetria na utilização dos termos direita e esquerda pelos lados opostos. A Direita principalmente negou que o espectro Esquerda-Direita fosse significativo porque o viam como artificial e prejudicial à unidade. A Esquerda, no entanto, buscando mudar a sociedade, promoveu a distinção. Como Émile Chartier observou em 1931, "Quando as pessoas me perguntam se há divisão entre partidos de direita e partidos de esquerda, homens da direita e homens de esquerda, se ainda faz sentido, a primeira coisa que me vem à mente é que a pessoa que faz a pergunta não é, certamente, um homem de esquerda".

Os termos esquerda e direita vieram a ser aplicados na política britânica durante as Eleições gerais de 1906, que viu o Partido Trabalhista emergir como uma terceira força e no final de 1930 em debates sobre a Guerra Civil Espanhola.

Marx no Manifesto do Partido Comunista, afirma que a classe média pertencia à direita.

"a classe média — são pequenos comerciantes, pequenos fabricantes, artesãos, camponeses — combatem a burguesia porque esta compromete a sua existência como classes médias. Não são, pois, revolucionárias, mas conservadoras; mais ainda, reacionárias, pois pretendem fazer girar para trás a roda da história".

Existem, entretanto, críticas consideráveis e consistentes ​​sobre a "simples - redução" da política num simples "Eixo - esquerda-direita". Alguns cientistas políticos têm sugerido que a classificação de "esquerda" e "direita" perdeu o seu significado no mundo moderno. Embora esses termos continuem a ser utilizados, eles defendem um espectro mais complexo que tenta combinar as dimensões políticas, econômicas e sociais. O jornalista Eric Dupin observou que os termos "direita" ou "esquerda" são cada vez menos relevantes na arena pública. Mesmo no seio da população, os reflexos ideológicos são certamente menos acentuados do que antes, e as diferentes visões do mundo e da sociedade já não podem expressar-se claramente no contexto habitual da polarização esquerda-direita. Friedrich Hayek sugere que é errado ver o espectro político como uma linha (Eixo), com os chamados "revolucionários" à esquerda do Rei e/ou Imperador, os conservadores à direita e os liberais no meio. Ele posiciona cada grupo, no canto de um triângulo.

Para o pensador italiano Norberto Bobbio o pós-União Soviética foi seguido com o aparecimento de algumas linhas que apontavam o fim da dicotomia direita-esquerda, mas Bobbio no livro Direita e Esquerda - razões e significados de uma distinção política, publicado em 1996, discordou de argumentos que preconizavam a perda de influência da polaridade direita-esquerda. No estudo de Bobbio as forças de direita e esquerda existiam e moviam a política e todas as relações de poder e cultura de boa parte do planeta na década de 1990.

Há acadêmicos que apontam, inclusive, que em alguns casos a simples dicotomia entre direita/esquerda pode ser antidemocrática, como é o caso de Mateus Henrique de Faria Pereira:

 A guerra de memória, quando se divide entre um combate entre “esquerdistas” e “direitistas”, aceita diversos pressupostos da lógica autoritária. No entanto, a democracia não pode ser “conquistada” por nenhuma ideologia: a democracia pressupõe a intensificação da pluralidade, do justo, da simetria e do dissenso.

E todos nós devemos, no mínimo ser Democratas

 Os partidos políticos no espectro político

Após a queda do muro de Berlim, os partidos de "direita" e "esquerda" sofreram mutações conceituais. O que era bastante claro num mundo polarizado — de um lado o modelo liberal/democrático/capitalista americano, e do outro o modelo social/autoritário/comunista soviético — passou a ficar confuso após a queda do muro e do fim da União Soviética. Muitos "esquerdistas" migraram para concepções mais democráticas e progressistas, enquanto alguns "direitistas" começaram a ser identificados como pessoas mais reacionárias. A verdade é que os rótulos "direita/esquerda" já são muito limitados para definir a diversidade política do século XXI, sendo talvez mais interessante a abrangência do discurso, definindo-se de forma mais clara a concepção política de cada um (e.g. liberal/anti-liberal, democracia/ditadura, individualismo/coletivismo, intervencionismo/não intervencionismo, etc.).

 Os cientistas políticos têm observado que as ideologias dos partidos políticos podem ser mapeadas ao longo de um único eixo esquerda-direita. Klaus von Beyme categorizou os partidos europeus em nove famílias, que descreviam a maioria dos partidos. Ele foi capaz de organizar sete delas a partir da esquerda para a direita:

- comunismo, socialismo, política verde, liberalismo, democrata cristão, conservador e extrema-direita.

 As posições dos partidos étnicos e agrários variaram. Um estudo realizado no final de 1980, considerando duas bases, as posições sobre a propriedade dos meios de produção e as posições sobre questões sociais, confirmou esta organização.

