A
História que Nos Foi Contada
Os Erros da Transcrição Os acertos e as Diferenças
Existe um erro que
importa retificar, ao dizer-se que Portugal e a Ibéria foram ocupados pelos
Árabes, pois tal não corresponde à verdade histórica. É importante analisar os
eventos dentro dos parâmetros políticos e territoriais existentes à época dos
eventos, em vez de simplificar, usando fatos e acontecimentos posteriores, como
bases históricas aceitáveis. A cultura árabe surge na Península Arábica com os
povos semitas descendentes de Ismael, filho do patriarca Abraão. As figuras
mais representativas são os nômades beduínos, os quais viviam em regiões
desérticas e se sustentavam, principalmente, da criação de gado. A conquista da
Ibéria deu-se por um povo do Magrebe que, àquele tempo incluía: a Líbia, a Tunísia,
a Argélia, a Mauritânia e o Saara Ocidental. O Mundo árabe tal como é conhecido
hoje, não pode ser considerado como particularmente significativo para tal
análise, pois a Liga
de Estados Árabes[i] (em árabe: جامعة الدول العربية), é
apenas uma organização de estados ditos àrabes, fundada em 1945 no Cairo por
sete países, com o objetivo de reforçar e coordenar os laços econômicos,
sociais, políticos e culturais entre os seus membros, assim como mediar
disputas entre estes, e compreende atualmente vinte e dois estados (Egito[ii], Iraque, Jordânia, Líbano, Arábia
Saudita, Síria, Iêmen, Líbia, Sudão, Marrocos, Tunísia, Kuwait, Argélia,
Emirado Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Omã, Mauritânia, Somália, Palestina,
Djibouti, Comores, e a Eritreia, (que é observadora desde 2003) os quais
possuem no total uma população superior a 200 milhões de habitantes.
A participação da
Síria está suspensa desde novembro de 2011 por causa da Guerra Civil, numa
votação em que a Síria, o Líbano e o Iémen votaram contra, enquanto o Iraque se
absteve.
O objetivo principal
da Liga é "aproximar as relações entre os estados membros, coordenar a
colaboração entre eles para proteger sua independência e soberania, e
considerar, de uma forma geral, os negócios e os interesses dos países
árabes". A base central é a sua cidade de fundação: o Cairo, no Egito.
Mas ser árabe, tem a
ver com a etnia, ou região em que as pessoas nascem (Egito, Líbia, Arábia
Saudita e países em que o idioma oficial é o árabe) e com a composição étnica
que carregam. Muçulmano é aquele que professa uma religião: o Islamismo.
Portanto, islâmico e muçulmano são sinônimos. Já árabe e muçulmano não tem
qualquer relação, pois nem todo o árabe segue a fé islâmica. E hoje muitos
países ditos arábicos, não o são originalmente, e não o eram, à época dos eventos analisados,
não podendo ser considerados para a classificação pretendida, devendo ser
tratados apenas como “arabizados”, e não como àrabes propriamente ditos.
Os árabes são um
grupo étnico semita, nativo principalmente do Oriente Médio e da África
setentrional, originário da península Arábica, a qual é constituída
majoritariamente por regiões desérticas. As dificuldades de plantio e criação
de animais fizeram com que parte de seus habitantes se tornasse nômade, vagando
pelo deserto em caravanas, em busca de água e de melhores condições de vida. A
essas tribos do deserto, deu-se o nome de beduínos.
Mas muita coisa mudou
com o passar dos tempos, e embora a definição genealógica fosse largamente
utilizada durante a Idade Média (ibne Caldune, por exemplo, não utiliza
a palavra Árabe para se referir aos povos "arabizados", mas somente
àqueles de ascendência arábica original),
Existem três fatores
que podem ajudar, em graus diversos, a determinar se um indivíduo é considerado
árabe ou não:
·
políticos:
se ele vive em um país membro da Liga Árabe (ou, de maneira geral, no mundo
árabe); essa definição cobre mais de trezentos milhões de pessoas;
·
linguísticos:
se sua língua materna é o árabe; essa definição cobre mais de duzentos milhões
de pessoas;
·
genealógicos:
pode-se traçar sua ascendência até aos habitantes originais da península
arábica.
·
A
importância relativa desses fatores é estimada desigualmente por diferentes
grupos. Muitas pessoas que se consideram árabes o fazem com base na
sobreposição da definição política e linguística, mas alguns membros de grupos
que preenchem os dois critérios rejeitam essa identidade com base na definição
genealógica. Não há muitas pessoas que se considerem árabes com base na
definição política sem a linguística — assim, os curdos ou os berberes,
geralmente, se identificam como não árabes — mas alguns sim: por exemplo,
alguns Berberes consideram-se Árabes, e nacionalistas árabes consideram os
Curdos como Árabes.
Quais são então os
países árabes?
A verdadeira base
Arábica é formada por Afeganistão, Arábia Saudita, Barein, Catar, Emirados
Árabes Unidos, Iêmen, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã e Síria. Israel embora
semita, está fora deste contexto pelas razões Bíblicas que todos conhecem. O
Irã era o antigo Império Persa, e a Turquia nasceu com Bizâncio e os Otomanos,
tendo aparecido apenas após a derrota dos Cavaleiros Templários em Jerusalém
por Saladino, o último Califa, pois nunca mais foi possível nomear outro. E está
geograficamente situada em uma zona estratégica do globo, na confluência entre
os continentes asiático, europeu e africano. Muitos grupos étnicos terminaram
por ser conhecidos como "árabes" não pela sua etnia, mas apenas pela
arabização. Com o tempo, o termo "árabe" acabou tendo um significado
mais amplo do que o étnico original. Muitos habitantes do Sudão, Marrocos,
Argélia e outros lugares tornaram-se árabes apenas através da difusão cultural.
Estima-se que
existam, no norte da África e no Oriente Médio, cerca de 15 milhões de árabes
cristãos, por exemplo. Além disso, os países com maior número de muçulmanos,
Índia e Paquistão não são árabes, e a Turquia tampouco. O maior país muçulmano
do mundo, a Indonésia, não é um país árabe. Por isso, confundir esses termos é
como confundir latino com cristão.
"Mas os
Mouros", você deve estar se perguntando[iii]...
Na Antiguidade, os
romanos denominavam "mauros" (em latim: mauri) as populações
que habitavam a região noroeste da África, que por sua vez designavam de
Mauritânia. Estas populações pertenciam a um grupo étnico maior, o dos
berberes, que posteriormente, à época da expansão islâmica (século VII), vieram
a adotar esta religião, muitos dos quais adotando mesmo a língua, além do seu idioma
nativo. Foram estas populações, que estiveram na conquista da Península Ibérica
durante o século VIII. A chamada "civilização moura" ou
"civilização mourisca", que floresceu na Idade Média, era
predominantemente berbere.
Com o processo da
Reconquista, os mouros perderam grande parte de seu território na Península no
final do século XIII, e finalmente em 1492, os Reis Católicos conquistaram o
Reino de Granada e expulsaram os últimos mouros da Península. A maioria dos
refugiados estabeleceu-se no norte de África.
Castelo dos Mouros, em Sintra
Deste modo, a palavra
"mouro" refere-se a todos os habitantes do noroeste da África que eram
muçulmanos ou falavam árabe, ou ainda, aos muçulmanos de origem espanhola,
judaica ou turca que viviam no norte da África, ao tempo da ocupação da Ibéria.
Em francês, "maure" (mouro) designa os nómades da região do
Saara Ocidental. "Mouro" aplica-se ainda aos muçulmanos
cingaleses-árabes do Sri Lanka. Na língua castelhana, "moro" também
se refere aos muçulmanos que vivem no sul das Filipinas.
Neste mapa da Antiga Mauritania podemos ver a vermelho, talvez com alguns pequenos erros, o que era o Império Romano daquele tempo. (apontamento apenas para elucidação, mas sem valor científico).
Com a invasão
muçulmana da Península Ibérica, iniciou-se um processo gradual de conversão da
população ibérica do cristianismo para o islamismo, assim como ocorreu em
outras regiões dominadas pelos arabizados. Segundo o historiador R. W. Bulliet,
até ao ano 800, apenas 8% da população autóctone de Al andalus havia se
convertido ao islamismo. Em meados do século IX, essa proporção chegou a 12,5%.