 Espectro político

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Gráfico de espectro político de dois eixos com um eixo socioeconômico horizontal e um eixo sociocultural vertical e ideologicamente representativo — um exemplo para um modelo frequentemente usado do espectro político.

 Exemplo de um digrama de espectro político


Um espectro político é um sistema para caracterizar e classificar diferentes posições políticas em relação umas às outras sobre um ou mais eixos geométricos que representam as dimensões políticas independentes.

 A ciência política e os cientistas políticos têm notado frequentemente que um único eixo esquerdo-direito é simplista demais e insuficiente para descrever a variação existente nas crenças políticas e por isso inclui outros eixos. Embora as palavras descritivas nos polos opostos possam variar, os eixos dos espectros biaxiais populares são geralmente divididos entre questões econômicas (em uma dimensão esquerda-direita) e questões socioculturais (em uma dimensão autoridade-liberdade)

 Modelos

O primeiro modelo de espectro político coloca as diversas vertentes ao longo de um eixo cujos extremos são esquerda e direita. Esta distinção surgiu originalmente no Antigo Regime do parlamento francês no século XVIII, onde os parlamentares alinhados com certas correntes políticas sentavam-se à esquerda ou à direita no plenário.

Diversos estudiosos procuraram distribuir o espectro político de maneira formal e objetiva. Algumas clivagens políticas em torno das quais se organizam alguns modelos de espectro político

Alguns critérios propostos são:

 Individualismo versus comunitarismo;

Papel da religião no governo (laicismo);

Intervencionismo versus multilateralismo na política externa;

Pacifismo versus militarismo na expressão política;

Liberalismo versus protecionismo no comércio internacional;

Multiculturalismo versus nacionalismo na cultura local;

Centralismo versus federalismo na organização do governo.

Dentre os diversos modelos propostos, os modelos em dois eixos propostos por Hans Eysenck e David Nolan se destacam. Eysenck mantém o eixo entre esquerda e direita representando política econômica e acrescenta um eixo vertical, distribuindo as vertentes entre liberais (para baixo) e autoritárias (para cima). O modelo de Nolan, por sua vez, apresenta um eixo associado à liberdade econômica e outro associado à liberdade pessoal.

 No espectro político, a direita descreve uma visão ou posição específica que normalmente aceita a hierarquia social ou desigualdade social como inevitável, natural, normal ou impossível de eliminar, pois está ligada às diferentes posturas do ser humano. Esta atitude política geralmente justifica a posição com base no direito natural e na tradição.

 O termo "direita" tem sido usado para se referir a diferentes posições políticas ao longo da história. Os termos "política de direita" e "política de esquerda" foram cunhados durante a Revolução Francesa (1789–1799), e referiam-se ao lugar onde políticos se sentavam no parlamento francês; os que estavam sentados à direita da cadeira do presidente parlamentar foram amplamente favoráveis ao antigo regime, o Ancien Régime.

A original Direita na França foi formada como uma reação contra a Esquerda e era composta por políticos que defendiam a hierarquia, a tradição e o clericalismo. A utilização da expressão la droite (a direita) tornou-se proeminente na França após a restauração da monarquia, em 1815, quando la droite foi aplicada para descrever a ultramonarquia. Em países de língua inglesa, o termo não foi utilizado até ao século XX, quando passou a descrever discretamente a posição que políticos e ideólogos defendiam no plano de governo que apresentavam.

No espectro político, a esquerda onde se inclui o Socialismo caracteriza-se pela defesa de uma maior igualdade social. Normalmente, envolve uma preocupação com os cidadãos que são considerados em desvantagem em relação aos outros e uma suposição de que há desigualdades injustificadas que devem ser reduzidas ou abolidas.

 A extrema-esquerda é a política mais à esquerda do espectro político de esquerda-direita do que a esquerda política padrão.

Existem diferentes definições da extrema-esquerda. Alguns estudiosos definem-na como representando a esquerda da social-democracia, enquanto outros a limitam à esquerda dos partidos comunistas. Em certos casos, especialmente nos meios noticiosos, o termo extrema-esquerda é associado a algumas formas de anarquismo e comunismo, ou caracteriza grupos que defendem o anticapitalismo revolucionário e a antiglobalização.

A política de extrema-esquerda pode envolver atos violentos e a formação de organizações militantes destinadas a abolir o sistema capitalista e a alta classe dominante. O terrorismo de extrema-esquerda consiste em grupos que tentam realizar os seus ideais radicais e provocar mudanças através da violência, em vez de processos políticos estabelecidos.

 O estudo desta matéria é muito mais complexo, pelo que vamos parar aqui, mas aqueles que estiverem interessados podem continuar sozinhos. apenas aconselhamos cuidado, pois há muita picaretagem neste assunto.

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