Ter-se-ia duplicado e chegado a 25% até 900, e em 950 a cifra teria voltado a
duplicar. Até ao ano 1000, 75% da população ibérica já era muçulmana, e a
partir daí se estabilizou. Os restantes 25% eram compostos pelas minorias
cristãs e judaicas. Portanto, a maioria dos mouros ibéricos eram descendentes
de cristãos convertidos ao islamismo, que acabaram, com o passar das gerações,
esquecendo suas origens e assumindo nova identidade, do mesmo modo que ocorreu
com os berberes do Norte da África. Em consequência, não havia diferenças
fenótipas significativas entre muçulmanos e cristãos ibéricos. Houve, contudo,
a migração de populações berberes do norte da África e, em menor medida, de arabizados,
que foram assimilados na população.
Os mouros
permaneceram na Europa até ao século XV e, ao longo dos anos, o termo foi sendo
cada vez mais usado como forma de referência aos muçulmanos que habitavam a região.
Nesse sentido, já durante o Renascimento, o termo ‘mouro’ era usado para
designar qualquer pessoa de pele escura. Foram responsáveis por movimentar a
economia europeia e eram grandes agricultores, embora aniquilados pelos
europeus até ao século IX, e quando poupados, incorporados à população.
A história dos
mouros, entretanto, remonta ao ano 711 d.C., quando os muçulmanos oriundos do
Norte da África tomaram a Península Ibérica. Liderados pelo general berbere Tariq ibn-Ziyad, os mouros
tomaram o território ibérico conhecido como Al-Andalus, transformando-o num
próspero centro cultural e econômico.
Mouros em Portugal
Os mouros chegaram à
Península Ibérica por volta do séc. VIII e ali permaneceram vários séculos,
deixando a sua marca na cultura e no idioma. Palavras que fazem parte do
português como “guitarra”, “azulejo”, “alface”, “alguidar”, “almoxarifado” e “chafariz”,
pertencem à língua árabe e foram trazidas pelos mouros.
Em Portugal, por
exemplo, além da influência no idioma, os mouros deixaram seu legado na
arquitetura e na decoração. Os melhores exemplos são os arcos em ferradura, os
azulejos e os enfeites coloridos.
Na capital
portuguesa, Lisboa, a “mouraria” é o nome do bairro habitado pelos mouros após
a reconquista, e a influência muçulmana é encontrada na culinária portuguesa,
em pratos como os bolinhos de amêndoa e os ensopados de carneiro, entre outros.
O fado, estilo de música portuguesa, e o canto flamenco, têm sua origem na
maneira de cantar dos mouros.
Mouro, árabe ou
muçulmano?
Muitas vezes usa-se “mouro”
como sinônimo de árabe. No entanto, mouro, como vimos, se refere aos povos
berberes e aos muçulmanos que viviam na Península Ibérica e que não eram árabes
diretamente, pois árabes eram aqueles que nascem nos países como o Egito,
Arábia Saudita, Iêmen, Líbano, etc. Ser árabe, portanto, tinha mais a ver com a
etnia, identidade cultural e idioma, do que com a religião. E finalmente,
muçulmano é aquele que pratica o Islã.
Mouros na Europa
Os mouros chegaram na
Europa através da Península Ibérica e do seu relacionamento com os romanos;
para esclarecer essa chegada teremos que remontar um pouco no tempo, explicando
a chegada dos Godos e visigodos ao território romano.
Os godos (em gótico: Gut-þiuda;
em alemão: Goten; em Sueco antigo Gutar; em latim: Gothi)
eram uma tribo germânica, composta por uma amálgama de grupos e clãs com
diversos líderes. A sua origem é objeto de controvérsias. Estão mencionados
pela primeira vez em 98 d.C., como habitando a foz do Rio Vístula na atual
Polónia. Por volta do ano 200 começaram a deslocar-se em direção ao Mar Negro,
tendo-se fixado na atual Ucrânia e Bielorrússia. No encontro com o Império
Romano no século IV, os godos dividem-se em Ostrogodos e Visigodos. Os
ostrogodos acabaram por se estabelecer na Península Itálica e na Peônia, e os
visigodos na Gália e na Hispânia.
No século VI os
ostrogodos foram derrotados pelo Império Bizantino e no século VIII os
visigodos pelos Árabes, mas não é esta a História que estamos tratando.
Explicaremos, no
entanto, que com a queda do Império Romano na alta Idade Média, os reis
visigodos conseguiram se fixar na Ibéria, embora vivendo em guerra e disputas uns
contra os outros. Nesse contexto, um dos monarcas pediu ajuda a Musa ibn
Nusair, líder de uma tribo nómade de origem iemenita, da área conhecida
como Mauritânia e abriu caminho para as invasões do general berbere Tariq
ibn-Ziyad, que se deram mais tarde.
Atendendo ao pedido
do monarca, os iemenitas entraram na Ibéria e se espalharam pelo que hoje é
grande parte da Espanha, sobrepondo-se aos visigodos, os quais aparentemente
tinham vindo ajudar, e ocupando o bloco mais central da península. Depois da conquista de Tariq,
o que hoje é Portugal foi entregue aos norte-africanos (o grosso do exército de
Tariq) que eram "mouros" e se contavam como dezenas de
milhares de homens.
Os cristãos que
moravam nas terras ocupadas da Península Ibérica, passaram a denominar como mouros,
aquelas pessoas de pele escura que praticavam o Islã, e que tinham vindo da Mauritânia.
Nas regiões onde eles se instalaram, os cristãos originais evitaram se
converter ao islamismo, mas os habitantes neonatos, embora já não fossem
africanos de origem, nem tivessem a pele escura como os muçulmanos que viviam
na Península, começaram a usar a palavra "mouro" para se referir a si
mesmos. Por isso, tanto em Portugal como na Espanha, mouro ficou sendo muito
usado como sinônimo para "muçulmano".
No total, os mouros
ficaram na Espanha durante 8 séculos, mas em certas zonas do país eles
estiveram 300 anos, e em outras, 500 anos. O primeiro Rei Cristão da Ibéria foi
D. Afonso Henriques em 1142.
O último reino
muçulmano a ser conquistado foi o de Granada, em 1492, pelos reis católicos,
Isabel de Castela e Fernando de Aragão.
Seguiu-se um século
de perseguição mais intensa, com os mouros sendo obrigados a se converter ao
cristianismo ou deixar o país. Em 1609, os muçulmanos que ainda permaneciam na
Espanha foram definitivamente expulsos. Por sua vez, seus descendentes e os
locais usados, passaram a ser conhecidos como “mouriscos”.
Todavia, com a queda
do estado muçulmano e a perseguição frequente dos cristãos, estes povos
acabaram sendo expulsos. A reconquista começou com D. Afonso Henriques em 1142,
na parte que corresponde a Portugal, e em 1492, os reis católicos Fernando II e
Isabel I se sagraram vitoriosos na Guerra de Granada, devolvendo a Península
Ibérica aos europeus.
Recapitulando
A presença deste povo
na Espanha e em Portugal aconteceu a partir do século VIII. Na Espanha, os
mouros ficaram por oito séculos, sendo que o último reino muçulmano teve fim em
1492, após a vitória dos reis espanhóis na Guerra de Granada.
Posteriormente, os
mouros passaram por um século de perseguição cristã, período, em que foram
obrigados a se converter ao cristianismo, e os não convertidos tinham que
deixar o país. Todavia, os muçulmanos que se encontravam na Espanha foram
expulsos de forma definitiva em 1609 e todos seus descendentes ficariam
conhecidos como mouriscos.
Desta forma,
"mouro" aos olhos dos cristãos, passou a ser sinônimo de pessoas
muçulmanas e de pele escura, que embora não constituam um povo, nem uma etnia,
se incluem numa designação que os cristãos europeus criaram, dos muçulmanos
tanto africanos como arabizados.
Significado de
mouro: A palavra
“mouro” vem do latim - mauro - e significa “escuro”.
No total, os mouros
ficaram na Espanha durante 8 séculos, pois em certas zonas do país eles
estiveram 300 anos, e em outras, 500 anos. O primeiro
Rei Cristão foi D. Afonso Henriques em 1142. Sancho II de Portugal, aparece
como o segundo rei português a poder usar o título de Rei do Algarve, na
esteira de seu avô - o que provavelmente só não fez devido às suas outras
preocupações internas, designadamente a guerra civil que o opôs ao seu irmão, o
conde de Bolonha e infante Afonso.
[iv]Com
efeito, foi este que, subido ao trono em 1248, se encarregou da conquista dos
derradeiros enclaves mouriscos no Algarve, assumindo em 1249 o título de
"Rei de Portugal e do Algarve"[v],
que não mais deixaria de ser utilizado pelos seus sucessores até ao fim da
monarquia em Portugal. Como explicamos na Nota Final “além mar”.
O
último reino muçulmano a ser conquistado foi o de Granada, em 1492, pelos reis
católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão.
Seguiu-se um século
de perseguição mais intensa, com os mouros sendo obrigados a se converter ao
cristianismo ou deixar o país. Em 1609, os muçulmanos que ainda permaneciam na
Espanha foram definitivamente expulsos. Os lugares por onde eles haviam
passado, passaram a ser conhecidos como “mouriscos”. E esta é a história real.
[i] A Liga Árabe foi oficialmente
instituída a 22 de março de 1945, na cidade egípcia do Cairo, com a adopção da
"Carta da Liga dos Estados Árabes". Contudo, a ideia de uma Liga
Árabe foi em primeiro lugar estimulada pelo Reino Unido e trabalhada durante a
Segunda Guerra Mundial, numa tentativa de conquistar aliados na guerra contra a
Alemanha Nazi e os países do Eixo. Outros fatores que contribuíram para a
formação da Liga Árabe foram o aumento das relações económicas entre países
árabes, o desenvolvimento dos movimentos nacionalistas e panárabes, bem como as
ligações históricas e religiosas entre estes países. O seu grande impulsionador
foi Thomas Edward Lawrence CB, DSO (16 de Agosto de 1888[1] - 19 de Maio de
1935), também conhecido como Lawrence da Arábia, e (entre os seus aliados
árabes como Aurens ou El Aurens), que foi um arqueólogo, militar, agente
secreto, diplomata e escritor britânico.
Tornou-se famoso pelo seu papel como oficial britânico
de ligação durante a Revolta Árabe de 1916-1918. A sua fama como herói militar
foi largamente promovida pela reportagem da revolta feita pelo viajante e
jornalista estadunidense Lowell Thomas, e ainda devido ao livro autobiográfico
de Lawrence, Os Sete Pilares da Sabedoria. É como tenente do serviço secreto inglês
que Lawrence inicia, em 1914, sua carreira militar no Oriente Médio. A
identificação de Lawrence com a causa árabe, cultivada quando ainda trabalhava
como arqueólogo, torna-o peça importante da manobra britânica para vencer o
Império Turco Otomano, aliado da Alemanha na guerra. Como oficial inglês e
admirador da cultura árabe, aproxima-se de Faiçal, um dos líderes da revolta e
filho do xerife de Meca, Huceine ibne Ali. Seus conhecimentos sobre a geografia
local e o exército turco, somados aos ideais de soberania da nação árabe, logo
fazem de Lawrence o conselheiro logístico do movimento, comandante de um
exército de dez mil homens. Lawrence na Arábia, em 1919.
Grande articulador, ele consegue reverter a ocupação
do território árabe, impedindo a retaliação turca, através de ações de
guerrilha, como explosões de trens e estradas de ferro e aniquilação de
reservas materiais, que culminam com a tomada de Damasco em outubro de 1918.
Nesse ano, Lawrence foi promovido ao posto de tenente-coronel. E o império
turco que vinha desde Saladino, terminou definitivamente. Esta história está
documentada no Filme “Lawrence da Arábia”.
[ii]O Egito se tornou helenístico em
332 aC, quando foi conquistado por Alexandre 1º, o Grande. A dinastia grega dos
Lagides reinou sobre o Egito de 305 a 30 aC. Entre 30 aC e 395 dC, o Egito foi
uma dependência do Império Romano, quando o cristianismo se desenvolveu. De 395
a 639, continuou sob soberania cristã bizantina e, é nesta época, que se forma
a Igreja Copta (hoje oficialmente conhecida como Igreja Ortodoxa Copta de
Alexandria). Às vésperas da conquista árabe e, na verdade, desde o século VI
aC, o Egito já perdera sua identidade dos tempos áureos dos Faraós, invadiu
outros países e foi invadido por outros povos. Sua religião passou desde a
adoração ao sol até chegar ao cristianismo. A língua de seu povo variou de
acordo com as suas circunstâncias e o país perdeu sua identidade original. Era
o início de nova era. Quando se fala da tomada do Egito pelos árabes, vem
imediatamente à mente a figura de seu conquistador: Amr ibn Al-As (xx – 663
dC), cuja biografia ilustra não somente esta como também outras vitórias suas
nos diversos campos de batalha. Pertencente, como o Profeta Muhammad, à tribo
de Quraysh, ele aceitou o Islã entre 629 e 630. O Profeta o enviou a Omã numa
missão de paz e ele a cumpriu, convencendo os governantes de Omã a se
converterem à nova religião.
[iii] Mouros, mauritanos, mauros ou
sarracenos são considerados, originalmente, os povos oriundos do Norte de
África, praticantes do Islão, nomeadamente Marrocos, Argélia, Mauritânia e
Saara Ocidental, invasores da região da Península Ibérica, Sicília, Malta e
parte de França, durante a Idade Média. Estes povos consistiam fundamentalmente
nos grupos étnicos berberes, que constituem o âmago de etnicidade da África
setentrional. O período da Reconquista marca a expulsão destes povos da
Península Ibérica, consubstanciando-se também numa cruzada histórica entre a
religião dos mouros, o islão, e a religião dos povos da Península Ibérica, o
catolicismo.
Nota-se que a maior parte dos mouros da Península
Ibérica eram descendentes de ibéricos convertidos ao islamismo. Portanto, não
havia significativa diferença fenótipa entre mouros e cristãos da Ibéria.
Etimologia
"Mouro" e "mauro" provêm do tamazight
(ou marroquino padrão), através do latim maurus. "Sarraceno" provém
do árabe شرقيين xarquiin, plural de شرقي xarquii, "oriental", através
do grego bizantino Σαρακηνοί sarakenoí e do latim sarracenu. O primeiro Estado marroquino
independente conhecido foi o reino berbere da Mauritânia sob o rei Baga. Este
reino antigo (a não ser confundido com o país atual de Mauritânia) data de pelo
menos a 225 a.C. A Mauritânia transformou-se um reino cliente do Império Romano
em 33 a.C. O imperador Cláudio anexou a Mauritânia diretamente como uma
província romana em 44 d.C., sob um governador imperial, o procurador imperial
(aprocurator Augusti) ou um legado augusto propretor (legatus Augusti pro
praetore). Durante a Crise do Terceiro Século, partes da Mauritânia foram
reconquistadas por tribos berberes. O regime romano direto ficou confinado a
algumas cidades costeiras (como Septum (Ceuta) na Mauritânia Tingitana e
Cherchell na Mauritânia Cesariense) no final do século III.
[iv] Além-mar
Em Portugal, o nome do reino algarvio (e o título
régio, por consequência), sofreram algumas pequenas mudanças oficiais com as
conquistas norte-africanas, cujo território era considerado o prolongamento
natural do Reino do Algarve. Assim, João I de Portugal acrescentou à sua
intitulação de "Rei de Portugal e do Algarve", o nome de "Senhor
de Ceuta"; seu neto Afonso V, por sua vez, chamou-se sucessivamente
"Senhor de Ceuta e de Alcácer-Ceguer em África" (após 1458), e em
1471, com a conquista de Arzila, Tânger e Larache, reuniu as praças
norte-africanas no título de "Algarve d’além-mar em África", ficando
o Algarve europeu a ser o "Algarve d’aquém-mar".
Assim, foi só em 1471 que o "Reino do
Algarve" deu lugar ao "Reino dos Algarves", devido à elevação
dos senhorios norte-africanos da coroa portuguesa à condição de reino. Os reis
de Portugal adoptaram, por conseguinte, o título que viriam a usar até à queda
da Monarquia: "Reis de Portugal e dos Algarves d’aquém e d’além-mar em
África" — isto mesmo depois do abandono da última praça marroquina em mãos
portuguesas (Mazagão, em 1769). Durante o período de usurpação da Coroa
portuguesa (1560 a 1640), a Espanha tomou posse destes territórios, os quais
nunca devolveu a Portugal.
[v] Al Garbe Designação em português de Algarve;
deriva da expressão árabe, Gharb, que significa ocidente. Desta forma, o
topónimo Al Garbe refere-se à região a ocidente de Al Andaluz, (em
árabe: الأندلس; romaniz.: al-ʼAndalus; alåndɑlʋs) que foi o nome dado à
Península Ibérica (com a Septimânia) no século VIII, a partir do domínio do
Califado Omíada, tendo o nome sido utilizado para se referir à Península
independentemente do território politicamente controlado pelas forças mouras.
A cidade de Olhão no Algarve, ainda mantém as características Mouras da construção




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